
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Terminou no passado fim de semana, a segunda ronda do Campeonato de Rali(s) do Mundo. Nunca a competição da FIA viajou tão ao norte como a Lapónia. O natal já passou e os presentes foram todos entregues, no entanto, há um grande presente que a maravilhosa região nos dá: ralis.
Rovaniemi recebeu o WRC e cumpriu-se a visita dos pilotos ao Pai Natal antes do seu início. O pedido foi certamente, o mesmo: uma vitória.
E porque não é de desejos que se conseguem vitórias, os pilotos enfrentaram um belo desafio. A norte, a neve e o gelo proporcionaram cenários magníficos, criando uma experiência diferente e complexa aos pilotos. Muitos deles, não tinham experiência de competição em camadas tão densas de neve.
À falta de experiência juntaram-se as condições atmosféricas. À noite, com o piso em condições adversas e com a visão reduzida durante alguns períodos das provas, os pilotos tiveram de confiar apenas em notas que os guiavam ao fim de cada classificativa. Para os amantes de neve, esta será o rali mais espetacular de se ver e para quem segura o volante, apesar da necessidade de adaptação às condições, terá sido uma prova fantástica.
Ao contrário do que se possa assumir, as condições atmosféricas adversas não implicam provas lentas, sem espírito de rali. Muito pelo contrário. Para superar a situação e garantir a velocidade, em simultâneo com a estabilidade, os pneus (fornecidos pela Pirelli), são adaptados com cerca de 384 pregos que garantem a aderência necessária a grandes prestações. Assim, com o aumento da velocidade, aumenta também a força de aderência ao solo, que proporciona uma estabilidade incrível permitindo aos pilotos serem cada vez mais velozes nas estradas profundamente escorregadias, tornando esta prova numa das mais rápidas do campeonato.
Para além da alteração nos pneus, este rali implica que os carros estejam equipados com pás (em caso de retenção na neve) e roupa térmica que garantia a estabilidade da temperatura corporal dos pilotos no caso de terem que permanecer fora do carro em temperaturas tão baixas.
As novidades que confirmamos nesta edição de 2021, incluindo o Rali do Ártico, estão relacionadas com a pandemia da COVID-19, sendo que os organizadores do evento tiveram necessidade de readaptar a competição para que esta fosse possível e segura em simultâneo.
O primeiro dia foi surpreendente, o Shakedown permitiu aos pilotos que se estrearam nestas condições, ter noção da complexidade que seria a sua adaptação.
BREAKING: Congratulations to @OttTanak 🇪🇪 and Martin Järveoja 🇪🇪 – winners of the inaugural #ArcticRallyFinland powered by #CapitalBox 🙌🙌#HSMGOfficial | @HMSGOfficial | #WRC | @RallyFinland | #WRCLive
— WRC – FIA World Rally Championship (@OfficialWRC) February 28, 2021
Ott Tänak (Hyndai Motorsport) estabeleceu um ritmo alucinante no teste de shakedown do Arctic Rally Finland. O piloto garantiu um melhor tempo de 2m35,4 segundos, com vantagem de 0,7 segundos sobre Thierry Neauville (Hyundai Motorsport), que se recuperou de um erro anterior.
Tänak começou por dar espetáculo e terminou o primeiro dia do Rali do Ártico em primeiro lugar com uma vitória consistente na SS2. O domínio do estónio continuou no sábado. Ganhou mais uma vez a etapa, guardando uma vantagem de 23,6 segundos. O piloto foi imperioso, mas foi auxiliado por outros que não tiveram um início perfeito. No final de contas, no fim do segundo dia, a luta já não era sua. Seria muito difícil roubar-lhe a vantagem. A disputa estava nas mãos de Thierry Neauville e Kalle (Toyota).
Em declarações na conferência de imprensa pós-evento organizada pela FIA para o Rali do Ártico de 2021 na Finlândia, Ott Tanak refere: “Foi uma experiência incrível, as condições não podiam ser melhores. O desafio que tivemos neste fim de semana definitivamente valeu alguns pontos no WRC”.
Kalle Rovanperä, (prodígio de 20 anos), ao volante do Toyota Yaris WRC, terminou rali em segundo lugar (venceu-o no passado, quando a prova pontuava somente para o campeonato finlandês) a 17,5 segundos do estónio da Hyundai. Carregava consigo um fardo enquanto muitos o consideravam o vencedor do Rali do Ártico. Derrotou Thierry Neuville, que exercia uma pressão enorme sobre si, numa intensa luta pelo segundo lugar do pódio. O esforço de Rovanperä na fase final foi suficiente para a vitória e eleva o jovem de 20 anos à liderança do campeonato mundial.
Em declarações na conferência de imprensa pós-evento organizada pela FIA: “Estávamos apenas a tentar ser o mais rápidos possível o tempo todo. Mas eu lutava com o carro o fim de semana inteiro, não estava perfeito. Mas ainda foi um bom fim de semana.”
Thierry Neuville ficou, novamente, em terceiro lugar. Posição que já tinha conseguido no Rali de Monte Carlo que abriu a temporada. Teve uma prestação concisa, incrível.
Ainda assim, um aspeto que prejudicou a sua prestação foi a falha de comunicação com o co-piloto Martijn Wydaeghe. Neuville refere problemas de comunicação, em declarações na conferência de imprensa pós-evento organizada pela FIA: “Temos uma comunicação diferente dentro do carro. Martijn fala francês e sua língua nativa é flamenga. É difícil conseguir a conversa certa mas, no final, a equipa fez um trabalho incrível”.
Craig Breen (Hyundai Motorsport) conseguiu aproximar-se do vencedor do rali numa fase inicial mas perdeu essa vantagem. Breen e Elfyn Evans (Toyota) estavam envolvidos numa luta igualmente acesa antes da Powerstage, com Breen apenas 3,6s à frente de Evans em quarto lugar geral. Mas depois de perder 6,5 segundos no penúltimo teste, Breen respondeu e bateu Evans por 5,2 segundos, estabelecendo o segundo melhor tempo da Powerstage para garantir o quarto lugar geral.
Takamoto Katsuta (Toyota), terminou em sexto após um muito bom desempenho, terminando 1,2 segundos à frente de Oliver Solberg (Hyundai Motorsport). Um erro final na Powerstage, um segundo de atraso, retirou a vantagem de Solberg sobre o japonês.
Esta seria a prova para definir o melhor de uma geração já que Oliver Solberg e Rovanpera competiam pela primeira vez, pelo pódio, no WRC. E eles são, sem dúvida, o futuro do Campeonato Mundial de Ralis.
Quem é mais rápido? Rovanperä ou Solberg? No final, o finlandês seria o mais rápido na competição.
Acerca dos dois jovens promissores, o chefe da Hyundai destacou a vantagem de pontos do piloto da Toyota. Em declarações ao Dirtfish, Adamo referiu: “Ter jovens como Kalle a liderar o campeonato, mesmo que ele esteja a pilotar pela Toyota, e Oliver é bom porque eu acho que precisamos dos jovens para atrair a geração jovem no rali e manter o futuro do rali vivo.”
Na sua estreia no WRC, Oliver Solberg, que carrega consigo o legado de Peter Solberg, perdeu bastante tempo num pião na primeira classificativa. No segundo dia, o jovem de 19 anos apresentava uma prestação fabulosa, ficando surpreendido com o facto de ter estabelecido o quarto tempo mais rápido, sendo que era apenas a sua segunda etapa num carro de Rali do Mundo. Em declarações ao DirtFish: “Foi incrível, eu mesmo fiquei muito chocado para ser honesto.” Terminou na sétima posição, perdendo um lugar acima por uma falha que lhe roubou um segundo de vantagem.
Suninen (Ford Fiesta WRC) estava envolvido numa disputa pelo sexto lugar com Solberg, Katsuta e Ogier. Lamentou a falta de desempenho a nível de velocidade do seu Fiesta WRC. Foi o oitavo classificado após ter perdido vantagem.
O fim de semana de Ogier (Toyota) foi catastrófico. Condições mais quentes do que o suposto, dificultaram a sua prestação, deixando-o na nona posição após a primeira mão e, consequentemente, em uma posição desagradável na estrada durante toda a competição.
Num incidente, Ogier perdeu a retaguarda na curva anterior, o que o colocou fora de linha para um lado esquerdo mais apertado, acabando por ficar preso na neve. A par com Julien Ingrassia, desenterraram o carro, mas perderam todas as esperanças por pontos.
Time to celebrate! 🍾🍾🍾🍾
🎅 There was a very special resident form Rovaniemi congratulating our winners! 🏆#WRC | #ArcticRallyFinland | #VisitRovaniemi pic.twitter.com/bSUn2tqsJB
— WRC – FIA World Rally Championship (@OfficialWRC) February 28, 2021
Somando o Rali do Ártico à sua prestação em Monte Carlo (quarto lugar), o finlandês Kalle Rovanperä passou para o topo da classificação de pilotos, com 35 pontos. São mais quatro do que Thierry Neuville e mais oito do que Sébastien Ogier (Toyota).
A próxima ronda é, igualmente, uma novidade no calendário. O Rali da Croácia tem lugar entre 22 e 25 de abril.
Foto de Capa: WRC













