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Shawn Michaels é um dos melhores lutadores de sempre.
Este é um dos poucos factos com o qual o maior número de fãs concorda. Shawn Michaels era um verdadeiro talento, possuía uma agilidade incomparável e o seu selling era dos melhores que alguma vez se viu num ringue de wrestling.
No entanto, outro facto que reúne um consenso geral entre os fãs de wrestling, em relação ao Showstopper, é que este tinha um dos maiores egos da história da WWE.
Assim que este se apercebeu do valor que tinha para a empresa de Vince McMahon, passou a agir e actuar consoante a sua vontade, o que criou, várias vezes, um ambiente tóxico entre os lutadores, que levou a que muitos destes tivessem vontade de dar uma lição de respeito a Michaels à base de murros e pontapés.
Assim, vejamos dez (e podiam ter sido mais) coisas que a WWE nos quer fazer esquecer sobre Shawn Michaels.
Foto de Capa: WWE
10.
O seu último combate – Há poucas reformas perfeitas no mundo do wrestling. Mais vezes do que seria desejável, o último combate de uma lenda não é um celebrado e recordado com alegria, mas muitas vezes é esquecido por todos.
Durante muitos anos, Shawn Michaels tivera, na minha opinião, o melhor combate de reforma da história da WWE, quando perdeu para o Undertaker na Wrestlemania 26, isto após os dois se terem enfrentado na Wrestlemania anterior. Esses dois combates são dos melhores que a WWE já produziu e representavam uma forma perfeita do Sr. Wrestlemania se retirar. Isto até a Arábia Saudita bater à porta, levando Michaels a voltar a lutar mais uma vez.
Apesar de ter ocorrido há menos de dois anos, não são muitos os que se lembram do combate. O que é compreensível, uma vez que um Tag Team Match entre os DX e os Brothers of Destruction seria muito mais interessante caso ocorresse na primeira década do século, e não em 2018.
No podcast de Edge e Christian, Michaels confirmou que esse seria o seu último combate e que só o tinha feito como um “favor” a Vince McMahon. No entanto, gostaria de saber que Michaels faria o mesmo combate sem o dinheiro saudita na equação. Mas isso já é especulação…
9.
Recusar perder com Vader – Nos últimos meses, Keith Lee tem ganho notoriedade por ser um “gigante” que consegue fazer voos como se fosse um cruiserweigh. Mas, e sem querer tirar nenhum mérito a Lee, Vader já fazia as mesmas manobras há mais de 20 anos.
Para além disso, tinha a fama de ser ”stiff”, ou seja, muitos dos seus socos e manobras doíam a sério. E tratando-se de um homem com mais de 150 kg, isso não agradava a muitos dos seus colegas, incluindo o Heart-Break Kid.
Quando Vader chegou à WWE, era lógico que este lutasse com o campeão da WWE – Shawn Michaels – e até havia planos para que a rivalidade entre os dois durasse bastante tempo. Mas Michaels não gostou da ideia de trabalhar com Vader e, após um combate no Summerslam de 1996, a rivalidade terminou.
Na década de 1990, era este o modus operandi da WWE: se Michaels não queria, não o fazia.
8.
O incidente no Madison Square Garden – Muito do poder político que Shawn tinha na WWE devia-se não só ao seu talento, como também ao seu grupo de amigos, conhecido como The Kliq, composto por HBK, Kevin Nah, Scott Hall (na altura, Razor Ramon), Triple H e X-Pac (na altura, 1-2-3 Kid).
Em 1996, no Madison Square Garden, Hall e Nash fizeram o seu último combate pela WWE antes de rumarem à WCW e, no final do evento, os dois deram um abraço juntamente com Triple H e Michaels. Ora isso era um problema, porque, na mesma noite, Hall tinha enfrentado Triple H e Michaels tinha combatido com Nash.
Os quatro homens quebraram kayfabe, ou seja, não agiram consoante o código de honra do wrestling e, basicamente, demonstraram que era tudo encenado.
Michaels esteve no seio deste incidente (também conhecido como The Curtain Call) mas, como era o campeão na altura, não sofreu castigo nenhum.
7.
Desrespeitar Undertaker – Ao longo dos seus anos na empresa, Undertaker ganhou um estatuto de autoridade entre os seus colegas, tanto dentro, mas especialmente fora do ringue. No entanto, esse estatuto acabou por ser desrespeitado.
No podcast de Jim Ross foi discutido um incidente num episódio do Raw, antes do primeiro Hell In a Cell Match de sempre, que poria frente-a-frente Undertaker e Shawn Michaels (o combate onde Kane fez a sua estreia), e ao qual Undertaker não conseguira chegar a tempo do evento devido às condições atmosféricas adversas.
Assim, e sabendo que o Undertaker não estava na arena, Shawn fez uma promo no ringue onde não seguiu o guião e desafiou o “Deadman” a vir ao ringue, dizendo que, caso não o fizesse, estaria a ser um cobarde.
Claro que Undertaker não veio ao ringue e Shawn humilhou por completo o seu rival.
Esta situação causou uma enorme tensão no balneário, apesar de os dois não terem chegado a vias de facto.
6.
Posar para a Playgirl – Já se sabe que Michaels era dono e senhor da WWE antes da sua lesão nas costas em 1998. No entanto, também conseguia arranjar problemas fora do ambiente de trabalho.
Quando era campeão da WWE, HBK decidiu posar para a revista Playgirl, usando o WWE Championship como única peça de roupa. Sendo que, nos dias de hoje, a WWE ainda é TV PG, com certeza que todos preferem esquecer este momento embaraçoso na história do título mais prestigiante no mundo do wrestling (apesar de Triple H o ter mencionado no milésimo episódio do Raw).
5.
Recusar perder para o British Bulldog – Davey Boy Smith, também conhecido por British Bulldog, era um dos muitos lutadores que fazia parte da família Hart, sendo o cunhado de Bret Hart. De resto, os dois protagonizaram um dos melhores combates da história da WWE, no Summerslam de 1992.
Ora em 1997, Davey era European Champion e enfrentou Michaels no One Night Only, um evento que ocorreu em Inglaterra.
Como tal, e porque era o babyface e estava a lutar “em casa”, Bulldog assumiu que ia vencer, ou pelo menos manter, o seu título, e, por isso, disse, antes do evento, que ia dedicar o combate à sua irmã, que na altura estava a travar uma batalha com cancro.
No entanto, Michaels convenceu Vince McMahon que devia vencer o combate para, supostamente, tornar a sua rivalidade com Bret Hart mais interessante e criar uma possível desforra com Davey no futuro.
No final, Michaels ganhou, a desforra nunca ocorreu, e a rivalidade com Bret terminou como Montreal Screwjob.
4.
O combate com Hulk Hogan – Quando Michaels regressou à WWE em 2002, fê-lo com uma nova atitude e, salvo raras excepções, teve o mérito de não voltar a fazer tudo à sua maneira, pondo muitas vezes os interesses da WWE à frente dos seus.
No entanto, uma dessas excepções ocorreu no Summerslam de 2005, quando enfrentou Hulk Hogan. Sendo os dois conhecidos por quererem ganhar a qualquer custo, seria surpreendente se esta rivalidade não acabasse num desentendimento, tanto fora como dentro do ringue.
Estava programado que os dois tivessem uma série de combates, lutando ambos como babyfaces. Mas Hogan preferiu que Shawn se tornasse heel e, no dia do Summerslam, afirmou ter problemas nas suas costas e que, por isso, só conseguiria fazer o combate dessa noite (onde, obviamente, venceria).
Neste ponto, Shawn perdeu o juízo e, quando o combate começou, decidiu arruiná-lo por completo.
Por cada manobra que Hogan fazia, mesmo se fosse um simples murro, Michaels reagia como se tivesse sido atropelado por um camião, tornando o que seria um combate incrível numa comédia.
O próprio Michaels afirma que, nessa noite, não foi profissional. Mas é certo que a WWE raramente menciona este combate, preferindo fingir que o mesmo nunca aconteceu.
3.
“Sunny Days” – No episódio do Raw a 19 de Maio de 1997, Shawn Michaels e Bret Hart iam fazer umas promos onde se insultariam mutuamente para aumentar a rivalidade entre os dois, antes do combate no King of the Ring. Shawn ficara bêbedo ainda antes do Raw começar e acabou por fazer um comentário infeliz.
Quando Hart estava no ringue, Shawn apareceu no ecrã gigante e disse que, ultimamente, Hart andava a ter uns “sunny days”, sugerindo que este andava a dormir com Sunny, a principal estrela feminina na WWE na altura. Convém referir que, na altura, Hart era casado e tinha quatro filhos.
Como seria de esperar, “The Hitman” não gostou deste comentário e, no dia 8 de junho, os dois envolveram-se numa luta, que terminou quando Pat Patterson e Jerry Lawler viram Bret a puxar os cabelos de Shawn.
Aparentemente, na mesma noite, Vince disse a Bret que aquele confronto já era inevitável, e que este deveria ter lidado com Shawn da melhor maneira. Após dar a noite de folga a Bret, Vince promoveu, em directo, detalhes sobre a luta entre os dois, para os fãs que quisessem pagar uma chamada telefónica.
2.
Recusar perder títulos – É sabida a história de Michaels ameaçar não perder para “Stone Cold” Steve Austina na Wrestlemania 14, como estava planeado, sendo necessário uma ameaça de Undertaker para garantir que o combate decorreria normalmente.
No entanto, são menos conhecidas as histórias em que Michaels, para não perder de forma justa, no meio do ringue, simplesmente abdicou do seu título.
No mês de Outubro de 1995, Michaels abdicou do Intercontinental Campionship após um desentendimento com membros dos Marines americanos. Foi até ao ringue, ofereceu o título a Dean Douglas, e este perdeu-o logo a seguir para outro membro do The Kliq, Razor Ramon.
Já no ano anterior, Michaels conquistara os WWE Tag Team Championships com Kevin Nash. Os dois foram campeões durante 87 dias, não tendo defendido os títulos uma única vez, e após esse período, simplesmente abdicaram dos mesmos.
Tratam-se de duas situações onde o ego de Michaels foi superior a tudo e todos, o que não beneficiou ninguém a não ser ele próprio e os seus “amigos”.
1.
Arruinar o “main-event” da Wrestlemania – Na Wrestlemania 12, Bret Hart e Shawn Michaels protagonizaram um combate clássico – um Iron Man Match de 60 minutos que culminou com a primeira conquista do WWE Championship por parte do “Showstopper”.
Ora, segundo os planos originais, os dois teriam uma desforra na Wrestlemani 13, onde, dessa vez, seria Bret o vencedor. Mas Shawn tinha outra coisa em mente.
Em vez de perder o combate e fazer o que seria melhor para a empresa, Michaels alegou ter sofrido uma lesão grave no joelho, “perdeu” o seu sorriso e por isso teria de abdicar imediatamente do WWE Championship.
A verdade é que practicamente todos concordam que Michaels fingiu estar lesionado para não perder para Bret Hart, o que é um dos actos mais desrespeitáveis da história do wrestling. Mas, tendo em conta a pessoa em questão, esse acto não se torna surpreendente, mas sim expectável.
Artigo revisto por Joana Mendes












