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Há cerca de ano e meio, em conversa com o Mário Cagica, calhou falarmos sobre CM01/02, ou Championship Manager 01-02, em Tó Madeira, e em fazer algo sobre o mesmo aqui no Bola na Rede.
Na altura, seguia o trabalho que o Ian Macintosh fazia (e faz) no Set Pieces, e onde começou um projeto no Everton FC na tentativa de o levar à glória em Terras de Sua Majestade.
LÊ MAIS: Os 11 magníficos do CM 01-02
Daí, surgiu um artigo sobre um onze composto pelas grandes pérolas do jogo, onde Portugal estava em destaque, com alguns jogadores nacionais a serem vistos como verdadeiros “Deuses” do simulador. Hugo Pinheiro, os “manos” Paralta e Tó Madeira são figuras incontornáveis do jogo lançado no primeiro ano do novo milénio e que ainda hoje ecoam no mundo virtual.
O início do projeto no CM0102 foi marcado por altos e baixos, mas a chegada de duas “Superstars” ao José Gomes voltou a colocar as esperanças e as exigências em altas…
LÊ MAIS: CM01/02 | “Make Estrela great again” – Part I
SETEMBRO 2001
Depois da derrota frente ao CFU Lamas, a vida pela Amadora foi uma verdadeira montanha-russa.
Hugo Pinheiro e Tó Madeira já têm o nome impresso nos cacifos e os adeptos já esgotaram os bilhetes para o próximo jogo em casa, frente ao Moreirense FC.
E os tricolores em campo recompensam a fé dos adeptos. Num jogo intenso, Tó Madeira começa a sua estória na Amadora com um bis, Antchouet volta a marcar e Hugo Pinheiro, apesar dos três golos sofridos, faz um brilharete na baliza.
All is good e a vida corre bem…

Next stop, cidade dos estudantes!
Num jogo entre os dois maiores favoritos à subida, entro no balneário para a conversa pré-jogo e digo que uma vitória no Municipal de Coimbra é uma afirmação de força. Os jogadores parecem confiantes e, em campo, um golo madrugador confirma isso mesmo. Semedo, logo aos sete minutos, marca o golo que nos faz sonhar.
Porém, a equipa acomoda-se e a minha conversa ao intervalo parece ter piorado as coisas. Tentei motivá-los a mais, a procurar mostrar que são melhores, mas a verdade é que nem um minuto depois do início, ainda eu mascava a minha Super Gorila, e já a Briosa empatava o jogo.
Aos 48′, 2-1 para a equipa da casa e as camisolas vermelhas, brancas e verdes pareciam vazias. Nem a temperatura quente me dava conforto e, já depois do apito final, os vestiários eram um gelo silencioso que em tudo contrastava com os cânticos que se ouviam para lá daquela porta.
Na viagem, e depois de dar por mim, de novo, em plena A1, a pensar na vida, cheguei à conclusão de que nem na despedida aprendi a gostar da cidade de Coimbra.

Segunda-feira é dia de folga num mundo onde se vivia em pleno ataque terrorista ao World Trade Center. Na terça-feira, no campo de treinos, digo aos jogadores que cair com estrondo só pode ser uma boa lição para subir e mostrar o que queremos realmente ser.
Os jogadores reagem de forma positiva à mensagem e, nos treinos, Tó Madeira e Antchouet parecem saídos do videoclip de Paul McCartney e Stevie Wonder.
Domingo, novo jogo no José Gomes e nova pequena enchente nos cafés e no bingo da Amadora.
Entre os adeptos, muitos acreditam na equipa, mas há uma minoria que mostra que o jogo do passado fim-de-semana não foi esquecido.
Contudo, a memória da segunda parte de Coimbra depressa sai da mente tricolor e ao ritmo dos golos. No final da partida, 5-2 para o Estrela e Tó Madeira com o seu primeiro hat-trick.

A 25, assino contrato com Adilson, o “tal” central expulso em Lamas. Preciso de renovar a defesa e sinto que estou a sofrer demasiados golos.
O último jogo de setembro é na Madeira e, durante o voo para o Funchal, vou a pensar que algo tem de mudar. Temos três vitórias em casa e duas derrotas fora; está na altura de vencer fora e na sempre difícil Choupana.
Antes do jogo, cruzo-me com Pedro Proença no acesso aos balneários e brinco com as derrotas forasteiras, afirmando que um “nevoeirozinho vinha mesmo a calhar”.
O jogo acabou por ser de sentido único e a favor do Estrela! Antchouet pareceu não querer ficar atrás do colega de ataque e imitou o feito de Tó Madeira, marcando também três golos.
Já o matador Madeira fez mais uma vez o gosto ao pé e parece que temos um “show-off” entre os dois avançados do plantel. Quem nem foi convocado foi o madeirense Cristiano, mas a estreia estava para breve.

No final do mês, tenho mais um pequeno mimo: o fantastic duo ocupa o primeiro e o terceiro lugar do pódio de melhores jogadores, com João Paiva, o meu suplente das assistências a aparecer também na lista. No mesmo dia, o SC Campomaiorense agenda a transferência de Pavlin, menos um extra-comunitário no plantel e espaço para chegar Milevskiy.
OUTUBRO 2001
Terça feira, dia 2 de outubro. Mais uma viagem pela A1, mas desta vez mais sossegada. Na chegada ao Municipal de Pombal, tudo tranquilo, sem a azáfama de um jogo de Taça.
Os jogadores, que sabiam desde de manhã qual seria o meu onze inicial, mostram serenidade e um golo madrugador de João Paiva ajuda à descontracção.
Ainda antes do final da primeira parte, Odé faz o segundo e a etapa complementar é uma formalidade com vários remates à baliza de João Pedro.

Fonte: Bola na Rede
No regresso ao campeonato, viajo até Ovar para visitar a AD Ovarense. Já durante o aquecimento oiço alguém nas minhas costas a dizer que hoje “não entra um” e que o Estrela não merece subir. Ao olhar para trás, vejo o meu antigo guarda-redes, Luís Vasco, que sorri e, de forma irónica, solta um “gosto em vê-lo”, retribuo de forma seca e saio do local.
O jogo começa e, logo no terceiro minuto, festejo o primeiro. Centro de Tiago Lemos e cabeceamento de Marajó para defesa de… Luís Vasco, mas na recarga o trinco Odé marca o golo que me faz encher o peito.
Contudo, o golo madrugador ainda acicatou mais o experiente guardião, que partiu para uma exibição de encher o olho. No total foram catorze remates à baliza, sem que tenha havido mais nenhum golo.

No final, e apesar da vitória, soltei um parabéns a Luís Vasco e dirigi-me para o balneário, já a pensar no sorteio da Taça de Portugal no dia seguinte.
Sabem quando pensam que o pior que podia acontecer era calhar-nos um grande logo no início da campanha, quando a equipa ainda se está a conhecer e entrosar?
Pois bem, f*ck my life…

Saio do escritório e vou orientar o treino, sem nunca esconder a insatisfação. O treino acaba por não ser produtivo e, honestamente, não consigo pensar no próximo adversário, o FC Marco.
Texto revisto por: Mariana Coelho
Foto de Capa: Bola na Rede









