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Inter Movistar FS: Querido, Fiquei Sem Equipa

João Pedro Barbosa · 4 min

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Já estamos habituados a ver nos canais portugueses programas relacionados com construção, remodelação e decoração de casas. É um facto. Porém, este processo acontece de algo sensivelmente mau para algo excelente e de sonho. Este caso é totalmente o contrário. Sejam bem-vindos ao Querido, Fiquei Sem Equipa.

Confesso que não sou um mestre em construção ou de bricolage. Contudo, deram-me esta oportunidade irrecusável de dirigir este episódio e como estou dentro do assunto decidi aceitar. A equipa de hoje está situada em Alcalá de Henares, Madrid, e estamos prontos para refazer esta formação, mas para pior.

Com uma história incrível e que poucos clubes têm por toda a Europa, o Inter Movistar FS tem um palmarés de 48 títulos nacionais e internacionais – onde muitos deles foram conquistadas nas últimas épocas. Os pilares fundamentais desta estrutura tinham sido vários ao longo dos anos, mas podemos destacar alguns: Carlos Ortiz, Ricardinho, Jesus Herrero, Cardinal, entre tantos outros. E já sabemos que quando não há esses pilares? Sim, a casa desaba.

Pois, estamos aqui porque 2020 está a ser fruto de um sonho inimaginável até mesmo para uma criança com uma imaginação tão fértil. Sabemos que o Mundo foi afetado pela pandemia de COVID-19 e o setor “imobiliário” desportivo claramente foi afetado. Mas na casa que hoje apresentamos o abalo foi muito antes com o caso de Gadeia, que rescindiu contrato e assinou pelo AFC Kairat e em 2021 assinará pelo FC Barcelona, e este abriu talvez a pior Pandora’s Box para a formação madrilena.

Em janeiro, Ricardinho – a figura mais importante nos últimos sete anos no Inter Movistar FS – decidiu sair do clube para se mudar para a vizinha França e para o ACCS Futsal. Como se não bastasse, com o português foram também Carlos Ortiz, capitão e jogador do clube desde 2008/09, e Humberto. Achas que as saídas ficavam por aqui? Não. Saíram ainda Bebé (Jimbee Cartagena), Elisandro (Real San Giussepe) e Marlon (Palma Futsal). Digamos que o nosso trabalho a partir deste momento ficou muito mais facilitado.

Ah, e não nos podemos esquecer que com o Caso Ricardinho/José María García já tinha deixado esta casa perto de ter curto circuito – onde os jogadores não acharam correto deixar o número dez de fora – e, por isso, podia ter encontrado uma casa em chamas e então aí concluiríamos o nosso trabalho a 100%. Contudo ainda não aconteceu, deste modo, continuaremos a trabalhar.

Como deu para perceber, houve jogadores a irem para clubes rivais em Espanha como Bebé, Marlon e Gadeia (se bem que será só em 2021) e que conhecem bem as debilidades desta casa, mas nada temam. Pois, o trabalho (de piorar a casa) foi bem feito. Cecílio (ex-UD Levante), Eric Martel, Dani Saldise (ex-Osasuna Magna), Lucas Tripodi (Ribera Navarra) e Boyis (ex-FC Barcelona) vieram para reforçar a equipa, e apesar de terem números interessantes estão longe de serem “massa” para tapar os buracos de algumas saídas ou preparados para serem alicerces nesta casa. É a realidade.

Dani Saldise terá a difícil herança do número “dez” de Ricardinho

Com a pandemia, à priori sabíamos que não íamos ter um grande orçamento, mas também para quê? O Inter Movistar FS, atual campeão espanhol, tem de definir bem a sua política de construção ou então em que pilares se vai apoiar, pois só tem uns três ou quatro e sabemos que não é o suficiente se se quer lutar por todas as frentes. Sem esquecer que os rivais, principalmente o Barcelona, continuam a surpreender com as suas contratações.

A aposta na formação será, provavelmente, o grande trunfo da grande maioria dos clubes por essa Europa fora e o Inter Movistar não será diferente. É verdade que Pola, Pito, Borja Torres e Jesús Herrero vão continuar no clube (pelo menos, ainda não há confirmação do contrário), contudo, é pouco para um clube que vai ambicionar por tanto na próxima época. Por isso, se a situação não se reverter e os madrilenos não se reforcem bem teremos um cenário totalmente catastrófico. Usando a analogia ao longo do texto, a casa irá facilmente desabar e não será só por uma época, mas por várias.

Sempre quis fazer isto… vamos olhar para o Antes e para o Depois. Antes: temos um clube bem financeiramente, cheio de títulos nacionais e europeus, com um plantel de luxo e com pilares bem sustentados e um ambiente incrível. E agora esta é a nova casa: jogadores certamente com medo que aconteça novo incidente como o de Ricardinho; sinceramente um plantel pouco virado para os títulos; uma herança pesada difícil de dar continuidade e um ambiente financeiro e de balneário completamente horrível.

E é assim que chegámos ao fim do episódio de Querido, Fiquei Sem Equipa e deixámos, sem dúvida, uma casa da pior forma.

Foto de Capa: Inter Movistar FS

João Pedro Barbosa

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