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Um mágico dentro e fora das quadras | Futsal

Diogo Rodrigues · 5 min

Futsal
Foto: Inter Movistar

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Um dos maiores vultos do Futsal a nível mundial é Português, conta neste momento com 36 anos e ainda dá cartas na modalidade, como podemos constatar no presente campeonato do Mundo a decorrer na Lituânia. Este foi o ponto de partida para o meu artigo desta semana.

A “FINTAR” DESDE CEDO

Ricardo Filipe da Silva Duarte Braga nasceu e cresceu no bairro de Timor, na freguesia de Valbom no concelho de Gondomar. Inserido num contexto familiar complicado, dado que os seus passavam muitas dificuldades chegando mesmo a ter faltado comida no seu lar, acaba por nascer no dia três de setembro de 1985.

Com a droga e o crime à porta de casa, o jovem soube sempre afastar-se dessas más influências, acabando por ser arrebatado pelo futebol. Inicialmente praticava-o na rua e mais tarde no estádio Municipal de Valbom.

Aos treze anos, após participar no torneio 25 de abril em Fânzeres, também pertencente ao concelho capital da filigrana é aí descoberto por António Frasco, à data técnico de formação no FC Porto.

A temporada seguinte iniciou e o jovem decidido a aceitar a proposta do ex- futebolista, vai treinar à experiência ao clube do dragão, momento esse que ficaria para sempre recordado pelos piores motivos pois aquando da chegada para prestar provas é-lhe comunicado que Ricardo não possuía altura suficiente para praticar o desporto rei, refira-se que o “astro”  mede 1.65m. Destroçado com a situação, cumpre uma espécie de luto permanecendo mais de um ano sem dar um pontapé na bola.

CAROLINA SILVA, A RESPONSÁVEL PELA MUDANÇA PARA O FUTSAL

Com 17 anos e durante uma brincadeira com os amigos na zona onde vivia jogando o então denominado Futebol de Salão, chama à atenção da técnica Carolina Silva, sendo convidado por esta a ingressar no Gramidense FC, clube da sua cidade. Aí começa neste desporto, impressionando de tal forma que na época seguinte e apenas com 18 anos logra dar o salto para o FC Miramar, clube de Vila Nova de Gaia  que à data militava no escalão máximo da modalidade.

A AFIRMAÇÃO E A IDA PARA UM GRANDE

Em 2002/03, sagra-se o atleta revelação da I Liga Nacional de Futsal, sendo seguidamente contratado pelo SL Benfica. Aí vence tudo o que havia para vencer: três Campeonatos, três Taças de Portugal e duas Super Taças, cimentando o clube da Luz, que ainda se estava a afirmar no desporto a nível  nacional, como o maior rival do Sporting CP que já havia aberto a secção da modalidade  cinco anos antes.

O PRIMEIRO TÍTULO EUROPEU

Corria a temporada 2009/10 e depois de duas tentativas goradas, a turma benfiquista consegue conquistar a UEFA Futsal Cup em pleno Pavilhão Atlântico, agora designada por Liga dos Campeões. A formação tinha atletas renomados como: Arnaldo Pereira, César Paulo, Joel Queirós  e claro Ricardinho. O “Mágico” foi mesmo decisivo na meia-final ao ter anotado quatro tentos diante do Pescara Calcio de Itália. A conquista inédita para o desporto em terras lusas é obtida sob a orientação do portuense e ex-atleta do clube André Lima.

Já no derradeiro duelo, embora não tenha balançado as redes do Interviú Madrid, foi preponderante na vitória dos nacionais , por três bolas a duas.

A AVENTURA NO PAÍS DO SOL NASCENTE

No começo da temporada seguinte, transfere-se para os japoneses do Nagoya Oceans, pondo fim a uma ligação ao clube da águia que teve uma duração de sete temporadas sempre recheadas de êxitos.

Na turma asiática começa por, de entrada, conquistar a Taça diante do Osaka FC por quatro golos sem resposta, com Ricardo a bisar logo de estreia.

Ao longo do ano  protagonizou comos seus pares um verdadeiro passeio, conquistando o tetra para o Nagoya sem derrotas e com o desidrato a ser obtido com cinco rondas ainda para o fim.

Esta foi a temporada em que o “astro” foi eleito como o melhor praticante a atuar na competição nipónica, mas mais do que isso, sagra-se pela primeira vez num prémio atribuído pelo site Futsal Planet como o melhor do mundo. Distinção que voltaria a repetir entre 12/13  e 16/17. O único título, até ao momento, a nível de seleções dá-se em 2018 na Eslovénia ao derrotar na final do Europeu a “todo poderosa” e híper-favorita Espanha ,onde marcou o primeiro golo do duelo.

A PASSAGEM DISCRETA PELA RÚSSIA E OS REGRESSOS AO BENFICA E AO NAGOYA

Na temporada 11/ 12 é contratado pelo CSKA Moscovo da Rússia, mas a expedição do nortenho em terras soviéticas duraria apenas dois curtos meses, com o clube de leste a aceder ao seu pedido  emprestando-o ao SL Benfica.

De volta aos da segunda circular, conquista novamente a Taça de Portugal frente ao Módicos de Sandim, com o campeonato a ser renhido até à “negra”, quinto desafio diante do Sporting CP com recurso às grandes penalidades. Adquirindo, respetivamente a quarta taça de Portugal e o quinto campeonato nacional, para o seu já extenso currículo.

Findada a cedência, desvincula-se em definitivo dos russos, retornando ao Nagoya Oceans e aí conquista a F League, a competição mais importante daquele território, despedindo-se em grande da turma nipónica.

O INTER MOVISTAR E AINDA MAIS CONQUISTAS

No Inter Movistar, conquistou por cinco vezes o Campeonato Espanhol, duas vezes a Super Taça e ainda  mais quatro Taças do país .

Em 2018 é nomeado Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Escreveu dois livros: “A magia acontece onde há dedicação” em 2018 e  “Ricardinho, a magia nos pés” em 2007.

Foi agraciado em 2019 ao ver o seu nome inscrito no pavilhão de desportos da sua terra natal. Atualmente e apesar da sua veterania tem sido uma das principais figuras na caminhada lusa naquele que será o seu  último grande certame da carreira. A patentear  nível muito elevado em termos exibicionais, é um dos que pode fazer com que almejemos à conquista do caneco, numa altura em que estamos prestes a disputar os 1/8 de final do torneio.

Quanto ao seu futuro muito se especula, mas a verdade é que até ao momento o “astro” ainda representa o emblema gaulês do ACCS Paris Asnieres, formação que defende desde julho último.

Muito mais havia para dizer acerca desta figura que representa um exemplo de resiliência dentro e fora dos pavilhões.

Foto de Capa: Inter Movistar

Diogo Rodrigues

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