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Em Tóquio, irão estar mais cinco modalidades do que no Rio de Janeiro em 2016: Basebol/Softbol, Escalada, Surf, Karate e Skate. No entanto, deverão estar presentes menos atletas do que nos Jogos do Rio. Dentro das modalidades já existentes, vão surgir novos eventos em algumas, dos quais destaco estes: Basquetebol – 3×3 (feminino e masculino); Judo – competição de equipas mistas; Ténis de mesa – pares mistos e Triatlo – estafeta de equipas mistas – prova em que o SL Benfica se sagrou recentemente campeão europeu por clubes. Serão eventos em que Portugal poderá almejar bons resultados, mas a três anos de distância não se pode prometer nada, uma vez que tudo pode acontecer até lá.
Portugal vive dias de glória a vários níveis no desporto. Provavelmente, nunca tivemos tantos atletas em tantas modalidades distintas a ter bons resultados, mas cada vez me convenço mais que estes resultados aparecem mais pelas qualidades individuais dos atletas/treinadores do que por um trabalho de base feito. Não existe um fio condutor a seguir. Vão sendo construídas umas coisas, atirando-se uns trocos e finge-se que está tudo bem, quando na realidade não está.
Daqui a três anos, muitos comentadores, jornalistas, políticos e adeptos vão estar indignados porque o atleta X não chegou à medalha em Tóquio, mas a última vez que soube alguma coisa deste atleta foi no seu dia de competição no Rio de Janeiro. Serão quatro anos de nada e que não serão valorizados, mesmo que seja por apenas uma milésima que o atleta não chega à medalha ou à vitória.

Fonte: Emanuel Silva
Emanuel Silva, canoísta que venceu uma medalha de prata em Londes’2012, relatou muito recentemente um episódio no mínimo caricato. O canoísta chegou para treinar ao CAR (Centro de Alto Rendimento) de Montemor-o-Velho e este estava fechado… Como é que é possível uma infraestrutura destas estar fechada? Como é que se pode pedir resultados se não há condições para trabalhar?
Hoje em dia, Sporting CP e SL Benfica têm apostado forte em vários atletas e em várias modalidades olímpicas. A guerra é má, mas traz desenvolvimentos, costuma dizer-se por aí: este é um bom exemplo disso. Com ambos os clubes em guerra aberta pelo estatuto de maior potência desportiva, o dinheiro gasto nas várias modalidades tem subido. É certo que não pode ser só atirar dinheiro, mas dar possibilidades aos atletas para se tornarem profissionais já é uma boa melhoria. Podia, e devia, fazer-se melhor, mas já é um princípio.
Eu penso que o comum português começa, finalmente, a prestar mais atenção ao desporto em geral, mas é preciso fazer muito mais e muito melhor. É preciso ‘atacar’ as crianças desde o início da sua formação escolar. E é preciso fazer isto seja com o desporto, seja com as artes, seja com o que for. As crianças precisam de experimentar para gostarem e acompanharem, seja o que for. É preciso despertar para o desporto, e mais importante, é preciso criar uma verdadeira cultura desportiva.

No final do Rio’2016, escrevi este artigo em que dei exemplos de várias coisas que podiam ser feitas para ajudar na criação desta cultura desportiva. Praticamente um ano depois, nada, ou quase nada, foi feito. Para termos resultados em Tóquio já vamos um pouco atrasados, mas em 2024 temos mais competições, e é nestas que já devíamos estar a começar a pensar. É preciso um planeamento sério e a médio/longo prazo, pensar para o imediato não vai trazer resultados.
Já faltam menos de três anos para Tóquio receber os Jogos. Por cá, pouco se fez até agora para preparar os atletas para esta prova. Continua o trabalho quase isolado de alguns clubes, treinadores e atletas. Em 2020, não existiram muitas mudanças em relação a 2016 ou 2012, ganhar uma medalha será positivo, mas queremos todos mais, temos é de começar todos a trabalhar para isto, porque no anonimato e sem ajuda ninguém ganha.
Foto de Capa: Tóquio 2020
Artigo revisto por: Francisca Carvalho













