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Portugal 2-0 Argentina: A força da meia distância

Diogo Janeiro Oliveira · 4 min

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Cabeçalho Seleção Nacional

A FIGURA

Fonte: Seleções de Portugal
Fonte: Seleções de Portugal

Gonçalo Paciência – O golo que marcou foi o corolário de uma exibição com muito sacrifício e esforço do avançado português. Lutou com os centrais, derivou para os flancos para abrir espaços a outros colegas na frente e segurou a bola em momentos onde a equipa estava mais aflita na defesa. Aos 66 minutos, inspirou-se e disparou de pé esquerdo, de fora da área, para as redes de Rulli. Excelente prestação do 9 português, que vai procurar na próxima época ter mais sucesso do que o obtido na época transata, ao serviço da Académica.

O FORA DE JOGO

Fonte: FIFA
Fonte: FIFA

O frango de Rulli – Num jogo onde não houve ninguém que merecesse um particular destaque negativo, penso que esta distinção encaixa perfeitamente no lance onde o guarda redes argentino “deu” um frango monstruoso. Apesar de ter feito uma boa exibição, a noite de Rulli fica marcada por este erro crasso. Numa altura que os sul-americanos ainda procuravam chegar ao empate, já na parte final do encontro, o guarda-redes da Real Sociedad não agarrou um remate de Pité, disparado de muito longe. Além de ter sido o golo que matou as esperanças da equipa das pampas, a forma como a bola entrou na baliza foi humilhante para o promissor guardião argentino.

PORTUGAL

Fonte: Seleções de Portugal
Fonte: Seleções de Portugal

A seleção orientada por Rui Jorge entrou em campo com Gonçalo Paciência e Salvador Agra na frente de ataque, a jogar de forma muito móvel. Esta nuance do nosso esquema tático foi uma das chaves que permitiram criar perigo no setor defensivo argentino e vencer o encontro. Bruno Fernandes era o “joker” que tentava aproveitar esses movimentos diagonais dos homens mais adiantados para tentar finalizar, mas foi sempre infeliz perante Rulli. O meio-campo nacional esteve sempre em jogo de forma consistente, com Tomás Podstawski a ser um bom “tampão” à frente dos centrais. André Martins e Sérgio Oliveira também estiveram em bom plano, apesar de poderem ter um melhor contributo nos próximos encontros.

A nível defensivo, Edgar Ié foi o jogador mais esclarecido. Ricardo Esgaio teve problemas perante José Luís Gómez, um dos melhores argentinos, enquanto Tobias voltou a ter alguns momentos de excessiva virilidade e desconcentração, que podiam ter saído caro à nossa equipa. Apesar de tudo, merecem nota positiva, tal como Fernando Fonseca, que ganhou mais duelos do que os que perdeu, tendo feito uma boa exibição. Na baliza, Bruno Varela esteve muito seguro. Dos que entraram: destaque para Tiago Ilori, que teve dois cortes decisivos, e Pité, que marcou na primeira vez que representou o nosso país em toda a sua carreira.

Portugal apresentou-se bem, no cômputo geral, com clara noção daquilo que tinha de fazer em campo na maior parte do tempo. Mérito, muito mérito, para Rui Jorge, que, apesar dos muitos contratempos, conseguiu construir uma equipa bem competitiva e que ainda nos pode vir a dar alegrias neste mês de agosto. Nota ainda para o facto de ambos os golos terem nascido de remates de fora da área, seguindo o exemplo do “mestre” Éder em Paris.

Classificação dos jogadores:

Bruno Varela – 7

Fernando Fonseca – 7

Edgar Ié – 8

Tobias Figueiredo – 6

Ricardo Esgaio – 6

Tomás Podstawski – 7

André Martins – 7

Sérgio Oliveira – 6

Bruno Fernandes – 7

Salvador Agra – 8

Gonçalo Paciência – 8

Pité – 7

Tiago Silva – 6

Tiago Ilori – 7

ARGENTINA

Fonte: Seleções de Portugal
Fonte: Seleções de Portugal

Os sul-americanos tinham na baliza, com Rulli, e no ataque, com Correa e Calleri, as suas principais figuras. Eram tidos como favoritos frente à nossa seleção; contudo, o decorrer do jogo provou que não seria bem assim. Só no final da primeira parte e no início da segunda é que os argentinos foram superiores, mas nunca deslumbraram nem foram sufocantes no seu domínio. A melhor oportunidade de golo aconteceu no início da segunda parte, com Calleri a acertar na trave.

José Luís Gómez foi o grande animador dos alvicelestes enquanto jogou no meio campo, tendo dinamizado o flanco direito e feito a cabeça em água ao capitão português, Esgaio. Contudo, foi curto. Espinoza raramente foi visto em campo, e notou-se alguma distância excessiva entre os setores, ponto onde Portugal foi bem melhor. Além disso, parece faltar uma voz de comando, dentro de campo, a esta seleção. Ascacíbar remeteu-se de forma quase exclusiva a tarefas defensivas e Maurício Martínez esteve desinspirado. Na defesa, foi mais notório o nervosismo do que a solidez. Os centrais Cuesta e Gianetti não impuseram o respeito necessário, e os laterais Magallán e Soto nunca apoiaram o ataque, tendo tido também problemas defensivos.

Em suma, Rui Jorge fez com os jogadores portugueses aquilo que Julio Olarticoechea não conseguiu fazer: construiu uma equipa com tarefas bem definidas para chegar ao objetivo da vitória. Rui Jorge continua a “descobrir” pérolas dentro do futebol português, deixando esperanças de que Portugal faça um percurso bonito e meritório nestes Jogos Olímpicos.

Classificação dos jogadores:

Gerónimo Rulli – 6

Lisandro Magallán – 6

Victor Cuesta – 6

Lautaro Gianetti – 6

Alexis Soto – 5

Santiago Ascacíbar – 6

Mauricio Martínez – 6

José Luís Gómez – 7

Cristian Espinoza – 5

Ángel Correa – 6

Jonathan Calleri – 6

Cristian Pavón – 5

Giovani Lo Celso – 5

Giovanni Simeone – 5

Diogo Janeiro Oliveira

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