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Sermão da Sta.º Modalidades aos Peixes

João Pedro Barbosa · 4 min

Foto: COP

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No outro dia, vi nas redes sociais algo com o qual me identifiquei. Muito resumidamente, os Jogos Olímpicos estão cada vez mais próximos e os portugueses vão exigir medalhas aos atletas do seu país. Como há uma grande possibilidade de os atletas olímpicos não trazerem nenhuma (ou poucas) medalhas, o cidadão normal acabará por ficar “chateado” com as prestações dos atletas. Por fim o último ponto era que este acontecimento desportivo (um dos maiores a nível global) iria ser falado por poucos meses e desapareceria muito rapidamente, voltando à típica luta do futebol.

E quem fala dos Jogos Olímpicos fala também dos Paralímpicos… Mediatismo? Zero. Se conhecemos quem são os atletas que participaram ou participam? Provavelmente, nem 5% dos portugueses devem saber um atleta (e este dado estatístico até deve ser bastante otimista). São atletas como todos os outros e merecem o devido destaque tanto quando participam, como quando vencem alguma medalha.

Por isso, como, infelizmente, poucos percebem aquilo que os atletas olímpicos e paralímpicos passam ao longo da sua carreira e até mesmo para chegar a uma competição como é os Jogos Olímpicos ou os Jogos Paralímpicos, decidi “pregar” aos peixes (para todos os incompreendidos), se bem que até nem esses (os peixes mesmo) possivelmente devem compreender, mas tentaremos…

«Vós sois aquilo que não queremos no desporto nacional.

Não vou louvar nenhum peixe e iremos logo ao cerne da questão, ou seja, nem iremos ter peixes em específico para repreender… pois este problema é da grande maioria de vós, ó peixes (portugueses).

Vós, peixes, sabeis o quão duro é ser um atleta olímpico? A dificuldade que é treinar em silêncio e só ter mediatismo quando chegam a este tipo de competições? E, devido à grande competição existente, acabam, inevitavelmente, por falhar os seus objetivos… Depois quando se chega à glória, têm o devido mérito claro, mas por quanto tempo? Poucos meses, pois (e estou a ser otimista). É triste como muitos portugueses já chegaram a medalhas olímpicas e talvez se se perguntar a qualquer português poucos saberão quem foram os atletas. Sabeis quem foram, ó peixes?

Rosa Mota foi a primeira mulher portuguesa a vencer uma medalha de ouro, em Seul (Coreia do Sul), e a segunda medalha de ouro portuguesa nos Jogos Olímpicos
Fonte: COP

Só acho que há que ter mais consideração por estes que lutam diariamente com diversas dificuldades tanto para conciliar os treinos diários como a falta de patrocínios para chegar a competições como são os Jogos Olímpicos. Mas é um sonho.

É um sonho que todos têm em mente. Poderem desfilar em plena apresentação da delegação olímpica portuguesa, poderem equiparem-se com as cores nacionais (as típicas cores verdes e vermelhas), poderem participar nas mais diversas modalidades em que estão inseridos e, quem sabe, chegar ao alto de um pódio, vendo a bandeira de Portugal a erguer-se depois da sua conquista. Seja ela de bronze, prata ou ouro. Mesmo aqueles que ficam à porta do pódio e não chegam às medalhas são enormes. TODOS vós, ó atletas, sois grandes.

Estão anos (sim, ANOS!) de trabalho ali apostados para todos eles… sei que todos queremos que o nome de Portugal esteja alto no quadro das medalhas, mas não é fácil. E ninguém quer mais do que eles, acreditem, ó peixes.

Já alguma vez pensaram no que sente um atleta ao ser eliminado prematuramente depois de tanto trabalho para chegar a um palco como os Jogos Olímpicos? E que tal apoiarmos o seu trabalho e quando não conseguirem o resultado desejado estarmos orgulhosos de chegar a um palco como é este? Pois, vós, peixes, tendes de vos meter no lugar dos outros (pelo menos uma vez na vida…).

Diga-se também aos peixes que, por norma, eles acabam por se esquecer de alguém que também envereda o nome de Portugal por este mundo fora. Esse “alguém” são os atletas do Desporto Paralímpico, que, só nos últimos Jogos Paralímpicos, trouxeram quatro medalhas de bronze para casa. Mas não só. Desde 1984 que os nossos atletas paralímpicos nos trouxeram, no total, 92 medalhas.

Manuel Mendes, na Maratona, foi medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Portugal trouxe quatro medalhas nestes Jogos – todas de bronze
Fonte: CPP

Sabiam que existem mais de vinte modalidades paralímpicas acreditadas para os Jogos Paralímpicos, e que Portugal tem representação na maioria delas? Provavelmente não, porque se já ouviram falar apenas do Boccia como modalidade paralímpica, então foi por um mero acaso.

Por isso, vamos terminar este sermão que já vai bem longo. Não louvaremos a ninguém, tal como fez Padre António Vieira. Mas espero que vós, peixes, tenham ficado com a mente mais aberta no que toca a este assunto que, parecendo que não, é delicado. Não queremos só palavras da boca para fora! Queremos atos concretos de vós, ó peixes. Metei-vos no lugar destes atletas, pensai antes de dizerem algo e espero que quando chegarem estes dois grandes eventos desportivos (Jogos Olímpicos e Paralímpicos) não seja para vos dar, de novo, este sermão, ó peixes.

Basta corrigir aquilo que aqui foi reprimido e valorizar mais todos os atletas que lutam por um só nome: o de PORTUGAL».

Participação especial de Angelina Barreiro 

Foto de Capa: COP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

João Pedro Barbosa

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