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AFC Este: Comprar, manter ou vender stock? | NFL

Jorge Baptista Laires · 11 min

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Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje, estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.

Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency, devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft, darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas, para saberem em quem devem investir o vosso tempo.

Irei: “comprar”, se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se estiver numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter”, se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender”, se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.

Mesmo assim, aconselho a acompanharem todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL é haver motivos para acompanhar quase todos os jogos e haver jogadores espetaculares em todas as equipas.

No artigo de hoje, falaremos da AFC Este, podendo esta ser uma das divisões mais competitivas e interessantes de acompanhar, com uma equipa candidata ao Super Bowl, duas candidatas a alcançar os playoffs e outra onde atuará o segundo quarterback escolhido no Draft.

Foto de capa: Buffalo Bills

NEW ENGLAND PATRIOTS

Depois de anos de glória e de domínio da liga, os comandados do mítico treinador Bill Belichik tiveram uma época bastante desapontante. A saída do quarterback Tom Brady terminou uma parceria de sucesso com Belichik, que durou 20 anos e resultou na conquista de seis troféus do Super Bowl.

O saldo dos Patriots, 7-9, foi negativo, pela primeira vez desde 2000, revelando grande parte da importância de Brady para o sucesso do franchise. Para o lugar do mesmo, chegou Cam Newton, que, embora tenha tido um início bastante positivo, ficou infetado com Covid-19, coincidindo com o início de performances bastante negativas até ao final do ano.

O ataque liderado por Newton desiludiu – principalmente o jogo de passe que teve prestações muitíssimo fracas, sendo os seus wide receivers um dos piores grupos da NFL. Outro fator bastante negativo foi o facto de os Patriots terem sido o clube no qual mais jogadores optaram por não jogar este ano, devido à situação pandémica.

Como destaque positivo, o ataque teve um jogo de corrida bastante eficaz, com grande impacto na maioria das vitórias alcançadas. Também é de realçar o facto de continuar a ser percetível o porquê de Belichik ser considerado um dos melhores treinadores de sempre, acabando a equipa por vencer jogos nos quais os planos estratégicos compensaram a falta de qualidade, como a vitória por 45-0 frente aos Chargers.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

A minha forte crença no treinador Bill Belichik é talvez o principal motivo para ter tomado esta decisão. Após a desilusão que foi a época passada, a opinião geral passou a ser a de que Tom Brady foi o principal responsável pela hegemonia dos Patriots durante os últimos anos, algo que mexeu consideravelmente com o orgulho de Belichik e de toda a organização.

Foi notória a dificuldade dos Patriots em conviver com o fracasso da época passada, causando uma mudança drástica na estratégia de Belichik, que também é o general manager da equipa, tomando decisões muito pouco habituais.

Os Patriots foram a equipa que mais investiu no mercado de free agents, sendo que no seu passado foram dos franchises mais poupados e cautelosos. Jogadores como os tight ends Jonnu Smith e Hunter Henry e o edge rusher Matthew Judon receberam contratos que os colocaram no top dos jogadores mais bem pagos nas suas posições.

Outra decisão única foi a escolha do quarterback Mac Jones na primeira ronda Draft, que este ano terá de competir com Cam Newton pela titularidade.

As muitas contratações fazem com que este plantel seja bastante diferente do anterior, realçando as chegadas dos wide receivers Nelson Agholor e Kendrick Bourne para o ataque, assim como os regressos dos linebackers Kyle Van Noy e Dont’a Hightower, que foram figuras principais na defesa dos Patriots nas conquistas dos úlimos Super Bowls.

Embora a incerteza em redor do quarterback e as muitas mudanças no plantel causem algumas dúvidas, prevejo que os Patriots voltem a lutar pelos playoffs e creio que a sua defesa, comandada por Belichik, voltará a ser das melhores da liga, tal como aconteceu ao longo deste milénio.

NEW YORK JETS

Os últimos anos para os adeptos dos Jets não têm sido nada fáceis, acabando constantemente nos últimos lugares da liga, sendo que a última vez que tiveram uma época com um saldo vencedor foi há cinco anos. Já esta época, embora o balanço tenha sido novamente negativo, as sensações foram bastante diferentes.

Os NY Jets perderam os primeiros 13 jogos do ano, não conseguindo qualquer vitória. Se, por um lado, os adeptos estavam insatisfeitos com uma campanha tão humilhante, por outro, começavam a sonhar com a primeira escolha do Draft, que lhes permitiria escolher o quarterback Trevor Lawrence, considerado um talento geracional, e que poderia mudar o rumo do franchise nos próximos anos.

No entanto, na semana 14, contra todas as expectativas, um dos resultados mais surpreendentes da NFL aconteceu. Os Jets venceram em casa dos Rams, conseguindo o primeiro triunfo da época, causando um misto de emoções na organização e nos adeptos, pois este resultado fez com que deixassem de ser a pior equipa da liga e fez com que perdessem a primeira escolha do Draft.

Conseguiriam alcançar nova vitória, acabando com um saldo de 2-14 e confirmando-se a realidade de que seriam “apenas” a segunda pior equipa da liga.

Num ano tão desapontante, um dos únicos pontos positivos foi o facto de a defesa ter sido uma das melhores contra o jogo de corrida, com destaque para o defensive end Quinnen Wiliams e para o safety Marcus Maye.

DECISÃO: VENDER STOCK

Após um ano tão desastroso, o treinador Adam Gase foi finalmente despedido depois de muita contestação. Para o seu lugar chegou Robert Saleh, ex-coordenador defensivo dos 49ers, que era um dos candidatos mais cobiçados no carrossel de treinadores deste ano. Ele e o general manager Joe Douglas tiveram de fazer uma escolha bastante difícil.

Se a equipa tivesse a primeira escolha do Draft, não haveria dúvidas em escolher Trevor Lawrence. Mas, como tal não aconteceu, instalou-se o dilema sobre se os Jets deveriam escolher aquele que considerassem ser o segundo melhor quarterback disponível ou então dar uma nova oportunidade ao quarterback Sam Darnold, que muitos consideravam que não tinha tido as condições ideias para ser bem sucedido ao longo dos seus três anos na liga.

Depois de muitas dúvidas, a decisão acabou por ser a troca de Darnold para os Panthers e, posteriormente, a escolha do quarterback Zach Wilson com a pick número 2 do Draft, iniciando assim um novo ciclo no franchise. O foco principal foi claramente dar a Wilson todas as condições para singrar no seu primeiro ano, sendo as primeiras escolhas do Draft utilizadas para selecionar jogadores ofensivos.

Com essas escolhas, os Jets reforçaram a proteção de Wilson com o offensive guard Alijah Vera-Tucker, podendo formar uma boa dupla com Mekhi Becton, offensive tackle que demonstrou muita qualidade. Foram também escolhidos o wide receiver Elijah Moore e o running back Michael Carter, que se juntaram ao wide receiver Corey Davis, contratado na free agency.

Consigo ver imenso potencial nos NY Jets, principalmente por ter uma grande confiança na equipa técnica liderada por Robert Saleh. O problema é que ainda existem algumas falhas na equipa e são imensas as dúvidas em redor de Zach Wilson. Creio que estamos a assistir ao início de um novo ciclo, mas, nesta época, é provável que voltem a ser uma das piores equipas da liga.

MIAMI DOLPHINS

A época dos Dolphins foi bastante diferente do que era expectável. A equipa passou por um processo de reconstrução do plantel, tendo por isso épocas com bastantes derrotas. Depois de uma nova época com um saldo negativo, os Dolphins utilizaram a pick número 5 do Draft para escolher o promissor quarterback Tua Tagovailoa.

Mesmo com as elevadas expectativas em redor de Tagovailoa, Ryan Fitzpatrick foi o quarterback titular nos primeiros seis jogos da época, alcançando um saldo de 3-3. A performance de Fitzpatrick foi boa o suficiente para que muitos achassem polémica a decisão do treinador Bryan Flores em dar a titularidade a Tagovailoa, após a folga da equipa na sétima semana.

Embora Tua se tenha estreado com uma vitória frente aos Rams na oitava semana, as exibições do rookie não convenceram. Ao longo das semanas seguintes, o jovem quarterback continuou a demonstrar uma grande irregularidade, fazendo com que o treinador Bryan Flores o substituísse por Fitzpatrick em vários jogos – algo que prejudicou a imagem de Tagovailoa na sua primeira temporada na NFL.

Apesar das constantes mudanças na posição de quarterback, os Dolphins terminaram o ano com um saldo de 10-6, ficando a apenas uma vitória de chegarem aos playoffs. As grandes exibições da defesa foram o fator principal para o sucesso da equipa, com destaque para o cornerback Xavien Howard, que fez uma época com números impressionantes, conseguindo 10 interceções.

DECISÃO: MANTER STOCK

Tenho bastantes expectativas para a época dos Dolphins. No entanto, o facto de ser bastante incerto o nível a que Tagovailoa se apresentará faz com que tenha muitas dúvidas. Outro fator que me retira alguma confiança é o facto de os Dolphins estarem inseridos numa divisão muito competitiva, que poderá ter defesas de alto nível.

Ao contrário de muitos críticos que já consideram que Miami devia avançar para outro quarterback e desistir de Tua, eu considero que este merece uma nova oportunidade. No ano passado, embora tenha demonstrado várias fragilidades, Tagovailoa jogou regressado de uma lesão gravíssima que o deixou parado imenso tempo. Além disso, as condições não eram as ideais, com poucas armas e uma offensive line muito débil.

Este ano, Tua é um dos jogadores sob maior pressão, uma vez que os Dolphins contrataram vários reforços para o ataque, realçando as aquisições dos wide receivers Will Fuller, na free agency, e Jaylen Waddle, no Draft. Estes poderão ser fundamentais para a evolução do jogo de passe longo do havaiano, uma das suas maiores debilidades no ano anterior, onde arriscou muito pouco, adotando uma postura bastante conservadora.

Estes juntam-se ao wide receiver Devonta Parker e ao tight end Mike Gesicki, que têm sido as figuras do ataque nos últimos anos. Já a defesa, muito provavelmente, voltará a ser das mais dominantes, devido à manutenção das figuras principais do ano passado, como Xavien Howard, que voltará a fazer dupla com o cornerback Byron Jones, e o defensive end Emmanuel Ogbah, na pass rush.

Por fim, para além da qualidade de Tua Tagovailoa, será determinante que haja um salto qualitativo na offensive line e no jogo de corrida, pois foram algumas das maiores fraquezas na temporada passada.

É expectável, por isso, que os Miami Dolphins voltem a lutar por um lugar nos playoffs, mas será uma tarefa bastante difícil, uma vez que a conferência está recheada de equipas com grande qualidade.

BUFFALO BILLS

Os Bills foram uma das melhores e mais entusiasmantes equipas da liga, terminando com um saldo de 13-3, tendo sido eliminados pelos Kansas City Chiefs, por 24-38, na AFC Championship, ficando a um jogo do Super Bowl. Mesmo acabando o ano com esta desilusão, esta foi a melhor época dos Bills nos últimos tempos.

A principal figura desta época foi, sem dúvida alguma, o quarterback Josh Allen. Depois de dois anos iniciais, bastante desapontantes, nos quais mostrou potencial, mas foi um dos piores quarterbacks da liga, Allen deu o tão desejado salto de qualidade no seu terceiro ano, sendo um dos melhores da NFL, com uma performance individual espetacular, demonstrando todas as suas qualidades.

Um dos fatores cruciais para este salto de nível foi a chegada do wide receiver Steffon Diggs, vindo numa troca com os Minnesota Vikings. Diggs foi o alvo favorito do seu quarterback, com um rendimento ao nível dos melhores receivers da NFL. Esta dupla tornou o ataque praticamente imparável, apresentando números estratosféricos.

Outro ponto positivo foi a prestação da secondary, na qual o cornerback Tre’Davious White e os safeties Micah Hyde e Jordan Poyer fizeram uma época bastante interessante.

Pela negativa, é de realçar o jogo de corrida bastante inconstante com os running backs Devin Singletary e Zack Moss a serem ineficazes em certos momentos decisivos. A pass rush também não esteve ao nível da restante equipa.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

A pré-época dos Bills foi altamente positiva – não pelas contratações e chegada de reforços, mas sim pelo facto de terem conseguido manter as peças mais importantes. O general manager Brandon Beane e o seu treinador Sean McDermott conseguiram criar as condições ideais para que a equipa possa alcançar os seus objetivos.

Haverá uma grande expectativa para acompanhar com muita atenção a prestação do quarterback Josh Allen. O seu rendimento na terceira época na NFL fez com que estivesse inserido no top 5 de melhores quarterbacks do ano passado, tendo, por isso, de confirmar a sua qualidade e, se tal acontecer, o futuro do franchise estará nas suas mãos.

Tudo indica que o ataque liderado por Allen voltará a ser um dos melhores da liga. Os Bills conseguiram manter todos os elementos da offensive line, algo fundamental para assegurar a sua proteção. O maior foco estará no grupo de wide receivers, que será um dos mais perigosos da NFL. É composto por Steffon Diggs, Cole Beasley, Emmanuel Sanders e Gabriel Davis.

Em relação aos pontos mais negativos do ano passado: por um lado, a dupla de running backs composta por Singletary e Moss voltará a ser aposta, esperando os Bills por um salto qualitativo dos mesmos; por outro lado, na tentativa de melhorar a pass rush, os Bills usaram as suas duas primeiras escolhas do Draft em defensive ends – Gregory Rousseau na primeira ronda e Carlos Basham Jr. na segunda.

Para este ano: tenho imensa confiança nas capacidades dos Buffalo Bills para voltarem a lutar pelo Super Bowl. É claro que tudo dependerá do rendimento e do nível de jogo de Josh Allen, mas, depois do que fez no ano passado, acredito que voltará a estar num patamar de excelência. Assim, creio que Sean McDermott levará a sua equipa a mais uma grande época.

Artigo revisto por Andreia Custódio

Jorge Baptista Laires

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