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Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje, estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.
Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency, devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft, darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas, para saberem em quem devem investir o vosso tempo.
Irei: “comprar”, se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se estiver numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter”, se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender”, se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.
Mesmo assim, aconselho a acompanharem todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL é haver motivos para acompanhar quase todos os jogos e haver jogadores espetaculares em todas as equipas.
No artigo de hoje falaremos da AFC Sul, uma divisão cheia de incógnitas na qual a luta pela vitória está completamente aberta. Como fator extra de interesse, temos a curiosidade em observar a pick número 1 do Draft.
Foto de capa: Jacksonville Jaguars
TENNESSEE TITANS
DERRICK HENRY JUST RAGDOLLED JOSH NORMAN 😳
(via @NFL)pic.twitter.com/OaVuWNiXKi
— Bleacher Report (@BleacherReport) October 14, 2020
Os Titans tiveram novamente uma boa época, alcançando um saldo de 11-5, vencendo a sua divisão. Esta campanha culminou na derrota na Wild Card Round em casa frente aos Baltimore Ravens. Este resultado teve um sabor especialmente amargo uma vez que a rivalidade com os Ravens subiu de tom ao longo da época, havendo um lado emocional na eliminatória.
A grande estrela dos Titans nesta temporada voltou a ser o running back Derrick Henry, que se tornou no oitavo jogador da NFL a ultrapassar as 2000 jardas. Henry foi absolutamente decisivo, assumindo o protagonismo e resolvendo jogos nos quais houve uma grande dependência das suas exibições, destruindo as defesas adversárias.
Para além de Derrick Henry, o ataque foi o principal ponto positivo com várias figuras em destaque. O quarterback Ryan Tannehill voltou a fazer uma época de grande nível, assim como o wide receiver AJ Brown, que foi um dos melhores da liga na sua posição, continuando a demonstrar que é um jovem talento que devemos seguir muito atentamente.
Pela negativa, a defesa comandada pelo treinador Mike Vrabel voltou a ter uma época bastante aquém das expectativas. O pior grupo foi sem dúvida a pass rush, onde os defensive ends Jadeveon Clowney e Vic Beasley que foram os principais reforços, fracassaram completamente, prejudicando imenso a equipa nos momentos decisivos.
DECISÃO: MANTER STOCK
A decisão de “Manter” ao invés de “Vender” deve-se apenas a duas palavras: Julio Jones. A contratação daquele que é um dos melhores wide receivers de sempre, com uma carreira digna do Hall of Fame, faz com que não consiga dizer que a época dos Titans vá ser um fracasso uma vez que muito provavelmente serão um dos melhores ataques da NFL.
Jones, embora tenha falhado sete jogos por lesão, quando jogou, continuou a ser um dos melhores wide receivers da liga. A dupla que este irá criar com AJ Brown será uma das mais temíveis da NFL. Se ambos estiverem ao seu nível, e se Derrick Henry continuar com exibições demolidoras, existe também uma grande probabilidade de Tannehill ter uma época com números incríveis, pois este será um ataque muito difícil de parar.
Previamente à chegada de Julio, a minha opinião era de que os Titans poderiam ter uma época completamente fracassada, já que aquela que é a sua principal força, o ataque, perdeu várias peças-chave, como o coordenador ofensivo Arthur Smith, agora treinador dos Falcons, e também o wide receiver Corey Davis e o tight end Jonnu Smith, que foram jogadores com grande rendimento no ano passado.
No entanto, continuo a ter imensas dúvidas. A defesa terá de ter uma evolução bastante significativa para que os Titans possam ter grandes aspirações. Para que tal aconteça, Vrabel voltou a realizar um grande investimento em reforços, sendo os principais o edge rusher Bud Dupree, chegado na free agency, e o cornerback Caleb Farley, escolhido na primeira ronda do Draft.
Se ao contrário do ano passado, os reforços para a defesa resultarem, subindo o rendimento da mesma, e se Julio Jones se mantiver saudável, Tennessee será uma equipa a ter em conta, podendo lutar pela vitória na divisão e alcançar novamente os playoffs.
HOUSTON TEXANS
JJ Watt shared a heartfelt goodbye to Houston. pic.twitter.com/ft5pYGnT5u
— TSN (@TSN_Sports) February 12, 2021
Após terem alcançado os playoffs em 2019, nada faria prever o declínio que se seguiria. A época dos Texans teve um início completamente terrível, perdendo os primeiros cinco jogos. O calendário foi muito cruel, com a sequência inicial de jogos a colocar algumas das melhores equipas da NFL no seu caminho, como os Chiefs e os Ravens.
Como consequência deste início, Bill O’Brien, que tinha as funções de treinador e general manager, foi despedido. Este era odiado pelos adeptos, que consideravam que o seu ego estava a destruir o clube, dando o exemplo da saída do wide receiver DeAndre Hopkins, que estava em conflito com O’Brien, depois de um ano incrível, como uma de muitas decisões polémicas.
Houston terminou o ano com um saldo de 4-12, sendo o terceiro pior franchise da liga. O único motivo de esperança ao longo do ano, foram as exibições do quarterback Deshaun Watson, que se apresentou a um nível altíssimo, com performances espetaculares, inserindo-se no grupo de jogadores mais talentosos da sua posição.
Apesar do grande ano da sua principal estrela, as exibições da defesa foram bastante medíocres, fazendo com que os esforços do ataque fossem inúteis. A unidade defensiva dos Texans foi uma das mais fracas da NFL, com um dos poucos destaques positivos a ser o defensive end JJ Watt, e mesmo ele teve um dos anos mais fracos da sua carreira.
DECISÃO: VENDER STOCK (E MUITO)
Os Houston Texans estão a passar um dos períodos mais negros da sua história, enfrentando uma situação completamente caótica.
Depois da péssima época passada, os Texans atingiram níveis ainda mais elevados de instabilidade. A contratação do novo general manager Nick Caserio, provocou uma rotura na relação com Deshaun Watson pois havia-lhe sido prometido que teria influência na escolha do novo general manager, algo que não sucedeu. Assim, Watson exigiu sair, mesmo depois de ter renovado contrato no ano anterior.
Quando se pensava que nada pior poderia acontecer, eis que que todo o desporto foi apanhado de surpresa. O quarterback Deshaun Watson foi alvo de um megaprocesso judicial, sendo acusado de 22 crimes de assédio sexual. O caso seguiu para tribunal, mas ainda não houve desfecho, não havendo posição oficial por parte da NFL.
Os Texans poderão assim perder as suas duas maiores figuras no mesmo ano, pois após a saída de JJ Watt na free agency, é agora provável que Watson não volte a jogar com as cores de Houston.
Algo que também não contribuiu para uma maior estabilidade foi a chegada de mais de 26 jogadores na free agency. O plantel tem imensas lacunas, mas destaco o wide receiver Brandin Cooks, o running back Philip Lindsay e o quarterback Tyrod Taylor como jogadores a acompanhar. Por todos os motivos referidos, acredito que os Texans sejam uma das piores, senão mesmo a pior equipa da NFL no ano de 2021.
JACKSONVILLE JAGUARS
From @ClemsonFB to Duval County.@Trevorlawrencee | @swaggy_t1 | @Jaguars pic.twitter.com/gtegNOQoID
— NFL (@NFL) June 10, 2021
Os Jaguars foram a pior equipa da NFL, terminando o ano com um saldo de 1-15, sendo que a única vitória que alcançaram foi no primeiro jogo frente aos Indianapolis Colts. Desde aí a equipa somou derrota atrás de derrota.
Apesar das 15 derrotas consecutivas, nem tudo foi negativo. O plantel era um dos mais jovens da liga e mostraram bastante competitividade em certos momentos, com jogadores a terem um bom rendimento, como os wide receivers DJ Chark e Laviska Shenault, e o running back James Robinson, tendo este último sido o melhor da equipa neste ano.
A partir do momento em que as derrotas se começaram a acumular, a possibilidade de ter uma das picks mais altas no Draft começou a ter um peso cada vez maior. Uma das decisões que claramente não tinha como objetivo aparente a melhoria da equipa foi a substituição do quarterback Gardner Minshew que era o melhor da equipa na sua posição. Esta decisão levou muitos a pensar que a equipa estaria a adotar uma estratégia de tanking.
Esta estratégia é bastante polémica e algo presente nos desportos americanos, consistindo no ato de uma organização, deliberadamente, tentar criar condições para que muito dificilmente a sua equipa ganhe jogos, numa tentativa de melhorar a sua posição no Draft do ano seguinte, para poder escolher os melhores jogadores. Neste caso o alvo era o quarterback Trevor Lawrence.
DECISÃO: COMPRAR STOCK
Tal como já se suspeitava, Trevor Lawrence foi o jogador escolhido pelos Jaguars com a pick número 1 do Draft. Para além da mudança de quarterback, outra decisão importantíssima foi a contratação do treinador Urban Meyer, um dos melhores treinadores da história do futebol universitário, que se irá estrear na NFL.
A chegada de ambos tem como objetivo mudar o rumo das Jaguars nos próximos anos, trazendo uma grande esperança à sua massa adepta. Os Jaguars são uma das equipas com menos sucesso na história da NFL, alcançando os playoffs apenas três vezes desde 2000, sendo um de quatro franchises que nunca jogou o Super Bowl.
O plantel é bastante jovem, com vários jogadores que nos últimos anos foram escolhidos nas primeiras rondas do Draft, como o cornerback CJ Anderson, o linebacker Myles Jack e este ano, o running back Travis Etienne, que jogou com Lawrence na universidade, podendo a ligação e química existente entre ambos ser muito importante.
O ataque dos Jaguars tem, na teoria, todas as condições para sofrer uma grande evolução, uma vez que se o talento quase inquestionável de Lawrence se confirmar, este terá ao seu dispor bons jogadores, como os wide receivers Chark, Shenault e Jones, assim como a dupla de running backs composta por Robinson e Etienne. Já para não referir que Urban Meyer é visto como uma das mentes ofensivas mais brilhantes no futebol universitário.
Acredito que os Jaguars poderão ser uma das agradáveis surpresas da liga, sendo praticamente assegurado que terão uma melhor performance do que no ano anterior. A equipa tem bastante talento, mas tudo dependerá da adaptação das suas duas maiores figuras ao nível da NFL. Neste momento acredito no sucesso da dupla Lawrence e Meyer.
INDIANAPOLIS COLTS
This Kenny Moore interception was INCREDIBLE 🔥@Colts | @KennyKennyMoe3 pic.twitter.com/Z01PRIvof2
— NFL UK (@NFLUK) February 24, 2021
Os Colts foram uma das equipas a que melhor nível se apresentou na NFL, obtendo um saldo de 11-5, ficando em segundo lugar na sua divisão, terminando a época com a eliminação na Wild Card Round em casa dos Bills. Este jogo foi muitíssimo competitivo, perdendo por 24-27, com muitos críticos a defender que os Colts foram a melhor equipa.
O reforço mais mediático foi o quarterback Philip Rivers, que depois de 16 anos ao serviço dos Chargers, chegou a Indianapolis com o objetivo de ser a última peça para elevar o plantel para outro patamar. Mesmo com 39 anos, e apesar das percetíveis limitações físicas, Rivers teve uma boa prestação, ajudando a equipa a vencer muitos jogos.
A unidade defensiva dos Colts foi uma das melhores da liga, jogando a um nível altíssimo que se revelou decisivo para alcançar as muitas vitórias conseguidas ao longo do ano. As principais figuras foram o linebacker Darius Leonard, e o reforço DeForest Buckner, defensive tackle vindo dos 49ers, sendo ambos dos melhores da liga nas respetivas posições.
No ataque, para além de Rivers, o grupo de running backs teve uma boa prestação, principalmente Jonathan Taylor. Pela negativa, é de realçar a prestação bastante mediana do grupo de wide receivers composto por TY Hilton, Zach Pascal e Michael Pittman Jr. Nenhum destes elementos teve uma época digna de registo acabando por limitar a equipa em certos momentos.
DECISÃO: MANTER STOCK
A posição de quarterback voltou a ser o maior foco da pré-temporada, uma vez que Philip Rivers decidiu reformar-se ao fim de 17 anos ao mais alto nível. Para o seu lugar chegou Carson Wentz, através de uma troca com os Eagles. Wentz irá reunir-se com o treinador Frank Reich, após terem trabalhado juntos em Filadélfia.
A relação entre ambos foi, sem dúvida alguma, determinante na decisão do general manager Chris Ballard em trazer Wentz para Indianapolis. Frank Reich era o coordenador ofensivo dos Eagles, no ano em que conquistaram o Super Bowl, naquele que foi o melhor ano da carreira de Carson Wentz, em 2016. O grande problema é que no ano passado Wentz foi um dos piores quarterbacks da liga até perder a titularidade.
No que diz respeito ao restante plantel. Começando pela defesa, para além da manutenção das principais figuras do ano passado, foi reforçada com o promissor rookie edge rusher Kwity Paye, que foi a primeira escolha dos Colts no Draft. Assim, é muito provável que os Colts voltem a ter uma das defesas mais fortes na NFL.
Já no ataque, é onde residem as maiores dúvidas. A offensive line, que foi uma das melhores no ano passado, perdeu o offensive tackle Anthony Castonzo, que se reformou, chegando Eric Fisher para o seu lugar. Esta perda poderá ser minimizada pelo facto de os Colts poderem contar com Quenton Nelson, o melhor offensive guard da liga. Já o grupo de wide receivers não teve qualquer alteração, algo que causa bastantes desconfianças.
Por fim, esta decisão é tomada uma vez que apesar de ser um grande admirador desta equipa, existindo bastantes fatores que geram alguns receios. O nível de Carson Wentz é, sem dúvida alguma, a maior incerteza uma vez que no ano passado a sua prestação foi horrível, havendo a esperança de que Frank Reich consiga relançar a carreira do seu pupilo. Se tal acontecer, então os Colts voltarão a lutar por uma ida aos playoffs.
Espero que tenham tido uma boa leitura, e até ao próximo artigo!













