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NFC Sul: Comprar, manter ou vender stock? | NFL

Jorge Baptista Laires · 10 min

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Espero que esteja tudo bem desse lado. Hoje, estamos aqui para investir (ou não) no “mercado da bolsa” da NFL.

Com base nos acontecimentos da época passada e desta pré-temporada, principalmente na free agency devido à incerteza dos jogadores que são escolhidos no Draft, darei a minha opinião em relação ao futuro de todas as equipas para saberem em quem devem investir o vosso tempo.

Irei: “comprar” se achar que esta equipa irá melhorar em relação ao ano passado ou se está numa fase ascendente no ciclo da NFL; “manter” se achar que será uma época muito semelhante à anterior ou se tiver algumas desconfianças em certos aspetos; “vender” se achar que a época será abaixo das expectativas ou se estiverem na fase descendente do franchise.

Mesmo assim, aconselho a acompanharem todos os acontecimentos da liga, pois a magia da NFL é haver motivos para acompanhar quase todos os jogos, e jogadores espetaculares em todas as equipas.

No artigo de hoje falaremos da NFC Sul, sendo esta a divisão dos vencedores do Super Bowl, na qual a única certeza será mesmo a equipa do eterno Tom Brady, havendo bastantes dúvidas em redor das restantes.

Foto de capa: Tampa Bay Buccanneers

NEW ORLEANS SAINTS

A época dos New Orleans Saints terminou com uma derrota nos playoffs, na Divisional Round, frente aos campeões Tampa Bay Buccaneers, após uma época regular com um saldo de 12-4.

Este ano eram vistos pela opinião geral como uma das equipas com um plantel mais completo e com maior qualidade em todos os setores. Embora os Saints tenham tido uma época com várias vitórias, as exibições demonstravam algumas fragilidades que se vieram a confirmar nos playoffs.

Os comandados de Sean Payton sofreram também algumas baixas importantes por lesão, como o quarterbackDrew Brees que falhou quatro jogos, e Michael Thomas, principal wide receiver, que vinha de uma época espetacular, mas falhou 11 jogos. Durante o período de lesão de Brees, o quarterback Taysom Hill assumiu a titularidade registando três vitórias e uma derrota.

Embora a época tenha acabado novamente abaixo das expectativas, houve jogadores que se destacaram com grandes exibições, como o running back Alvin Kamara que merece o maior destaque, não só pelos seus números no jogo de corrida, como também pelo grande rendimento no jogo de passe, sendo o alvo principal nos jogos que Thomas falhou.

DECISÃO: VENDER STOCK

Esta decisão deixa-me com bastantes dúvidas e incertezas, uma vez que os Saints continuam a ter bastante qualidade no plantel e Sean Payton é um dos melhores treinadores da NFL. No entanto, creio que os resultados desta época serão inferiores aos dos últimos anos, principalmente devido à situação da posição de quarterback.

Após 20 anos a jogar ao mais alto nível e com um legado digno do Hall of Fame, Drew Brees terminou a sua carreira, sendo sem dúvida a perda principal.

O seu substituto será escolhido entre Taysom Hill e Jameis Winston, porém, ambos representam mais dúvidas do que certezas neste momento, tendo Hill demonstrado várias limitações no jogo de passe, e Winston é caracterizado pela sua irresponsabilidade no tratamento da bola, estando no topo da lista de quarterbacks que mais turnovers causa.  

Será importantíssimo que as estrelas da equipa estejam no seu mais alto nível, como Alvin Kamara e Michael Thomas no ataque, e Cameron Jordan (defensive end) e David Onyemata (defensive tackle) na defesa.

A equipa perdeu também outros jogadores muito importantes como o wide receiver Emmanuel Sanders, o defensive end Trey Hendrickson e o cornerback Janoris Jenkins, fazendo com que o plantel perdesse profundidade, havendo posições com escassez de várias opções de qualidade, como por exemplo o grupo de wide receivers, onde a única opção indiscutível é Michael Thomas.

CAROLINA PANTHERS

No primeiro ano de Matt Rhule como treinador dos Carolina Panthers, o saldo final foi de 5-11, acabando por ser algo desapontante. O quarterback Teddy Bridgewater foi o reforço mais mediático, tendo a sua verdadeira oportunidade como titular após os seus anos como suplente de Drew Brees nos Saints.

Embora Bridgewater tenha começado muito bem a época, tendo tido alguns momentos de brilhantismo, o final de temporada foi bastante negativo para o mesmo, principalmente no que diz respeito ao seu rendimento bastante negativo no 4º quarto do jogo, perdendo jogos decisivos nos momentos finais, e também na redzone (últimas 20 jardas do campo), falhando muitas jogadas e custando vários touchdowns que se revelaram fatais.

No entanto, apesar das exibições desapontantes do quarterback, o ataque liderado pelo novo coordenador ofensivo Joe Brady foi uma das unidades ofensivas mais versáteis e criativas da liga, tendo registado grandes exibições durante o ano.

Jogadores como o running back Mike Davis, e os wide receivers DJ Moore, Curtis Samuel e Robby Anderson assumiram papéis de maior destaque, tendo um grande rendimento.

No que diz respeito à defesa, é de salientar que todas as escolhas dos Panthers no Draft foram jogadores defensivos, acabando a inexperiência por resultar em exibições negativas ao longo do ano, embora muitos jogadores tenham tido momentos de muita qualidade.

DECISÃO: MANTER STOCK

A próxima época dos Panthers está rodeada por muitas incertezas, mas com muitos motivos para ter esperança. Depois de um ano em que as exibições de Teddy Bridgewater acabaram por impedir a equipa de ir mais além, Sam Darnold foi o quarterback escolhido para o substituir, após uma troca com os New York Jets, onde jogou três anos.

Por um lado, a chegada de Darnold gerou bastantes dúvidas, uma vez que mesmo tendo demonstrado ser um jogador bastante talentoso, a sua passagem por Nova Iorque foi muito desapontante, ficando abaixo das expectativas criadas aquando da sua chegada.

Por outro lado, esta será a primeira vez na sua carreira que terá as condições ideias para ser bem-sucedido, com um excelente sistema esquemático no ataque, boa proteção e jogadores com muito talento à sua volta. Esta será uma época decisiva para o seu futuro na liga.

Para além da chegada de um novo quarterback, o ataque sofreu outras mudanças significativas, com relevo para a saída de jogadores como Curtis Samuel e Mike Davis. Porém, é de destacar pela positiva o regresso de um dos melhores running backs da NFL, Christian McCaffrey, que falhou grande parte do ano anterior por lesões, mas que em 2019 teve mais de 1000 jardas no jogo de corrida e mais de 1000 jardas no jogo de passe.

Por fim, a defesa poderá ter um grande salto competitivo, porque muitos jogadores que demonstraram muito talento no seu primeiro ano, entrarão no segundo ano de liga, onde poderão passar para outro nível, como o defensive tackle Derrick Brown e o safety Jeremy Chinn. Jaycee Horn, cornerback escolhido no Draft, é um jogador a seguir com especial atenção.

ATLANTA FALCONS

Os Falcons voltaram a ter uma época muitíssimo abaixo das expectativas, terminando com um saldo de 4-12, ficando no último lugar de toda a NFC. As cinco derrotas nos cinco primeiros jogos resultaram nos despedimentos do treinador Dan Quinn e do general manager Thomas Dimitroff.

Posteriormente aos despedimentos, Raheem Morris assumiu o lugar de treinador interino, subindo o rendimento da equipa, principalmente na defesa, conseguindo quatro vitórias nos últimos 11 jogos. No entanto, o principal problema da equipa voltaram a ser as muitas lideranças perdidas nas partes finais dos jogos, após grandes inícios (a maneira como perdem com os Cowboys é inacreditável).

A defesa foi o maior ponto negativo, sendo uma das piores da liga, com destaque para o edge rusher Dante Fowler Jr., que desiludiu após uma grande época nos Rams em 2019, e para o cornerback AJ Terrell, que foi a primeira escolha dos Falcons no Draft.

Já o ataque, teve grandes prestações ao longo do ano, com a grande figura a ser o wide receiver Calvin Ridley, que assumiu o papel principal numa época em que o wide receiver Julio Jones esteve limitado por lesões a apenas nove jogos. Ridley registou 1374 jardas, ultrapassando as 100 jardas em cinco dos setes jogos que Jones falhou.

DECISÃO: MANTER STOCK

Este novo ano será de grandes mudanças para o clube de Atlanta. Começando pelo novo treinador, a chegada de Arthur Smith, ex-coordenador ofensivo dos Titans, foi considerada uma boa decisão depois do bom trabalho que fez no ataque de Tennessee nos últimos anos.

Os Falcons tiveram grandes mudanças no ataque, principalmente no que diz respeito aos “alvos” do quarterback Matt Ryan. Julio Jones, depois de 10 anos de excelência em Atlanta, também ele com uma carreira que lhe permitirá chegar ao Hall of Fame, rumou aos Titans devido à sua vontade de ir para um clube vencedor. Com a saída de Jones, Calvin Ridley assumirá de vez a função de alvo principal de Ryan, esperando-se novamente uma grande época para o mesmo.

De destacar também Kyle Pitts, tight end escolhido na quarta posição do Draft deste ano, ele que é considerado um talento geracional que poderá ter um grande impacto no imediato. A chegada do running back Mike Davis, vindo dos Panthers, é outro ponto positivo.

O principal aspeto que me faz duvidar da possibilidade de uma grande época para os Falcons continua a ser a defesa, que não teve mudanças significativas, sendo uma grande incógnita. Apesar de achar que o ataque será um dos mais fortes da liga, se a defesa mantiver o mesmo rendimento do ano anterior, não será sustentável ter de marcar mais de 30 pontos por jogo.

TAMPA BAY BUCCANEERS

Como se costuma dizer, devemos deixar o melhor para o fim. O que dizer do caminho dos Bucs até ao Super Bowl? Sem dúvida alguma, estamos a falar de uma história digna de um filme, no qual a lenda de Tom Brady assume o papel principal.

Depois de 20 anos ao serviço dos New England Patriots, seis anéis do Super Bowl e uma carreira que se fosse dividida em várias partes iguais continuariam a ser da melhores de sempre, Brady decidiu dar um novo rumo à sua história, aos 43 anos, trocando o frio de Boston, pelo calor da Flórida.

Conhecendo apenas uma cultura e uma filosofia ao longo de toda a carreira com Bill Belichick, este aceitou uma nova aventura ao lado do treinador Bruce Arians, o qual podemos considerar como o extremo oposto de Belichik.

Desde o início do ano, que os Buccaneers demonstraram estar disponíveis para satisfazer todas as vontades do seu novo quarterback. Os reforços de maior relevo para a época foram o tight end Rob Gronkowski, o polémico wide receiver Antonio Brown e o running back Leonard Fournette, todos eles pedidos expressos de Tom Brady.

No entanto, nem tudo foram rosas. Os Buccaneers começaram o ano com um saldo de 7-5, demonstrando bastantes dificuldades e uma grande falta de química entre Brady e os seus receivers, com destaque para a derrota humilhante por 38-3 na semana 9, em casa, frente aos New Orleans Saints, tendo este sido o pior jogo a nível estatístico da carreira de Brady.

Tudo mudou após a folga na semana 13. A equipa voltou com uma atitude completamente diferente, vencendo os últimos quatro jogos da temporada, com o mais assustador a ser o facto de estar mais forte de semana para semana. Já nos playoffs, tornaram-se na primeira equipa a atingir o Super Bowl vencendo todos os encontros fora de casa.

Por último, no derradeiro jogo venceram os Kansas City Chiefs de uma forma verdadeiramente dominante, tornando-se na primeira equipa na história da NFL a vencer o Super Bowl como anfitriã, tendo Tom Brady conquistado o sétimo troféu Lombardi da sua carreira.

DECISÃO: COMPRAR STOCK

Não tenho coragem de apostar novamente contra Tom Brady. Da última vez que o fiz, não podia estar mais errado quando me ri do facto de considerarem os Buccaneers favoritos ao Super Bowl devido à chegada de Brady. Para mim seria impossível um quarterback com 43 anos vencer o Super Bowl numa equipa que no ano anterior teve um saldo de 7-9 e que já não alcançava os playoffs há 13 anos.

No caso de se estarem a perguntar o porquê de não ter referido qualquer jogador como destaque na época passada, não se preocupem, irei falar deles agora, uma vez que os Bucs se tornaram na primeira equipa da era moderna da NFL, a manter os 22 jogadores titulares que jogaram e venceram o Super Bowl no ano anterior.

O plantel dos Buccaneers é talvez o mais completo, profundo e com maior qualidade da liga. A defesa é uma das melhores da NFL com destaque para o defensive tackle Vita Vea, o edge rusher Shaq Barrett, o linebacker Lavonte David e o safety Antoine Winfield Jr.

O ataque, liderado por Tom Brady, que irá iniciar a época com 44 anos, contará com um dos melhores grupos de wide receivers, com destaque para tripla formada por Mike Evans, Chris Godwin e Antonio Brown.

Deste modo, considero que os Tampa Bay Buccaneers são os principais candidatos à vitória final. Embora ache isso muito difícil de acontecer, pois a última vez que uma equipa venceu o Super Bowl dois anos consecutivos foram os New England Patriots em 2003 e 2004.

O problema é que quem lá estava era Tom Brady, e este até já referiu que trocava dois dos seus anéis por uma época de invencibilidade, e não serei eu a duvidar novamente desta lenda viva.

Espero que tenham tido uma boa leitura, e até ao próximo artigo!
Jorge Baptista Laires

Redação Bola na Rede · ver artigos