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NHL: À procura de culpados

Tiago Pinto Martins · 7 min

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Cabeçalho modalidadesNão há nada mais humano do que procurar culpados quando as coisas correm mal. De certa maneira, é terapêutico, sentimo-nos em controle da situação se formos capazes de explicar os motivos do fracasso. É também inteligente, porque, apesar de muitas vezes incitado pela emoção, este é sempre um momento de análise, que pode servir como tónico de mudança.

No entanto, essa atribuição de culpas é, muitas vezes, mal direcionada. Na NHL, há a tendência de apontar o dedo à estrela da companhia, quando os resultados não aparecem. “Uma equipa só é tão boa quanto o seu melhor jogador” é uma frase muitas vezes repetida neste desporto. Mas será justo? Por muito bom que ele seja, será um único homem suficiente para causar o colapso de uma equipa?

Primeiro Período: Quem merece que lhe apontem o dedo?

Connor McDavid e Jack Eichel são dois gémeos separados à nascença, desportivamente falando. Selecionados um a seguir ao outro no draft de 2015, chegaram à liga com a responsabilidade de retirar Edmonton Oilers e Buffalo Sabres da lama. Dois anos passaram e tudo está na mesma. Oilers e Sabres deambulam pelo fundo da tabela. Quem fica com as culpas? As estrelas, pois claro, ainda por cima miúdos, neste caso. McDavid tem 20 anos e Eichel tem 21. É justo? Não. É fácil apontar o dedo, mas o que é fácil quase nunca é certo.

Os Sabres são um daqueles casos de eterno potencial adiado. Desde 2015 que andamos a dizer “cuidado com os Sabres, este ano é que é” e nada. Os números de Eichel não são extraordinários. Sete golos em 24 jogos dá uma média inferior à da época passada, quando marcou 24 golos em 61 jogos. Ainda assim, a sua produção em 5-contra-5 não mudou muito, o que caiu radicalmente foi o powerplay. Na época passada, Eichel fez 24 dos seus 57 pontos no powerplay. Este ano tem apenas um até ao momento. Mas este não é um problema individual. Quem tem que responder por isso é Phil Housley, o treinador da equipa desde junho, que conseguiu transformar o melhor powerplay da liga na época passada (8.7 golos/60 minutos) no segundo pior (4.3 golos/60 minutos).

Fonte: NHL
Fonte: NHL

Connor McDavid está na mesma posição, com o peso adicional de ser um dos melhores do mundo. Já tínhamos falado dos Oilers na semana passada, eu sei, mas o circo continua. Mais uma semana, mais duas derrotas embaraçosas, uma goleada por 8-3 em St. Louis e uma derrota por 3-1 frente aos Sabres de Eichel. Pelo meio, ganharam outros dois jogos, mas isso não chega. Os Oilers precisam de ganhar terreno rapidamente. Mais uma vez, McDavid foi o principal alvo das críticas, principalmente o seu jogo defensivo. A crítica até é justa em momentos, mas este não é um problema fundamental. A verdade é que os Oilers estão mais fracos que o ano passado. McDavid está a caminho dos 100 pontos, tal como na época passada, mas a produção ofensiva da equipa piorou (passou de 2.96 golos por jogo para 2.67). Adeptos e media deviam olhar mais para cima, para quem manda. Desde de que chegou a Edmonton, Peter Chiarelli trocou Taylor Hall, Jordan Eberle, Nail Yakupov e uma primeira ronda no draft (que acabou por ser Matthew Barzal) para reforçar uma defesa que mesmo assim é a quinta pior da liga. Hall lidera os New Jersey Devils em pontos, Eberle vai a caminho dos 60 pontos, Yakupov tem tudo para passar a barreira dos 20 golos pela primeira vez na sua carreira e Barzal é um dos mais fortes candidatos a rookie do ano. Com estes quatro, talvez McDavid não tivesse que marcar ou assistir em quase metade dos golos dos Oilers.

Segundo Período: El Rei D. Carey Price.

O Desejado voltou, numa manhã de nevoeiro. Depois de 11 jogos de ausência, Carey Price regressou à baliza dos Montreal Canadiens, para alegria do povo. Price não quis desmanchar o mito e regressou em grande estilo, na vitória por 3-0 sobre os Buffalo Sabres, que interrompeu uma série de cinco derrotas consecutivas dos Habs. 36 defesas e nenhum golo sofrido. O bom velho Carey Price, portanto. Os Canadiens têm 21 pontos em 24 jogos, o que parece mau, mas os playoffs estão apenas a quatro pontos de distância. Ainda é possível e isso só aumenta a esperança no mito de Carey Price.

Os wild cards serão difíceis de alcançar, devendo ir para duas equipas da Divisão Metropolitana. Neste momento, Rangers e Capitals ocupam essas posições com 28 e 29 pontos respetivamente. O caminho mais provável para os playoffs será através do terceiro lugar da Divisão Atlântico, atualmente ocupado pelos Detroit Red Wings com 25 pontos. Problema: os Canadiens não só têm de recuperar estes quatro pontos, como precisam de ultrapassar Ottawa Senators e Boston Bruins, que vão com 22 e 24 pontos. Numa liga em que há jogos que distribuem mais pontos do que outros, recuperar terreno torna-se mais difícil.

Fonte: NHL
Fonte: NHL

Só por si, esta já é uma tarefa hercúlea, mas há outra barreira a considerar. A verdade é que este foi o primeiro jogo em que vimos o verdadeiro Carey Price. Esta época, ele tem estado irreconhecível. Em 11 jogos antes da lesão, sete derrotas e uma percentagem de defesas de 87.7%. Resumindo, Price tem aproximadamente 50 jogos para dar a volta a uma das piores épocas da sua carreira, enquanto tenta levar uma equipa, com o 2º pior ataque da liga, do penúltimo lugar na divisão aos playoffs, exatamente um ano antes do seu contrato milionário entrar em vigor ($84 milhões de dólares por 8 anos). Sem pressão, Carey.

Terceiro Período: Sweeeeeet Golden Knights! Pa, pa, pa!

Está a ficar difícil de explicar o que se passa em Las Vegas. Os jogos passam e os Golden Knights continuam a ganhar. Mesmo sendo uma equipa de expansão, mal construída por George McPhee, e estando a atravessar uma crise de lesões de proporções épicas na baliza, que os obrigou a recorrerem a cinco guarda-redes diferentes, os Golden Knights lideram Divisão Pacífico com dois pontos de vantagem sobre os Los Angeles Kings. Esta semana, três jogos, três vitórias, contra três adversários de divisão (Anaheim Ducks, San Jose Sharks e Arizona Coyotes). No papel, esta equipa não devia estar sequer perto do primeiro lugar, porém aqui estamos. Como explicar isto?

É difícil, mas pudemos tentar. Primeiro, Gerard Gallant merece todos os elogios. Mesmo com um plantel curto, com pouco ou nenhum star power, os Golden Knights são uma equipa de meio da tabela em termos de posse do disco (17º em CF% e 10º em xGF%). Isto é trabalho do treinador, que montou uma estrutura competitiva, mesmo sem ter os melhores interpretes. No entanto, isto não explica todo o sucesso.

Fonte: NHL
Fonte: NHL

O que salta logo à vista quando olhamos para os números dos Golden Knights é a diferença entre jogos fora e em casa. Em Las Vegas, os Golden Knights são praticamente invencíveis (9 vitórias em 10 jogos). Fora, a música é outra (6 vitórias em 12 jogos). Da duas uma: ou é muita sorte caseira, tese sustentada pelo PDO (107 em jogos em casa); ou há fatores extra-hóquei em jogo. Sempre se falou no possível efeito das atividades noturnas que se praticam em Las Vegas nos jogadores que visitam os Golden Knights. Just saying…

Estrelas da Semana

Primeira Estrela: Jonathan Marchessault (Vegas Golden Knights)

Marchessault foi a peça chave para a semana perfeita dos Golden Knights. Em três jogos, o antigo jogador dos Florida Panthers fez nove pontos (três golos e seis assistências), incluindo o golo da vitória no prolongamento frente aos San Jose Sharks. Menção honrosa para o seu colega de equipa, William Karlsson, que marcou quatro golos esta semana e é agora o melhor marcador dos Golden Knigths com 13 golos.

Segunda Estrela: Phil Kessel (Pittsburgh Penguins)

A semana começou mal para os campeões em título, com duas derrotas nas deslocações a Vancouver e Boston, mas fecharam em beleza com uma vitória importante por 5-2 sobre os líderes Tampa Bay Lightning. Kessel brilhou nessa partida, com dois golos e duas assistências. O ala dos Penguins terminou a semana com sete pontos em três jogos. A melhor notícia para os Penguins é que Sidney Crosby também começa a aparecer, tendo amealhado seis pontos esta semana.

Terceira Estrela: Alex Ovechkin (Washington Capitals)

Quando se fala em Ovi, fala-se em golos. O russo fez cinco em três jogos esta semana, incluindo um hat-trick frente aos Toronto Maple Leafs, com dedicatória especial (ver vídeo em baixo). Com esses golos, Ovechkin ultrapassou Mike Bossy na 21ª posição da lista de melhores marcadores da história da NHL, com 576 golos. Está a apenas um de empatar com Mark Rechi na 20ª posição. Na atualidade, o russo lidera a liga em golos, com 18.

 

Foto de Capa: NHL

Tiago Pinto Martins

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