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Os guarda-redes são bichos estranhos, cada um tem as suas manias muito pessoais, mas todos eles são corpos externos à equipa. Há o mundo da equipa, onde todos trabalham em conjunto, e depois há o mundo solitário do guarda-redes, que luta a sua luta individual, contra os seus vilões individuais. Por isso, quando um guarda-redes tem algo a dizer sobre o desempenho dos seus colegas, eles ouvem com atenção. É porque alguma fizeram para perturbá-lo no seu mundo.

Primeiro Período: Frustração em Toronto.

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Fredrik Andersen, o estoico guarda-redes dos Toronto Maple Leafs, não mediu as palavras no fim da dececionante derrota por 3-2 frente aos Philadelphia Flyers, um jogo em que os Leafs deixaram escapar uma vantagem de dois golos no terceiro período. “Temos que perceber quem se quer comprometer a jogar para a equipa”, disse o dinamarquês sem apontar nomes. Deixou também no ar a ideia de que há mais jogadores descontentes no balneário. “Sim, não sou só eu, há outros no banco também. É frustrante não estar no powerplay e ver aquele tipo de jogada”, uma alusão clara ao segundo golo dos Flyers, em shorthand, que deu início à reviravolta. Quem é que não estava nesse powerplay? Auston Matthews.

A frustração já se espalhou para fora do balneário. Os resultados não ajudam. A vitória sobre os Ottawa Senators, no passado sábado, foi a primeira registada no tempo regulamentar desde 28 de Dezembro. Mas o que custa mais a processar é a falta de golos de uma equipa que, no início do ano, parecia ser imparável do ponto de vista ofensivo. No mês de Janeiro, os Leafs só marcaram três ou mais golos duas vezes, as duas contra os Senators. Desapareceu a velocidade, a magia e a criatividade. Os Leafs são agora uma equipa previsível e passiva. O pior é que parece ser intencional.

Mike Babcock, treinador dos Toronto Maple Leafs Fonte: NHL
Mike Babcock, treinador dos Toronto Maple Leafs
Fonte: NHL

Leo Komarov é o terceiro jogador com mais minutos no mês de Janeiro, subindo quase três em relação ao início da temporada, apesar de ter apenas 13 pontos em 49 jogos. Roman Polak está de pedra e cal na defesa e a jogar minutos importantes.  Não é só por aí que se percebe que há intenção, é também pelas declarações de Babcock. Após a derrota no prolongamento frente aos St. Louis Blues, jogo em que os Leafs marcaram apenas um golo, Babcock disse sobre o lance que decidiu a partida: “If you cheat for offense, you lose.” Perdeste 2-1, Mike. O problema é o um, não o dois.

Felizmente para os Leafs, a concorrência pelo terceiro lugar na Divisão Atlântica está bem longe, mas a tendência não deixa de ser preocupante. Se a esterilização do ataque dos Leafs é intencional, qual é o objetivo? Ensinar a equipa a defender melhor? Como é suposto os jovens aprenderem se estão a ser preteridos em favor dos veteranos? São perguntas a que Babcock terá que responder até ao fim da época regular. Ele pode ser o treinador mais bem pago da liga, mas não está imune a críticas, especialmente se os adeptos acharem que a equipa não está a aproveitar todo o seu potencial.