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Circuito ATP 2020 | Os Principais Destaques

José Maria Reis · 6 min

Foto: ATP Tour

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Ainda que marcada pela interrupção de cinco meses devido à pandemia, esta época conseguiu ter de tudo. Um novo campeão de Grand Slam e das ATP Finals, um novo recorde de semanas consecutivas no TOP-10, vários estreantes no TOP-10 e muito mais.

Mas, primeiro, vamos começar pelo que não teve. Esta temporada não tivemos o prazer de ver um dos torneios mais emblemáticos do circuito, o torneio de Wimbledon. O torneio que estava marcado para o início de julho, em Inglaterra, optou por cancelar a sua edição de 2020. O facto de ter um seguro contra uma eventual pandemia no valor de £114M (127M€) poderá, ou não, ter tido algum peso na hora de tomar esta decisão.

Vimos, também, o número de Masters 1000 reduzido a apenas três torneios, Cincinnati, Roma e Paris. Francamente menos do que no ano passado, por exemplo, onde se disputaram nove torneios desta categoria.

Foto de Capa: ATP Tour

Artigo redigido por José Maria Reis

GRAND SLAM

Tivemos (finalmente) um novo campeão de Grand Slam, Dominic Thiem. O austríaco, no início da época, partia como principal candidato a superar a hegemonia dos Big 3 e o US Open era, até, considerado o torneio onde era mais provável assistirmos a essa proeza, quer fosse por Rafael Nadal ainda ser muito superior a todos os outros em terra, como se veio a provar, quer fosse porque a relva ainda apresenta muitas ameaças ao estilo de jogo dos mais novos.

A final, frente a Alexander Zverev, vai ficar para a História como uma das finais mais épicas de sempre. Zverev liderava o encontro por dois sets a zero, com 4-4 no terceiro parcial, quando se dá uma das reviravoltas mais épicas de sempre para, no fim, Thiem vencer o seu primeiro torneio do Grand Slam.

No dia em que chega às 100 vitórias em Roland Garros, Nadal acaba por conquistar o inacreditável 13.º título neste torneio do Grand Slam o que representou, também, o seu 20.º título em torneios desta categoria, alcançando o número de Roger Federer. Faltam palavras para descrever aquilo que Nadal tem feito em Roland Garros e, se é difícil imaginar e tornar “palpável” os 13 títulos e as 100 vitórias, uma forma de os pôr em perspetiva é falar no número de derrotas do maiorquino em Paris, é que Nadal participou “apenas” em 15 edições deste torneio, o que significa que apenas por duas vezes foi ultrapassado na terra batida francesa. (100-2)

ATP FINALS

As Finals, consideradas por muitos como o quinto Grand Slam, tiveram também um novo campeão. O russo Medvedev, que, olhando para a época que teve, pareceu estar a guardar as energias para a ponta final do ano, conseguiu arrecadar o seu primeiro título nesta competição na sua segunda participação. Depois de no ano passado ter saído de Londres com três derrotas, este ano acaba o torneio com cinco vitórias. O tenista russo teve ainda a proeza de fazer o que ninguém tinha feito desde 2007 e que nunca tinha acontecido nas ATP Finals, bater todos os membros do TOP-3 no mesmo torneio. Bateu Djokovic (#1 do ranking) na fase de grupos, Nadal (#2) nas meias-finais e Thiem (#3) na final. Sem dúvida um grande torneio para Medvedev que o vence de forma invicta.

TOP 10

O ano era 2005. Um miúdo com apenas 18 anos de idade, com uma manga cava e tiques muito característicos chegava para tomar de assalto a terra batida. O seu nome? Rafael Nadal, como acredito que já tivessem percebido.

Nesse ano, o espanhol venceu oito dos dez torneios, em terra batida, em que participou e desengane-se quem poderia pensar que lhe faltaram os mais importantes. Os únicos em que Nadal participou e não venceu foram dois torneios da categoria mais baixa do ATP. Foi durante esta sequência incrível que, a um mês de vencer o primeiro de muitos Roland Garros, a 23 de maio, carimbou a sua entrada no TOP-10 do ranking mundial de onde não mais saiu!!! Desde aí vão já 792 semanas e muitos, muitos recordes.

Foram três as estreias no TOP-10 mundial. O primeiro foi, o mais novo dos três, Denis Shapovalov, o tenista de apenas 21 anos conseguiu entrar nesta lista restrita no dia 21 de setembro. O canadiano, apesar de não ter tido uma má época, beneficiou muito da alteração da contagem de pontos por parte do ATP, podendo, assim, contar ainda com os pontos que fez no final da temporada passada, especialmente os da final do Masters 1000 de Paris.

Na semana de 12 de outubro, entraram os outros dois jogadores, Diego Schwartzman e Andrey Rublev, que entraram, respetivamente, para o número 8 e 10 do ranking.

Schwartzman, que se torna o jogador mais baixo do TOP-10, com 1.70m, desde 1981, teve uma época extremamente consistente com quatro finais (duas em ATP250, uma em ATP500 e outra num Masters 1000) e ainda duas meias-finais, uma delas em Roland Garros depois de ter feito um torneio memorável.

Rublev, na minha opinião, foi o melhor jogador desta época, e teria, com certeza, um ranking superior se não tivesse havido alteração no sistema de pontuação. O russo, que foi recordista do número de títulos da temporada, com cinco, fez uma época estupenda. As suas vitórias em Hamburgo, São Petersburgo e Viena, todos eles ATP500 e distanciados no tempo por pouco mais de um mês, constituíram o grande feito de Rublev este ano e espelham bem o nível exibicional que apresentou. Rublev poderia dar aulas de como passar de terra batida (Hamburgo) para piso rápido indoor (São Petersburgo e Viena). Versatilidade notável.

YEAR-END N.º 1

Novak Djokovic teve uma temporada de sonho. O tenista sérvio jogou oito eventos e conquistou quatro troféus, um torneio do Grand Slam (o 17º do seu currículo), dois Masters 1000 e um ATP500. Aquando da conquista do Masters 1000 de Roma, o sérvio isolou-se, de Nadal, como principal vencedor nesta categoria, acumulando um total de 36 troféus.

Apesar de todos estes resultados estupendos, 2020 fica marcado pelo incidente no US Open, onde o sérvio, claro favorito a vencer esse torneio, acaba por ser desqualificado quando, num ato de frustração, arremessa a bola que acaba por atingir a garganta de uma juiz de linha.

Esta época fenomenal culminou na sexta época em que Djokovic acaba no lugar mais alto do ranking, depois de já o ter feito em 2011, 2012, 2014, 2015 e 2018, igualando o recorde do seu ídolo Pete Sampras. Bateu também o número de semanas como número 1 do mundo do americano, isolando-se assim no segundo lugar dessa lista, só atrás de Federer. O foco, agora, está nesse recorde que, tendo em conta que a nova pontuação do ranking ATP lhe garantirá os mais de 3000 pontos conquistados em janeiro e fevereiro deste ano, está, depois dos pontos que somou e que Thiem e Nadal não somaram, matematicamente assegurado.

José Maria Reis

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