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Como seria o jogador de ténis perfeito? – Versão pós 1990

Henrique Carrilho · 4 min

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Cabeçalho modalidadesUm desafio recorrente lançado às pessoas ligadas ao ténis é a “construção” daquele que seria o melhor jogador, somando as qualidades de todas as estrelas que passam e passaram pelos courts. Devido à dificuldade do exercício, e à injustiça em que iria incorrer no caso de colocar todos os jogadores no “mesmo saco” decidi separar as águas e debruçar-me, primeiro, sobre o ténis e os seus protagonistas mais recentes. Por isso, aqui vai aquele que para mim seria o mais completo dos atletas, ponto a ponto, entre os atletas que brilharam de 1990 para a frente.

Serviço:

Fonte: Mark Conrad Photography
Fonte: Mark Conrad Photography

Pete Sampras – O norte-americano, nascido em 1971 é, sem margem para dúvidas, um dos grandes nomes do Hall of Fame do ténis mundial. Do alto dos seus 1,85 metros, Pete foi protagonista de uma geração executando de forma quase irrepreensível o serviço-rede que, desde então, é cada vez mais uma raridade quer no circuito profissional, quer nos escalões de formação. Muito graças ao seu serviço tão explosivo como colocado, Sampras logrou vencer 2 edições do Australian Open, 5 US Open e… 7 edições de Wimbledon.

Direita:

Fonte: Getty Images e Facebook Oficial de Juan Martin del Potro
Fonte: Getty Images e Facebook Oficial de Juan Martin del Potro

Fernando Gonzalez / Juan Martin del Potro – Para esta pancada, escolho dois sul-americanos que se destacaram por ser precisamente o oposto do modelo pré-concebido do “jogador sul-americano”. Quer o chileno Fernando Gonzalez quer o argentino Del Potro nunca foram jogadores de ficar 4 metros atrás da linha de fundo e alinhar em longas trocas de bolas. Apesar de algo irregulares nas suas carreiras devido a vários aspetos, estes dois, em “dia sim” eram (del Potro, apesar de continuar no circuito, já não é “aquele” de outrora) o terror dos seus adversários. Quem não se recorda daquela épica exibição de poder de fogo de Fernando Gonzalez frente a Rafa Nadal em Melbourne Park em 2007, ou do US Open que fez Del Potro em 2009 derrotando consecutivamente Nadal e Federer para levantar o troféu? Chapadas e com uma força estonteante estas são, na minha opinião, as melhores direitas que o ténis já viu.

Esquerda:

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

Roger Federer – Provavelmente a escolha mais fácil. Poucas palavras já existem para descrever a esquerda do suíço, o que torna qualquer tentativa pouco original. Há que destacar, porém, que a minha escolha sai ainda mais reforçada depois do upgrade feito pelo suíço e sua equipa técnica, que lhe permite, agora, anular o efeito nocivo que tinha o topspin mortífero de Rafa Nadal sobre esta pancada do suíço. Há quem discorde desta opinião e considere Wawrinka ou até mesmo Gasquet como donos da melhor pancada de esquerda. A espaços, Wawrinka conseguiu mostrar que poderia juntar-se ao compatriota mais velho nesta categoria, mas a consistência e a regularidade de Federer fazem-me escolhê-lo como o melhor neste capítulo.

Jogo de Rede:

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

Feliciano Lopez – Calma leitor, não me ofenda já. Esta escolha pode parecer polémica, mas convém ressalvar que surge numa tentativa de não haver repetição de jogadores neste artigo. Caso quisesse ser mais rigoroso, figurariam aqui Roger Federer e Pete Sampras, obviamente. No entanto, olhando para os restantes (que já são raros) mestres no que toca à arte do jogo próximo da rede, há que destacar o espanhol Feliciano Lopez (uma pena deixar de fora nomes como Tim Henman ou Radek Stepanek) que, ao invés de quase todos os seus compatriotas, era – nas suas melhores épocas – um jogador temido em pisos mais rápidos devido à tenacidade do seu serviço canhoto e sequentes volleys profundos e certeiros. Um prazer ver jogar este espanhol!

Jogo de pés / Footwork:

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

André Agassi – Roger Federer, Kei Nishikori, David Ferrer ou Novak Djokovic seriam dignos representantes desta categoria, mas não consigo deixar de escolher o norte-americano André Agassi e elegê-lo como o melhor no que toca à movimentação dentro de um court de ténis. O norte-americano vencedor de 8 majors era exímio neste capítulo e um exemplo para todos os jovens que precisam de trabalhar este capítulo – os “passinhos curtos” de Agassi na abordagem a todas as pancadas permitiam que estivesse sempre em equilíbrio para devolver a bola da melhor forma. Excelente.

Jogo Mental:

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

Rafael Nadal – Quem já conversou comigo sabe que o digo frequentemente: depois do Xadrez, o Ténis é o desporto mais exigente do mundo a nível mental. Só quem já lá esteve dentro e experienciou um match-point contra no tie-break do último set sabe o que é pressão (desportiva, obviamente). Neste capítulo, escolho aquele que é e sempre foi o meu ídolo, precisamente pela sua capacidade de superação, de sacrifício constante e garra indiscutível: Rafa Nadal. Há 17 anos que o espanhol dá “aulas” de como superar momentos duros, dentro e fora dos encontros que disputa, sem nunca perder o respeito pelo adversário e pelo público. David Ferrer, compatriota e amigo de Rafa disse um dia que para ganhar um ponto ao maiorquino, tem de se ganhar o ponto três vezes, pois nunca se sabe se ele pode correr mais rápido e responder a qualquer bola. Um tenista absolutamente único, Rafael Nadal.

 

Foto de Capa: Getty Images

Henrique Carrilho

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