
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
O primeiro encontro do dia colocou frente a frente João Sousa (37º na hierarquia mundial) e Gerald Melzer (116º classificado do ranking ATP). Os jogadores nunca se tinham defrontado anteriormente.
O vimaranense, que tem por inúmeras vezes acusado o fator casa – basta olhar para as mais recentes prestações no Estoril Open -, entrou muito confiante e conseguiu o break logo no primeiro jogo de serviço do austríaco. Foi, por isso, de forma autoritária e natural que João Sousa arrecadou a primeira partida. Nota de destaque para os quatro aces e ainda para a alta percentagem de pontos ganhos com o primeiro serviço (84%).
No segunto set, como seria de esperar, Gerald Melzer reagiu e equilibrou o encontro. O austríaco, que até voltou a ser quebrado logo na primeira vez em que serviu, soube reagir, devolvendo logo de seguida o break. De resto, e num set claramente marcado pelo nervosismo de ambos os jogadores, Melzer chegou a liderar por 4-1, tendo inclusive ponto para aumentar a vantagem para 5-1. Todavia, e na capacidade de luta que já é uma característica de João Sousa, a segunda partida havia mesmo de cair para o lado do português por 7-5.
A terceira partida foi uma mera formalidade. João Sousa entrou bastante motivado pela recuperação que havia assinado no set anterior. Por sua vez, Gerald Melzer parecia não acreditar ser possível recuperar de uma desvantagem de dois sets a zero frente ao português. Desta forma, o vimaranense haveria mesmo de levar de vencida o austríaco com os parciais de 6-1, 7-5 e 6-2.
No que ao capítulo estatistico diz respeito, destaque para os 9 aces, 76% de pontos ganhos com o primeiro serviço e ainda 77% de eficácia em break points. João Sousa foi (muito) melhor que o austríaco, sobretudo nos momentos importantes.
Se no primeiro encontro desta eliminatória João Sousa partia como grande favorito, poucos acreditavam que Gastão Elias fosse capaz de bater Dominic Thiem. A verdade é que Thiem chegou a Guimarães num momento de forma impressionante. Nos últimos 14 encontros venceu 13, batendo, por exemplo, Rafael Nadal e David Ferrer, ambos em terra batida. Desta forma, conquistou dois importantes títulos (ATP 250 Argentina Open e ATP 500 Mexico) e alcançou o seu melhor ranking de sempre (14º). Contudo, o favoritismo não ganha jogos e foi isso mesmo que Gastão Elias fez questão de provar esta tarde.

Fonte: Ténis Portugal
O português, que tinha obrigado Dominic Thiem a salvar um match point no encontro que disputaram em Buenos Aires no mês passado, entrou muito bem no encontro. O austríaco, provavelmente ainda a ambientar-se às condições de jogo, foi surpreendido logo no jogo de serviço inaugural e viu Elias adiantar-se para 3-0 no marcador. Gastão, que se mostou sempre bastante agressivo, acabaria mesmo por conquistar o primeiro set por 6-3.
Na segunda partida, que se revestia de especial importância, sobretudo para Thiem, Gastão voltou a jogar bastante bem. No entanto, e como seria de esperar, Dominic Thiem elevou o nível do seu jogo e, quando o resultado estava em 6-5 favorável à seleção da Áustria, o jovem de 22 anos acabaria mesmo por quebrar o serviço do português conquistando, consequentemente, o segundo set. Apesar da sua tenra idade, Thiem tem já bastante experiência. Desta forma, não foi surpreendente que entrasse no terceiro set muito concentrado, fazendo o break logo na primeira vez em que o português serviu. O austríaco conquistaria, assim, a terceira partida por 6-3.
Quando muitos já previam que o quarto set fosse uma mera formalidade, o sintrense voltou a encontrar o nível com que tinha inicado o encontro. Tal como havia acontecido nos sets anteriores, o break surgiu cedo. O português somou três jogos consecutivos a vencer de forma muito convincente a quarta partida pelo impressionante parcial de 6-1. Nota para o facto de Gastão, mesmo com uma certa “colaboração” de Theim, ter fechado o set com um poker de aces (4 aces no mesmo jogo).
Na quinta e decisiva partida, o português chegou mesmo a liderar por 4-2. Por essa altura, e tais eram os problemas que Gastão estava a causar, Thiem, provavelmente um dos jogadores mais corretos do circuito, destruiu literalmente a sua raquete. Foi então que, na minha opinião, surge a grande figura da tarde. Stefan Koubek, selecionador austríaco, interrompendo sucessivamente o encontro e, contando com a colaboração de Thiem, conseguiu perturbar o português. Gastão, que até aí estava a apresentar um ténis muito próximo do melhor que já lhe vi fazer, baixou o ritmo e concedeu o break, permitindo que Thiem voltasse ao encontro. Uma nota negativa para o árbitro do encontro, que permitiu que tal acontecesse, quando o que havia a fazer era convidar Koubek a sair do recinto. Todavia, e na entrada em vigor das novas regras na taça Davis (já se joga tie-break no quinto set), Thiem ainda viu o português recuperar de 6-3 para 6-6, mas haveria mesmo de dar o primeiro ponto à Austría.

Fonte: Ténis Portugal
Não quero, de todo, terminar este artigo sem uma enorme menção honrosa para Gastão Elias. Contra todas as expectativas, mostrou que favoritismo não chega para ganhar encontros. Perdeu, mas honrou o nosso país.
Para amanhã, e com a eliminatória empatada a 1-1, está reservado o encontro de pares. João Sousa e Gastão Elias defrontam o experiente par austríaco, formado por Dennis Novak e Alexander Peya. Este encontro pode revelar-se decisivo para o desfecho do embate entre Portugal e a Áustria. Não será fácil, e o austríacos partem como favoritos, mas, e contando com um pavilhão completamente cheio, acredito que a dupla portuguesa possa conseguir vencer.
Foto de capa: Ténis Portugal









