Publicidade

A base de Lage

Bruno Costa · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Em Agosto de 2018, pouco tempo depois de se iniciar a actual temporada, fazia referência aqui ao trabalho que Bruno Lage vinha conseguindo ao serviço da equipa B do Sport Lisboa e Benfica. Um arranque de enorme qualidade na II Liga com vitórias, lances de belíssimo futebol e evolução de jogadores assentes num modelo de jogo pensado, estruturado e operacionalizado. Na altura, dizia que “vemos alguns aspectos em determinados momentos do jogo em que se percebe nitidamente que existe ali trabalho e conhecimento”.

Meses depois e de forma algo surpreendente, Luís Filipe Vieira elegeu Bruno Lage como sucessor de Rui Vitória no comando técnico do SL Benfica. Para mim, o surpreendente aqui só está na decisão – excelente, diga-se! – tomada pelo presidente do nosso Clube. Quando tudo indicava noutra direcção, Vieira acabou por optar por uma das alternativas que anteriormente já tinha também indicado num outro artigo (ver aqui).

Diga-se que o timing para a troca não foi o mais favorável, uma vez que o SL Benfica entrou numa espiral de jogos em que muito se poderia decidir e, com os jogadores a terem de assimilar novas ideias e mecânicas, poderia levar algum tempo até que a equipa se recompusesse do trauma que foi esta última temporada e meia. Apesar disso, Bruno Lage não virou a cara à luta e agarrou o desafio com unhas e dentes, arrancando com quatro vitórias em outros tantos jogos (incluindo uma dupla deslocação a Guimarães, primeiro para a Taça de Portugal e depois na abertura da segunda volta do campeonato). Um arranque a todo o gás do treinador setubalense, que começa já a deixar assente certas mudanças que estabilizaram os “encarnados”.

Bruno Lage tem referido desde início que a principal prioridade é a reconquista dos adeptos
Fonte: SL Benfica

Bruno Lage tem vindo a salientar a exigência que tem sido trabalhar com um espaço temporal bastante reduzido entre os jogos. Recentemente referiu que “…estamos num caminho de criar a nossa identidade ao mesmo tempo que temos de preparar os jogos.

Queremos ser mais pressionantes, ter mais bola, mas ao mesmo tempo, temos de nos adaptar às dificuldades que os adversários nos colocam”. Para já, o foco tem sido jogo a jogo e é de extrema importância que os jogadores assimilem algumas ideias-base. O que é facto é que desde que Bruno Lage assumiu tem-se notado uma equipa do SL Benfica bastante mais sólida e com melhor conhecimento do que tem de fazer em campo. É notório o dedo do treinador em alguns aspectos, nomeadamente ao nível do momento defensivo.

Não só nos jogos de Guimarães (mas principalmente nesses, devido à exigência do adversário), temos visto uma equipa muito mais compacta, com linhas mais juntas e com uma melhor protecção do espaço central quando em Organização Defensiva. Mas se houve aspecto que vimos desde logo melhorado a partir do primeiro jogo do novo treinador foi a reacção à perda da bola.

A equipa pressiona mais e melhor, o que lhe permite recuperar a posse mais rapidamente após a perda e em zonas mais adiantadas do terreno. Em termos ofensivos é onde existe ainda muita margem para crescer. Não temos sido deslumbrantes nesse momento e, apesar de por vezes até vermos uma ou outra mecânica diferente, a equipa parece estar muito agarrada a “vícios” antigos. Ainda assim, é de salientar a intenção de procurar construir desde trás e sem tanto recurso ao “chutão” na frente. Os defesas-centrais têm mais bola e existe uma maior intenção de aproveitar o corredor central para criar desequilíbrios, apesar de não sair ainda com tanta fluidez.

Neste momento, a ideia que dá é que Lage quer primeiro recuperar a equipa tanto animicamente como a nível de resultados e isso está explicado pela citação que deixei acima. Criar uma base sólida e estruturada para depois começar a aprofundar os aspectos que têm ainda muitas falhas. Esta sucessão de jogos de elevada dificuldade irão ser óptimos testes à continuidade da solidez da equipa. Se forem ultrapassados com sucesso, o indicador deixado é que o SL Benfica irá ainda muito a tempo de ser feliz no final da temporada.

Foto de Capa: SL Benfica

Bruno Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Crise na habituação | Sporting 2-3 LASK Linz

O Sporting entrou em campo com a possibilidade de pela primeira vez vencer três encontros consecutivos no arraque de uma Champions League e na teoria partia como grande favorito para o jogo contra o LASK Linz, relativo à terceira jornada. Na antevisão da partida ‘respirava-se confiança’ e os analistas previam uma vitória sem grande dificuldade, face a um elenco austríaco, que se baseava nos contra-ataques, que naturalmente teriam de ser concedidos por erros dos verde e brancos. Os leões vivem uma nova era neste 4x3x3, que levou a que vários jogadores mudassem as suas rotinas a meio da época desportiva. A partida de quarta-feira à noite provou que a mini pré-temporada de outubro não serviu para uma habituação total. Há atletas que beneficiam desta troca. Issa Doumbia passou a ter um raio de ação muito maior. Aparecia muitas vezes pela esquerda na base da jogada para auxiliar na construção, mas poucos segundos depois já estava a pisar terrenos próximos aos de Luis Suárez. Nestory Irankunda consegue beneficiar da sua velocidade e capacidade de romper linhas. O próprio Geny Catamo passou a trabalhar ainda mais próximo da linha, procurando a ‘invasão’ de espaços interiores com bola ou o lançamento de colegas como João Simões, Issa Doumbia ou o próprio Luis Suárez, dependendo do posicionamento do colombiano no terreno de jogo.

Ricardo João Lopes · 6 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.