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Má fase em outubro pode hipotecar a época?
A derrota pesada com o FC Bayern Munique acentuou a má fase que se vive na Luz e suscitou todo o tipo de questões no universo encarnado quanto às hipóteses de mais uma temporada fracassada.
Se o início de época foi cumprido a todo o vapor – com a equipa a exibir-se a excelente nível –, a chegada a outubro confrontou Jorge Jesus com uma série de obstáculos inesperados. Má fase
Tais foram a derrota com o SC Portimonense, a difícil eliminatória na Trofa ou a derrocada com os bávaros, jogo onde o SL Benfica expôs muitas das suas gritantes fragilidades – 70 minutos de boa réplica não apagam a má imagem deixada no final, com o colapso emocional dos jogadores a ofuscar tudo o que de bom se havia feito até então na partida.
Assim, escolhi três razões para a má fase competitiva nesta altura da época. Umas óbvias, outras nem tanto. Importa perceber, sim, o contexto de toda a preparação da época e, para as encontrar, teremos que retomar a agosto e atentar às opções tomadas.
3. Segunda Linha Insuficiente

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
O plantel passou por reestruturação necessária. Saíram apostas falhadas, como Waldschmidt ou Chiquinho, e foram colocados de parte os excedentários como Vinícius e Gabriel. Má fase
Em resposta à colocação por empréstimo de grande parte daqueles saídos do Seixal, recorreu-se ao mercado internacional para colmatar os papéis alternativos: destacam-se Meité e Radonjic, ambos sem a preponderância esperada nem a qualidade prevista a partir do banco.
No caso do francês, Weigl e João Mário são dois relógios suíços a trabalhar permanentemente sem oportunidade de ajuste, sem substitutos reais ou que ofereçam rendimento sequer aproximado.
Além de Meité, Taarabt e Pizzi são cartas fora do baralho e inofensivos quando chamados a jogo. Florentino, empurrado para Espanha, é neste momento o trinco da La Liga com mais tackles bem sucedidos (2,4) e mais bolas recuperadas (2) por jogo.
Nas alas e além do sérvio, Everton, infeliz contra o FC Bayern no culminar da sua inadaptação, teima em não dar razão aos conhecedores de Brasileirão que asseguravam que ia ‘explodir’ em contexto europeu.
Entretanto, Jota assenta arraiais no lado esquerdo do Celtic Park, com seis contribuições para golo (três golos e três assistências) nos últimos seis jogos. O Seixal será sempre parte da solução e nunca o problema.
2. Desgaste Físico

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Odysseas, Veríssimo, Otamendi, Vertonghen, Grimaldo, Weigl, João Mário, Rafa e Yaremchuk. Do onze titular, estes nove têm todos mais de 13 jogos nos 16 já cumpridos até agora. Má fase
À direita, os problemas físicos têm obrigado Jorge Jesus a optar pelo mais capaz entre Gilberto, Almeida e Lázaro.
Darwin, que desde que voltou de lesão já conta nove jogos e mais de 900 minutos – se é habitual considerar-se esta fase da temporada como crucial para a obtenção de rotinas, também há que ter em conta as constantes paragens de seleções – do onze titular, só Weigl e Grimaldo não são convocados para as datas internacionais.
1. Falta de Exigência

Depois de uma temporada inadmissível a todos os níveis, desculpada pelo fenómeno COVID, Jorge Jesus entrou com o mesmo ou ainda maior crédito para 2021-22: as vitórias foram-se sucedendo e o fantasma tinha ficado esquecido nos escombros da memória geral – muito também por culpa da instabilidade diretiva encarnada.
Contudo, a espiral negativa pela qual a equipa enveredou nos últimos jogos trouxe ao de cima o regime de “vitória moral” em voga no tribunal da Luz, outrora dos mais exigentes da Europa. má fase
As toneladas de oxigénio oferecidas pela vitória categórica frente a um FC Barcelona em decomposição possibilitaram a aceitação geral de fases menos positivas e a desculpabilização de qualquer passo em falso.
A derrota com o SC Portimonense em casa foi aplaudida e… Samuel Portugal encarado como único responsável, com a inesquecível exibição do goleiro a chegar para anular qualquer impacto da falta de eficácia benfiquista. Cair perante um adversário como os algarvios em Lisboa seria motivo, noutros tempos, para assobiadela monumental. Qualquer que fosse o motivo.
Com o CD Trofense, nova demonstração de benevolência associativa – um clube do segundo escalão obrigou o grande SL Benfica a prolongamento e nada. Nem um laivo de contestação, que também não surgiria com a hecatombe frente ao FC Bayern, a melhor equipa do mundo, mas que em condições normais nunca pode obrigar o SL Benfica caseiro a submeter-se como aconteceu na última quarta-feira.
Se podemos apelar às realidades financeiras distintas como justificação, lembremo-nos que foi este ano que o principiante Sheriff foi a Madrid ganhar, o último de milhares de exemplos de saudável competitividade. Má fase
Se optarmos pelo argumento factual de que os alemães conseguem aplicar chapa múltipla a qualquer um que se atravesse no seu caminho, é importante relembrar que a última derrota “uefeira” por quatro golos, na Luz, tinha sido em 1983-84, frente ao Liverpool de Dalglish e Rush – ou seja, 38 anos.
Desde aí, o SL Benfica conseguiu eliminar o Olympique de Marselha de Tapie, enfrentou dignamente o Milão de Sacchi na final de 90, esteve a um passo de eliminar o FC Barcelona de Cruyff, bateu o Manchester United de Ferguson e logo a seguir o Liverpool FC de Benítez, campeão europeu em título, foi a Turim impedir a Juventus de Conte de jogar uma final na própria casa e obrigou o FC Bayern de Guardiola a suar oceanos.
Em quase todos estes confrontos o fator Estádio da Luz sempre interessou como fortaleza intransponível, o oposto da realidade atual na qual vem sendo encarado exclusivamente como palco de gala para as grandes noites, sem grande preocupação com o resultado.
Há, acima de tudo, um perigoso desleixo em relação à imagem deixada pela equipa no relvado nas já previsíveis derrotas, uma habituação ao vexame às custas de qualquer tipo de adversário e, sobretudo, uma crescente descaracterização da reputação e valores mais elementares da instituição.
Interessa apenas participar, num sintoma da má fase que o Glorioso atravessa. Falta a chama encarnada, o que leva a um desaparecimento quase total de uma exigência antes preservada como o órgão mais vital da mística benfiquista e sinal de uma paixão inigualável, que alimentava equipas e atemorizava adversários.









