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Como em quase tudo na vida, chega uma altura em que é preciso arriscar. Este é um caso desses, com algumas semelhanças em relação à clássica história do “Aprendiz superou o Mestre.” Não, não é mais uma prosa em torno do sensei Luisão e do seu aprendiz Rúben Dias. Podia ser, mas não é. É, sim, uma reflexão sobre o Modric da Luz: Krovinovic.

Krovinovic lesionou-se no último jogo para o campeonato, onde o Benfica venceu o Chaves em casa, por 3-0. Como já vem sendo hábito, pelo menos nos últimos nove jogos, Krovi tem sido uma das figuras chave neste “novo” Benfica montado por Rui Vitória. Uma equipa estruturada em 4-4-3, que tem em Pizzi um ex-presidiário que respira de novo em funções mais criativas e no croata um novo mestre da batuta.

Acontece que a vida nem sempre corre como nós queremos. Por vezes, temos alguns percalços que nos complicam o trajecto e a lesão de Krovi é um desses casos, pelo menos, para o Benfica e para Rui Vitória. Sem o número 20, quem é que pode jogar naquela posição? E com esta lesão, precisará o Benfica de voltar ao 4-4-2?

Procurando responder em primeiro lugar à segunda questão: não, necessariamente. O Benfica pode, perfeitamente, manter o 4-4-3 que o treinador tem vindo a trabalhar. Compreendia-se um retorno à antiga tática, com a possível implementação de Seferovic na frente de ataque e a colocação de Keaton Parks ou de Filipe Augusto ou até de Samaris ao lado de Fejsa. Porém, acho que não há necessidade.

Isso faria com que a equipa perdesse a rotina que tem e, a bom da verdade, o ritmo de jogo, que tem representado claras melhoras. É possível manter o 4-4-3, mas, para isso, temos de olhar para a primeira pergunta.

Quem é que pode jogar no lugar de Krovinovic? Filipe Augusto ou Samaris, sem ser nas condições que referi, seriam más escolhas. Keaton Parks, pelas mesmas razões, e por ainda ser muito “verde” também não é uma escola muito boa.

Assim sendo, parece que sobram 3 hipóteses. E uma delas não me agrada muito. Essa, dá-se pelo nome de Zivkovic. Continuo a achar que se tem sido aposta desde do começo da época: o sérvio era o nosso extremo-direito titular em vez de Salvio. Porém, Vitória assim não o entendeu. É uma das alternativas para o lugar de Krovi, mas os hábitos “extremistas” de Zivkovic levam-me a acreditar que, do ponto de vista do posicionamento, isto poderia correr mal.

As outras duas escolhas já são mais do meu agrado e mais plausíveis. Falo de João Carvalho e de João Félix, ambos gaiatos mas com muito talento. Ambos provenientes da equipa B, se bem que um deles, o Carvalho, tem sido presença regular na equipa principal. Estas são boas alternativas ao lugar deixado vago por Krovinovic, pelo menos até julho deste ano.

Jovem promessa da formação encarnada pode espreitar chamada à equipa principal Fonte: SL Benfica
João Félix, jovem promessa da formação encarnada, pode espreitar a chamada à equipa principal
Fonte: SL Benfica

João Félix tem ligeiros problemas para jogar naquele lugar. Um misto da verdura que apontei a Keaton Parks e o problema posicional de Zivkovic. Ele é extremo-esquerdo/avançado de raiz. Logo, pô-lo a jogar a meio-campo pode ser uma dor de cabeça.

Tem características de médio-ofensivo e tem feito uma época interessante no Benfica B, mas temo que, por mais interessante que possa ser, não seja a solução ideal. Assim, chego ao João Carvalho. O jovem que tem merecido mais confiança da parte do treinador encarnado parece perfeito para o lugar. Treina com os titulares, já tem alguns minutos nas pernas, sabe, à partida, as rotinas que a equipa tem e já foi testado naquele lugar.

A questão que se impõe é se é bom o suficiente para assumir a titularidade. Ele tem talento e qualidade, não é isso que está em causa, mas o Benfica de 2017/2018 tem como objectivo único o título. Como tal, não existem erros para cometer, e um erro de casting nesta altura do ano pode ser fatal às aspirações ao penta.

Teremos de aguardar pelo jogo no Restelo para ver aquilo que Rui Vitória vai apresentar em campo. Se um Benfica em 4-4-3, se um regresso ao 4-4-2, se um Benfica com ou sem João Carvalho no lugar de Krovinovic. Esperemos é que o Benfica mantenha o ímpeto que conseguiu conquistar.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

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João Valente é um apaixonado pela arte do futebol. Nascido e criado durante boa parte do tempo em Lisboa, começou a seguir este desporto com uns tenros quatro anos e, desde então, tem sido um namoro interminável. É benfiquista de gema – mas não um que só vê Benfica à frente! É alguém que sabe ser justo quer o Benfica ganhe ou perca e que está cá para salientar os porquês, na sua opinião, dos resultados. Como adepto de futebol que é não segue só a atualidade do futebol português; faz questão também de acompanhar a par e passo o que de mais importante acontece nos principais campeonatos. A conjugar com o seu interesse pelo futebol, e pela malha, desporto que descobriu porque o seu avô era campeão lá na rua, veio a escrita, forma que encontra de expor os seus pensamentos na esperança de um dia se tornar num grande jornalista de desporto, algo que dificilmente acontecerá mas, tudo bem, ele um dia há-de perceber isso.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.