📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:

«João Pinto? Quem o deixou sair do SL Benfica devia estar preso» – Entrevista BnR com Toni

- Advertisement -

A alcunha de Craque Saloio adivinha-lhe as origens, humildes e rurais, bem a norte do Tejo. Cavalão, como carinhosamente o “Capitão” Mário Wilson o apelidava, revelava a sua capacidade para percorrer os campos a galope. Toni do Benfica denuncia o clube do seu coração e pelo qual somou quase quatro centenas de jogos em 13 épocas de águia ao peito como jogador. Na Luz, orientou inúmeros iluminados, entre os quais João Vieira Pinto e Rui Costa, mas deu-se mal no país da Torre Eiffel. A experiência na Andaluzia foi monocromática, mas atingiria novamente as luzes da ribalta como Príncipe da Pérsia, engrenando o Tractor para o título mais importante da sua história. Numa conversa repleta de mística e carisma, aqui está Toni, em mais uma entrevista exclusiva Bola na Rede.

– As cores do futebol num país a preto e branco –

“O Mário Wilson estava a ver o jogo e fixou-se no número 4”

Bola na Rede [BnR]: Quero começar esta entrevista por dizer-lhe que não vou atrever-me a perguntar por aquele defesa-esquerdo do Tractor…

Toni [T]: Olha que era bom jogador, o Ehsan! Bem ajudou o Queiroz na seleção do Irão!

BnR: “Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal”. Uma vez que nasceu na eira dos terrenos dos seus avós, em Mogofores, pergunto-lhe por mais quantos dias esteve sem chover naquela aldeia.

T: É verdade! Não é do teu tempo, mas ainda que estejas a brincar, foi mesmo na eira que eu nasci. Vivíamos num país a preto e branco, tal como Miguel Torga o referia, um Portugal triste: de muitas carências e dificuldades. Não sei o nome da parteira, mas sei que foi uma aldeã que me ajudou a vir ao mundo. Depois é todo um trajeto feito numa pequena aldeia – que não é bem no interior, está a 25/30 km da costa – mas que tinha uma escola primária, portanto já nos podíamos dar por muito felizes, considerando o índice de analfabetismo que existia à época.

BnR: O que tinha de fazer para conseguir a senha que dava acesso ao campo de futebol do Instituto Salesiano?

T: Portanto, havia a escola e o largo da escola – onde, com as sacolas a fazer de balizas, jogávamos seis contra seis ou cinco contra cinco – e havia o Instituto Salesiano, que era para estudantes que vinham de fora e ao qual não tínhamos acesso. Nós, da aldeia, tínhamos o nosso oratório, São João Bosco – onde jogávamos ao Jogo da Glória, às damas, ping-pong -, que era anexo ao campo do Instituto. Para podermos lá jogar, tínhamos de ir ajudar à missa, em latim, para “conquistar” a senha.

BnR: Se lhe pedir para ajudar à missa, em latim, ainda é capaz?

T: Já não. Nessa altura tínhamos uma folha que nos auxiliava e permitia ir respondendo em função do desenrolar da missa. Curiosamente, quando passei do segundo para o terceiro ciclo, tive de escolher uma alínea que correspondia à área que queria seguir e escolhi a “e)”, que era Direito, e onde uma das disciplinas era Latim; tive Latim, Alemão, História, Português, Filosofia e Organização Política da Nação, que era sobre a Constituição de 1933.

BnR: Vamos a jogo: estreia-se pela equipa sénior do Mogofores, no campeonato da INATEL, com um nome fictício.

T: Salvo erro, em Buarcos. Havia uma equipa da Figueira da Foz que entrava nesse campeonato e, como sabes, os estudantes não podiam entrar nos torneios da INATEL. Mas arranjou-se lá uma trapaça, com o cartão de outro jogador, e joguei um jogo pelo Clube Recreativo e Desportivo de Mogofores.

BnR: O Anadia é que não se deixou enganar.

T: O Anadia é o passo seguinte: havia uns treinos de captação e fui lá com 15 anos, mas não tinha idade suficiente para poder ser inscrito [a idade mínima era 16 anos]. Voltei no ano seguinte e fiz duas épocas nos juniores. Nesses dois anos, tínhamos uma equipa boa, com bons jogadores nos vários setores. É essa equipa, aliás, que frente à Académica, em Coimbra, ganha 3-0, num jogo que o Mário Wilson estava a ver e em que se fixou no número 4, que era eu. Realmente o jogo correu-me muito bem e o “Capitão” pôs-se a caminho de Anadia uns dias depois.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Vangelis Pavlidis abre o marcador com uma grande penalidade e Benfica está a vencer o Estoril Praia

Benfica e Estoril enfrentam-se a partir das 18 horas deste sábado, num encontro válido pela 17.ª jornada da Primeira Liga.

Juventus vê série de vitórias chegar ao fim contra Lecce de Tiago Gabriel

A Juventus empatou 1-1 com o Lecce para a jornada 18 da Serie A. Vecchia Signora podia ter subido ao terceiro lugar.

Benfica com alteração de última hora no onze inicial

O Benfica e o Estoril estão a jogar durante o final de tarde deste sábado, num encontro da 17.ª jornada da Primeira Liga.

Lyon de Paulo Fonseca vence no terreno do AS Mónaco com bis de Pavel Sulc

O Lyon de Paulo Fonseca bateu o AS Mónaco por 3-1 e somou a quarta vitória consecutiva. Pavel Sulc apontou os dois golos da equipa francesa.

PUB

Mais Artigos Populares

Luís Guilherme na chegada a Lisboa para reforçar o Sporting: «Acredito que vou ser campeão»

O extremo brasileiro recentemente adquirido pelo Sporting por cerca de 17 milhões de euros mostrou-se confiante com o futuro em Portugal.

Shabab Al Ahli de Paulo Sousa vence por duas bolas a zero na visita ao Al Jazira

Este sábado, o Shabab Al Ahli viajou até ao terreno do Al Jazira para vencer por três bolas a zero, num jogo a contar para a 11.ª jornada.

Armando Evangelista não descarta regresso a Portugal no futuro: «Há sempre esse desejo de querer voltar»

Armando Evangelista falou com o Bola na Rede sobre vários temas ligados ao seu trabalho no Damac, da primeira divisão da Arábia Saudita. O técnico admitiu que o regresso a Portugal está sempre em cima da mesa.