«Koeman chamou-me e disse “És dos únicos que tem qualidade para estar aqui”» – Entrevista BnR com João Coimbra

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«Acima de tudo, quero continuar ligado ao futebol»

Bola na Rede: Tencionas voltar a Portugal ou achas que a carreira continua por aí?

João Coimbra: Não. Esta época já estou aqui sozinho. A minha família já foi para Portugal porque a minha filha mais velha começou o primeiro ano de escola. O objetivo é agora em maio regressar para Portugal e pensar bem no passo a seguir. Tenho já o primeiro nível de treinador, penso tirar o segundo, tenho também um curso de diretor desportivo, mas acima de tudo, gostava de continuar ligado ao futebol, vai depender muito do que aparecer. Acredito que posso dar muito ao futebol ainda, ainda não sei bem em qual função, mas acredito que tenho atributos que possam ajudar muito em várias funções, mas quero primeiro estar aí, perceber melhor o que posso fazer, mas estou desde já a preparar-me. Quero ir para aí para tirar o segundo nível de treinador, e quem sabe seguir por aí..

Bola na Rede: Andas a explorar…

João Coimbra: Exatamente, ando a ver se alguém me pega (risos).

Bola na Rede: Ainda no início da carreira, no Benfica até, começaste o curso de Medicina, foi difícil conciliar os dois mundos no início? Tencionas continuar na Medicina?

João Coimbra: Foi complicado, por alguma razão só fiz três anos até agora. É um curso extremamente exigente, e depois de três anos parei para dar prioridade ao que sempre gostei, o futebol. Sem dúvida nenhuma, não tinha tempo para nada, era extremamente exigente, não era fácil. Optei pelo futebol, e dificilmente volto a acabar o curso, infelizmente, mas agora também tenho três filhos, acho que ia tirar um pouco da minha vida com os meus filhos. Mas lá está, é chegar a Portugal e ver o que fazer.

Bola na Rede: Umas perguntas rápidas. Tem imensas histórias e treinadores que passaram por ti, qual foi o que mais te marcou?

João Coimbra: É um bocado injusto, foram muitos, tive a felicidade de trabalhar com Koeman, Fernando Santos, com Marco Silva… treinadores com provas dadas. Além disso na formação apanhei grandes treinadores, Chalana… não gosto muito de individualizar. Posso deixar o Marco Silva por ser um amigo de casa e uma pessoa com quem me identifico na forma de trabalhar.

Bola na Rede: Qual foi o jogo/momento que guardas como mais positivo?

João Coimbra: Jogo em Paris e o jogo da subida do Estoril… e na formação claro, ser campeão europeu e nacional. Todos os momentos que acabamos por falar aqui, mas não consigo identificar apenas um. Não é fácil, felizmente estamos a falar de três/quatro momentos que marcaram e, sem dúvida nenhuma, o momento que me estreio. Talvez esse porque corpo o sonho de criança, no jogo com o Setúbal, que entro cinco minutos, toco na bola e o árbitro apito.

Bola na Rede: Trouxeste a bola para casa?

João Coimbra: Não, não.

Bola na Rede: E a camisola?

João Coimbra: Dei à mãe do Bruno Baião no mesmo dia. Lembro-me bem de ter saído do jogo e a primeira coisa que faço é pegar no carro, e ir ter com ela ao café que eles têm. Curiosamente tive de roubar uma camisola aos meus pais. Não tinha uma camisola minha do Benfica. Eu sou assim, dou muito, dou praticamente tudo, e a verdade é que tenho uma coleção de camisolas de jogadores em casa, tenho uma camisola de cada clube que representei, e dei por mim sem nenhuma do Benfica, tive de roubar à minha mãe.

Bola na Rede: Dessas camisolas que guardas de outros jogadores, qual é a mais especial?

João Coimbra: Tenho de colegas de balneário, Rui Costa, Luisão, Simão… colegas que defrontei tenho o Quaresma, um craque, tenho do Djaló, do Moutinho tenho do Porto, do Sporting e da Seleção. Cada uma das camisolas que tenho fazia questão de pedir, craques da bola ou craques meus amigos. Cada uma guardo com muito carinho, aliás, quando saí do Leiria pedi umas seis/sete camisolas porque gostei muito de estar lá, um grupo espetacular, fiz questão de as pedir aos colegas que gostei muito, fiz questão. Portanto, cada uma é importante para mim e guardo com carinho.

Bola na Rede: Algum arrependimento na carreira? 

João Coimbra: Não gosto muito de dizer que me arrependi, se tomei as decisões que tomei é porque na altura pensei que era o mais correto. Mas sem dúvida nenhuma que acredito que a minha ida para o Nacional depois de sair do Benfica acaba por decidir um pouco o resto da minha carreira. Essa época no Nacional não correu como esperava, e na altura, no Benfica o Fernando Santos sai logo no primeiro jogo e o Camacho vê-se quase obrigado apostar nos jovens, como Romeu Ribeiro e assim. Ou seja, senti que se tivesse ficado as coisas podiam ter corrido de outra maneira. Ou se tivesse ido para outro clube, sem ter sido o Nacional. Mas lá está, é o que é, e atribuo a culpa praticamente a mim.

 

João Pedro Gonçalves
João Pedro Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Quem conhece o João sabe que a bola já faz parte dele. A paixão pelo desporto levou-o até à Universidade do Minho para estudar Ciências da Comunicação. Tem o sonho de fazer jornalismo desportivo e viver todos os estádios.

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