Nem sempre vale mais tarde que nunca | Lank Vilaverdense 1-4 SL Benfica B

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Dizem que mais vale tarde que nunca e que nunca é tarde demais. É bonito, é poético, mas, como muitas das coisas bonitas e poéticas deste mundo, nem sempre é verdade. Por vezes, é tarde demais e tarde ou nunca acabam por resultar no mesmo. O Lank Vilaverdense experienciou isso mesmo na partida frente ao SL Benfica B. Aos sete minutos perdia por 0-2, ao intervalo por 0-3 e nem a reação muito positiva no segundo tempo – com um golo apontado, inclusive – foi suficiente para mitigar os danos sofridos (alguns autoinfligidos) na primeira parte.

No momento defensivo, os de Vila Verde cometeram demasiados erros de concentração e, mesmo em momento de organização, demonstraram fragilidades que custam caro na Segunda Liga. No momento ofensivo, a bola parecia queimar em alguns momentos de posse dos da casa. O controlo do meio-campo era aquilo que de bom o Lank ia conseguindo, mas a inversão do triângulo de meio-campo do SL Benfica B retirou esse controlo aos vilaverdenses, que pouco mais conseguiam extrair do jogo.

As entradas, sobretudo, de André Soares e Simon deram um novo alento aos da casa, mas era, de facto, demasiado tarde para recuperar de um 0-3, mesmo frente a uma equipa que, fruto da juventude, apresentou alguma imaturidade na forma como geriu a segunda parte. A história do jogo poderia ter sido diferente se o Lank da segunda parte tivesse existido desde o início, mas a verdade é que a história pode ser reescrita muitas vezes, mas só se escreve uma vez. E a história desta partida teve um desfecho cedo – muito cedo – anunciado.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Este foi o sexto jogo do Lank na Segunda Liga e a sua equipa, além de ainda não ter vencido, ainda só esteve em vantagem dois minutos, dos 90+5´aos 90+7´ do jogo em Viseu. Na partida de hoje, tem uma reação muito positiva no segundo tempo, mas já perdia por 0-3. O que precisa este Lank de fazer para começar a ser mais dono do jogo e colocar-se em posição de superioridade perante o adversário mais tempo?

António Barbosa: Em alguns jogos tivemos ascendente sobre o adversário. Neste jogo, respeitámos em demasia o adversário e demos demasiado espaço. Fomos pouco agressivos e a responsabilidade é só minha. Mas também noto que conseguimos contrariar. Temos que estar mais concentrados, não é aceitável sofrermos golos em situações em que estamos organizados. Cada vez que rematam à nossa baliza está a ser golo.

Outras declarações:

“Fomos muito passivos nos dois primeiros golos”.

“Na segunda parte, mudámos a atitude”.

“Faltou-nos agressividade para ganhar os duelos”.

“A culpa do insucesso é sempre minha”.

BnR: A meio da primeira parte, o SL Benfica B mudou o seu meio-campo para um 2-1, com Hugo Félix na frente de Jevsenak e Muanza, e, mesmo com as peças que foram entrando, esse triângulo não mais se desmontou, quer a atacar, quer a defender (ouvi até Hugo Félix na altura perguntar precisamente se a defender também seria esse o posicionamento). Foi uma reação a um estímulo do jogo em concreto ou, mais do que uma reação, foi uma ação para tentar incutir no jogo algo que não estava a acontecer?

Nélson Veríssimo: Ainda na primeira parte, com uma vantagem de dois golos, sentimos que o Lank estava a explorar espaços no meio-campo que estavam a criar alguns desequilíbrios. Não tínhamos o jogo de meio-campo controlado. Daí invertermos o triângulo defensivo do nosso meio-campo, mas a ideia era, ao atacar, voltar a invertê-lo. Ou seja, a atacar, posicionamento Zan – Muanza e Hugo, mas, no processo defensivo, inverter o triângulo e defendermos com o Muanza e o Zan lado a lado, com o Hugo na frente. Essa foi uma ideia que acabou por ficar até ao final do jogo, porque sentimos que dessa forma conseguíamos controlar melhor o meio-campo e também permitimos aos jogadores estarem em posições com que se identificam mais.

BnR: Depois do primeiro golo, durante os festejos, chamou o Zan Jevsenak em exclusivo para lhe dar indicações. Era algo direcionado a ele ou para ele transmitir à equipa?

Nélson Veríssimo: Quando os nossos centrais tinham bola, o Lank estava a marcar os nossos médios de forma individual. Quando os nossos centrais conseguiam desmontar a pressão feita pelo ponta-de-lança e tinham espaço para progredir, o Zan estava a deslocar-se para esse mesmo espaço e estava a levar com ele a marcação. Nós queríamos precisamente o contrário, que ele fixasse o adversário do lado contrário para o central ter espaço para progredir.

Outras declarações:

“A entrada que tivemos acaba por nos facilitar a vida”.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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