Rafa Silva | No meio está a virtude

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Como é que descreves o desempenho de Rafa neste início de temporada?

 

As qualidades mais vincada de Rafa responsabilizaram-no desde sempre por terrenos mais laterais no ataque ao golo, habituando o público a olhá-lo como um extremo á antiga quando a realidade é muito diferente, como fica definitivamente provado em 2022-23.

Rafael Silva é um prodígio como condutor em zona interior e é por aí que será sempre superlativo e de classe internacional – pelas capacidades excepcionais na recepção orientada e drible, além da velocidade – já que na ala muita da tão necessária liberdade posicional e criativa para potenciar essas características fica limitada.

Até 2022-23, as melhores épocas do português, apoiando-nos na estatística, foram 2015-16 (50 jogos, 12 golos e 9 assistências), 2018-19 (44, 21 e 2) e a época transacta, 2021-22 (45, 12 e 17). Aos 29 anos, está no auge, definitivamente a empregar consistência ao seu jogo e a explorar todo o talento disponível.

Se Roger Schmidt ainda o remeteu para o lado esquerdo do ataque, como um dia fez Bruno Lage com bons resultados, cedo percebeu que não estaria a aproveitar completamente as suas qualidades – assim como as de João Mário, sem o instinto  para ser o 9,5 de serviço – procedendo á troca. Ganharam os dois jogadores, ganhou o SL Benfica e 13 jogos, 13 vitórias.

Jorge Jesus já tinha dado o mote e seguido a deixa de treinadores anteriores. É em zona central que Rafa consegue mais facilmente explodir no assalto á área adversária. O 3-4-3 de 2021-22, foi, até ao despedimento do treinador em Dezembro, um sistema elástico por causa dos intérpretes.

O 3-0 ao Barcelona é construído com o trio Rafa-Yaremchuk-Darwin na frente, com Rafa a ser o alvo na saída rápida – o 3-4-3 facilmente se tornava 3-5-2, com o português a receber de forma prioritária, como um ‘10’, e Darwin a explorar a meia-esquerda.

A fórmula tinha sido experimentada pela primeira vez em Agosto, no jogo em Moscovo frente ao Spartak e até Novembro, altura em que o trio se manteve nas primeiras escolhas em detrimento de Everton, Gonçalo Ramos ou Pizzi. Foi essa dinâmica que possibilitou a passagem à fase seguinte da Liga dos Campeões e a boa sequência no campeonato até á derrocada no final de Dezembro.

Nelson Veríssimo chegou e chamou de volta o 4-4-2, remetendo Rafa ao papel simplista de velocista pela berma. Um erro, falta de visão futebolística, mas perceptível pela prioridade máxima de proteger o conjunto – a ideia foi blindar o coletivo, simplificando processos. Rafa e o seu futebol sentiram a mudança e regressaram á mediania.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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