Publicidade

SL Benfica 1-2 SSC Napoli: Kiev, eu te amo

Pedro Machado · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 2Oito anos depois, uma história tão igual e tão diferente. À semelhança do que aconteceu na última visita do Nápoles à Luz, o Benfica conseguiu o apuramento para a fase seguinte de uma competição europeia (a segunda consecutiva para a Liga dos Campeões, primeira vez na era Champions). O resultado, contudo , foi diferente, e desta vez foram os italianos a sair vitoriosos.

O empate era suficiente para a qualificação dos italianos; porém, isso não os condicionou na prossecução de uma vitória. Nos primeiros minutos exerceram forte pressão sobre a saída de bola do Benfica, que, consentindo, quiçá, ainda, a derrota na Madeira, não soube como responder a isto, sendo obrigado a permanecer no próprio meio-campo. Isto, porém, não trouxe inconvenientes à formação encarnada – não se traduziu em situações reais de perigo nos primeiros 15 minutos.

Nesse período, só na Ucrânia aconteciam coisas desse género. Aos oito minutos, o Dínamo inaugurava o marcador frente ao Besiktas, que qualificava virtualmente ambas as equipas para os oitavos de final.

Festejou-se nas bancadas e a mensagem passou para o campo. Quis-se copiar o Dínamo e houve ocasiões de golo. Primeiro, Callejón, servido por Hamsik, obrigou Ederson a esticar-se; depois, Jiménez, numa incursão desde o lado esquerdo do ataque para o meio, forçou Reina a ir ao chão. Uma demonstração de vida, de alma benfiquista, nos 100 metros do relvado (nas bancadas, essa transbordava). Coisa rara, porém.

O Nápoles voltou a subir as linhas, a sufocar os encarnados, que, impotentes, limitavam-se a ver jogar. Callejón, servido por Hamsik, e Gabbiadini, fugindo aos centrais encarnados, cheiraram o golo, mas Ederson estava atento.
O nulo era lisonjeiro ao Benfica à partida para o intervalo. Valiam as boas notícias da Ucrânia: o Besiktas perdia por 4-0 e estava em inferioridade numérica.

O 12º jogador foi o melhor dos encarnados esta noite
O 12.º jogador foi o melhor dos encarnados esta noite

A segunda parte acentuou a tendência da primeira. Crescia a apatia benfiquista (não conseguia sair) e a genica napolitana (cheia de ideias e planos), que patrocinavam um jogo limitado aos 50 metros do meio-campo encarnado. Faltava apenas astúcia do lado italiano para que o resultado ganhasse cor.

Essa astúcia surgiu quando entrou Mertens para o lugar de Gabbiadini. Três minutos depois, o belga já assistia Callejón para o primeiro golo da noite – o espanhol, fugido aos centrais, isolou-se perante Ederson e picou a bola sobre o brasileiro para inaugurar o marcador.

O Benfica não conseguia mudar o rumo dos acontecimentos (apenas Pizzi, de livre, ameaçou), trancado no seu próprio meio-campo, e o Nápoles ia espreitando oportunidades de dilatar o marcador, algo que aconteceu, de forma natural – Mertens recebeu de Ghoulam (à vontade para circular a bola para a zona central, perante a permissividade de Salvio e Nélson Semedo), driblou Luisão e fez o 2-0.

O Nápoles controlou o resto do encontro, ainda que tenha tido um percalço nos seus intentos, trazido por Albiol. O central espanhol, ao não conseguir aliviar a bola perante a pressão de Jiménez (incansável, o único que não merecia a derrota), deixou-a à mercê do mexicano, que se isolou e não desperdiçou a oportunidade de reduzir a desvantagem encarnada, dando alento às bancadas. O resultado e o jogo, porém, não mudariam até ao final. Felizmente para as cores nacionais, na Ucrânia também não (o Dínamo chegou à meia dúzia).

Ao Benfica valeu Kiev, cidade que foi particularmente querida na fase de grupos desta edição da Champions. Não só pela importante vitória do Benfica diante do Dínamo, mas também pela vitória do histórico clube ucraniano sobre o Besiktas, que lhe deu a passagem à próxima fase.

Sorte? Talvez. Mas factos são factos, e é a partir deles que se criam vencedores. Nessa perspectiva, honra seja feita, pois, a Rui Vitória, que, nas duas primeiras temporadas enquanto técnico encarnado, conseguiu dois apuramentos consecutivos para os oitavos de final da Champions, tornando-se no primeiro treinador a consegui-lo na era Champions, cinco dias antes de enfrentar o seu antecessor, Jorge Jesus, que apenas por uma vez logrou a qualificação ao serviço das águias… Em quatro tentativas.

A FIGURA

Callejón inaugurou o marcador na Luz Fonte: SSC Napoli
Callejón inaugurou o marcador na Luz
Fonte: SSC Napoli

Foi um dos incansáveis da frente de ataque do Nápoles, revelando-se como o mais astuto. Callejón aproveitou cada nesga de espaço para fazer soar alarmes na defesa encarnada, contribuindo de forma importante para remeter o Benfica ao seu meio-campo, fazendo a equipa acreditar na superioridade que, de facto, teve sobre o adversário.

Mereceu o golo que marcou.

O FORA-DE-JOGO

Zona central encarnada foi muito permeável, e Lindelof foi um dos responsáveis Fonte: SL Benfica
A zona central encarnada foi muito permeável, e Lindelof foi um dos responsáveis
Fonte: SL Benfica

A zona central do Benfica foi um autêntica avenida por onde os italianos puderam passear. Parte dessa responsabilidade vai para os centrais do Benfica, nomeadamente Lindelof, demasiado passivo quando se exigia precisamente o contrário face ao atrevimento napolitano.

Deixou fugir Callejón no golo inaugural, numa fiel ilustração da sua exibição: o jogo passou por ele, sem que ele reparasse nisso.

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Fórmula 1

Antevisão GP Singapura: Max Verstappen conquista a 50.ª pole position da carreira

A ANTEVISÃO: MAX VERSTAPPEN CONQUISTA A PRIMEIRA POLE EM SINGAPURA, OS FERRARI PROMETEM DAR LUTA E A MERCEDES FICA AQUÉM DAS EXPETATIVAS Está a ser um fim de semana perfeito para Max Verstappen. Depois da vitória na corrida Sprint, o tetracampeão mundial foi o mais rápido no circuito de Marina Bay e conquistou a sua primeira pole position em Singapura e a 50.ª da carreira na Fórmula 1. Será que o Max Verstappen do final de 2025 está de volta?

Gonçalo Carneiro · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Alexander Bah, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.