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Diamantino, bem ao seu jeito, faz-me duas ou três reviengas antes de conseguirmos marcar a entrevista. Ao fim de alguns whatsapps, lá fechamos a hora e Diamantino atende pontualmente, pronto para desbobinar a cassete das memórias dos tempos de jogador. Sem rodeios ou frases feitas, e com muitas gargalhadas à mistura, Diamantino vai por ali fora sem medo e conta-me os pontos altos da passagem pelo Benfica, a desilusão com a Seleção, a juventude de um miúdo educado mas reguila, cuja referência era Cruyff, terminando com um olhar assertivo e pragmático sobre o que esperar para o futebol português nos próximos tempos.

– Onze épocas à Benfica –

Bola na Rede [BnR]: Tenho que começar por aqui. O meu pai diz que se não te tens lesionado contra o Guimarães antes da final da Taça dos Campeões Europeus [1988], o Benfica tinha ido lá…

Diamantino Miranda [DM]: (risos) É o que toda a gente diz. De tanta coisa boa que fiz, e isso é um elogio claro, uma das coisas que as pessoas mais me dizem quando me veem é “Por causa de si, não ganhámos a Taça dos Campeões Europeus”. Ehehehe.

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BnR: Tu nem jogaste a final e as pessoas dizem-te que a culpa de o Benfica não ter ganho é tua?

DM: Ehehe, é mesmo!

BnR: Foste ver a final a Estugarda?

DM: Sim. Eu lesionei-me no sábado e o jogo foi na quarta-feira. Eles decidiram não me operar logo naquele dia e fui ver a final com a perna engessada. Quando vim de Estugarda fui direto ao hospital para ser operado.

BnR: Como é que se vive uma final daquelas a partir da bancada?

DM: As coisas no futebol, para mim, sempre foram algo efémeras, tanto que em casa não tenho assim nada à mostra, nem camisolas nas paredes. Está tudo no sótão em caixotes. Eu como jogador vivia da mesma maneira: aconteceu, paciência. Se calhar era a época mais consistente que eu estava a ter, ainda por cima naquela idade estava no auge, com 26 ou 27 anos. Até já estava a jogar como médio ofensivo, já tinha deixado os extremos. Estava a ser uma grande época, por isso é que as pessoas diziam que aquilo circulava tudo à minha volta e que se eu tenho jogado tínhamos ganho aquela final.

BnR: Foi o momento mais difícil da tua carreira?

DM: Sim, é possível que sim. Mas não olhei para isso como uma catástrofe enorme que se abateu sobre mim. Aconteceu, foi assim, e realmente teve alguma influência na minha carreira porque naquela altura estive muito tempo parado. Muito tempo não, eu fiz três meses e pouco numa lesão que costuma ser seis ou sete meses. Eu ao fim de três meses e 12 dias estava a jogar, mas foi sobretudo porque eles queriam. Eu só ao fim de um ano, mais ou menos, é que me senti em condições.

BnR: Quem eram os líderes da brincadeira no balneário?

DM: Eu era um brincalhão, o Carlos Manuel também, o Bento. Eu entrei no Benfica em 1977, entrei como júnior mas para os seniores e ainda podia fazer mais dois anos de júnior. Naquela altura era muito difícil entrar numa cabine do Benfica, havia nomes enormíssimos como Toni, Humberto Coelho, Vítor Baptista, Vitor Martins, Zé Henrique. Eu quando fui para lá era um miúdo, não tinha grande moral naqueles primeiros anos (risos). Naquela altura havia hierarquias e mais respeito pelos jogadores mais antigos, hoje já não.

BnR: Em que sentido?

DM: Um exemplo. Quando cheguei ao Benfica, o treino começava com uma corrida de 10/15 minutos à volta do campo. Este aquecimento era feito em grupos de três ou quatro e esse respeito e essa hierarquia viam-se logo aí, porque chegavas nesse ano e ias para último da fila. Ou seja, só ias subindo na fila consoante os anos que fosses ficando. Eu acabei por chegar à primeira fila, foram muitos anos. Quando eu cheguei, os primeiros eram o Humberto, o Toni, os mais antigos no clube.

BnR: Havia quase uma reverência dos recém-chegados relativamente aos mais experientes?

DM: Sim, nessa altura por muito “palhaços” que fossemos não tínhamos a confiança para chegar lá e falar com o Humberto e com o Toni, começar ali a brincar, como eu já apanhei no meu tempo aqueles que vinham dos juniores. Não é que não respeitassem mas não olhavam muito ao estatuto, já vinham dos juniores como craques. Nós não, podíamos ser craques mas mantínhamos ali… eles obrigavam-nos a manter porque não davam muita confiança. Tenho orgulho em dizer que aprendi muito, muito, muito no Benfica, não só como jogador mas também como pessoa, foi uma escola para a vida.

BnR: Final da Taça de Portugal 86/87, fui ver o resultado: Diamantino Miranda 2-1 Sporting. Os teus dois golos são fabulosos. Na tua opinião, qual deles é o melhor?

DM: Eu nesse ano acho que marquei oito ou nove livres diretos. Talvez a jogada do segundo golo, como é uma jogada quase individual, é um passe do Nunes ainda no nosso meio-campo e depois a partir daí é uma jogada completamente individual até ao golo. O primeiro é mais um golo de técnica. Quer dizer, o segundo também (risos). O segundo tem tudo, técnica, velocidade, potência, drible, tem tudo.

BnR: O primeiro drible é qualquer coisa. Tu sentes que o defesa vem nas tuas costas?

DM: Sim, eu costumava fazer muito aquilo. Normalmente eu era marcado muito em cima e por isso costumava olhar antes de receber a bola. Se via que o jogador estava à distância, percebia que, quando o passe fosse feito, ele ia arrancar. Porque naquela altura, se passasse a bola não passávamos nós e eu já sabia que tinha um adversário, caricaturando, tipo touro a ir contra a capa. Fiz muitas vezes aquele tipo de drible mas havia vezes que os defesas chegavam a tempo de me dar uma porrada (risos). Mas aquela saiu bem e ainda bem.

BnR: O livre também é qualquer coisa…

DM: O golo de livre também é um excelente golo porque eu tinha a perceção que os guarda-redes mais experientes, que era o caso do Damas, grande, grande guarda-redes, normalmente tentavam adivinhar os lances. Naquela zona o mais comum era colocar a bola no canto mais próximo por cima da barreira e eu entendi que era isso que o Damas estava a pensar. Quando parto para a bola, vejo o Damas dar um passo para o lado do poste mais perto e acabei por decidir meter a bola no lado dele. Ele quando deu o passo quis recuperar mas já não deu tempo.

BnR: Tu até o cameraman enganas porque ele ainda está a focar-te quando te estás a preparar para bater e de repente já a bola está a entrar.

DM: É, porque nós tínhamos aquele livre estudado. Quando era mais longe da baliza era o Carlos Manuel que marcava e, como aquele era mais perto, fui eu a marcar. O Carlos Manuel preparava a bola e assim que ele tirava as mãos eu rematava. Ele nem sequer recuava, ao tirar as mãos eu marcava logo. Eles eram apanhados desprevenidos porque julgavam que era o Carlos Manuel a marcar e, como ele estava com as mãos em cima da bola, descontraíam um pouco. Fizemos vários golos assim.

BnR: Entrevistei há uns tempos o Álvaro Magalhães, que me disse que se há equipa que sabe jogar no Jamor é o Benfica. Concordas?

DM: É assim, o Benfica sabe jogar no Jamor, pelo menos estou a referir-me mais ao meu tempo e àquelas alturas em que fomos ao Estádio Nacional muitas vezes, eu ganhei cinco Taças de Portugal. Naquela altura o Benfica em cinco finais da Taça ganhava quatro, às vezes mesmo as cinco. Essa coisa do sentir-se bem aqui ou acolá, normalmente associo isso ao valor da equipa. A equipa era melhor, jogava melhor que os outros, normalmente ganhava mais vezes. Associo a isso não só o saber jogar no Estádio Nacional. Por exemplo, estou a recordar-me de 82/83, em que a Federação Portuguesa de Futebol resolveu fazer a final da Taça de Portugal no Estádio das Antas, contra o Porto.

BnR: Que acabou por ser em Agosto não foi? O Eriksson mandou-vos de férias e depois só se jogou em Agosto?

DM: Sim e nós fomos lá ganhar 1-0. Por isso, tem que ver com a qualidade da equipa e não com o campo onde se joga. Agora, se perguntarem a todos os jogadores desse tempo, nós associávamos ao ambiente, à festa. O jogar lá, para mim, continua a ser o jogo mais bonito da época. Aquele Estádio Nacional como está, tenha condições ou não. Nós jogadores gostávamos muito, os do Sporting também e os do Porto só depois é que começaram a criar uma certa aversão ao Estádio Nacional, mas mais por estratégia do que por outra coisa, eu compreendo.

BnR: Como jogador, como é que viveste a chegada de Sven-Goran Eriksson e o que ele trouxe ao clube?

DM: Tenho um sabor agridoce em relação ao Eriksson. A vinda dele para o Benfica revolucionou todo o futebol português. Não foi só o Benfica, foi todo o futebol português e isso percebeu-se na evolução que o nosso futebol teve em termos táticos e de mentalidade. Nós vamos à final com o Anderlecht, depois o Porto vai à Taça das Taças e é campeão europeu…

BnR: Revolução a que nível?

DM: Foi uma revolução em termos de treino. O Eriksson trouxe uma nova metodologia e passamos de um treino convencional para um treino mais específico. Deixámos de correr nas matas, de fazer treinos de conjunto durante duas horas, de andar a correr à volta do campo, subir bancadas. Começámos a fazer um treino que era específico para o futebol e deixámos de fazer o trabalho de força do atletismo. Depois revolucionou em termos mentais. Por exemplo, nós jogávamos em Roma, como jogámos e ganhámos, como se jogássemos em casa contra uma equipa mais acessível do nosso campeonato. Em termos técnicos nós éramos muito bons, só faltava encarar todos os adversários da mesma maneira, sabendo que ganharíamos a maioria dos jogos. E foi o que aconteceu, tanto em Portugal como na Europa.

BnR: Esse trabalho de mentalidade era antes do jogo ou ao longo da semana?

DM: Durante a semana. Nós percebíamos logo à 3ª-feira quem jogava ao domingo. Antes de ele chegar, nós sabíamos os 11 que iam jogar dentro da cabine, uma hora e meia antes do jogo. Com aquele tipo de treino, durante a semana nós percebíamos quem ia jogar porque havia o treino por setores e ele preparava os quatro defesas que iam jogar, os médios e os avançados. Aquilo que ele realmente mudou, e que hoje em dia se chama com aqueles “palavrões” das pressões altas, diagonais interiores e exteriores, nós treinávamos isso já naquela altura. Depois muitos aproveitaram essa metodologia de treino que o Eriksson implementou, até hoje. Em termos de Benfica, outra revolução do Eriksson foi passarmos a ter um jogo muito mais vertical.

BnR: E isso trouxe mudanças nas funções dos jogadores em campo?

DM: Deixámos de ter aqueles médios, e o Alves foi um dos sacrificados nessa altura, ele tinha uma técnica de passe excecional, metia a bola a 40 metros mas o que o Eriksson queria era médios que fizessem o passe e, no tempo em que a bola demorasse a fazer o percurso até ao avançado rececionar a bola, chegassem lá para dar o apoio frontal ao avançado. O Alves era fabuloso nas bolas longas, metia a bola onde queria, tinha uma visão de jogo espetacular mas depois faltava-lhe isso.

BnR: É nessa ótica que começam a chegar os jogadores nórdicos ao Benfica?

DM: É, o Eriksson optou por um sueco chamado Stromberg, que não tinha nada a ver em termos técnicos com o Alves. Mas para aquilo que o Eriksson queria, era um jogador muito mais útil que o Alves. E era este tipo de futebol que ele queria, a pressão alta, o criar zonas de pressão.

BnR: Com resultados satisfatórios?

DM: Foi por isso que o Benfica, além de ter uma grande equipa, os resultados quando o Eriksson chegou eram oito ao Guimarães, sete ao Braga, oito ao Penafiel, nove ao Marítimo e por aí fora. O Eriksson deve ter sido o primeiro treinador em Portugal a usar vídeos. Havia cassetes de VHS e acho que era o Prof. Jorge Castelo que filmava os jogos e depois tirava 10 minutos do jogo do adversário, das jogadas padrão, das movimentações, das características individuais de cada jogador. Nós já víamos isso em ’82 e depois era o Toni que normalmente falava 2/3 minutos sobre a equipa adversária, porque era ele que tinha o conhecimento, o Eriksson não sabia nada de Portugal.

BnR: Como eram as palestras dele antes dos jogos?

DM: Era só “Joguem aquilo que treinámos, divirtam-se”. E pronto. Mas nós treinávamos era muito especificamente, coisa que os outros ainda não faziam, bolas paradas, aqueles movimentos sem bola que hoje em dia se treina, desde a bola a sair do guarda-redes. Aquilo que se chama hoje o jogo de posição, nós já fazíamos isso, não tinha era esses nomes. Nós sabíamos quando a bola estava no Pietra, qual era a movimentação que o médio direito tinha que fazer para o médio centro entrar nas costas do extremo que baixava. Eram dois pontas-de-lança, um deles deslocava-se para o corredor da bola e o outro ia para receber na frente, porque se a bola fosse mais alta ele estava lá para receber e o outro rodava para fazer o apoio frontal. Tudo isso já nós fazíamos nessa altura e o Eriksson foi o grande implementador dessa filosofia e dessa metodologia de treino.

BnR: Porque falavas então em agridoce?

DM: Porque depois ele volta em 1990, a seguir à minha lesão, eu faço um ano e saio no ano a seguir, já não fiz o segundo ano com ele. Ele marcou muito a minha geração e teve muito a ver com a evolução que o futebol português teve nessa altura em termos europeus. Basta dizer que depois Portugal vai ao seu primeiro Europeu em ’84 e vai ao Mundial em ’86.

Fonte: Museu Benfica – Cosme Damião

BnR: Qual foi o jogo com o melhor ambiente no Estádio da Luz?

DM: Aquele jogo que marca mais é a meia-final com o Steaua de Bucareste [1988], onde se fala entre 120 a 140.000 pessoas, na altura ainda não havia cadeiras. Esse foi o jogo que me marcou mais em termos emocionais porque dava acesso a uma final, final que afinal eu acabei por não jogar (risos). Mas correu-nos muito bem, foi um grande jogo.

BnR: Que memórias tens desse jogo?

DM: Havia sempre o ritual do capitão vir primeiro, espreitar no cimo do túnel o ambiente do estádio e gritar lá para baixo para o pessoal. E eu lembro-me de vir cá acima, meter assim a cabeça para espreitar e comecei a chorar. Gritei para a malta subir, nós fazíamos o percurso do estádio ao lado do terceiro anel para cumprimentar o Presidente. Atravessávamos o campo até à linha lateral do lado contrário, que era onde ficava o camarote presidencial, e íamos aí fazer a vénia. Eu lembro-me de percorrer esses 65 metros, nós sprintávamos e lembro-me de começar a chorar desde o túnel até ao lado de lá, fazer a vénia a chorar e só parei de chorar quando foi aquele ritual da moeda ao ar.

BnR: Emocionaste-te com o ambiente que estava no estádio?

DM: Só quem vive aquele jogo, e lá em baixo no campo, é que percebe o que aquilo é. Não tem nada a ver com o estar na bancada, aquilo era um barulho, uma festa e eu não me aguentei.


BnR: O Nuno Gomes há pouco tempo disse que havia muitos jogos que o Benfica começava a ganhar no túnel.

DM: Era tudo. Por exemplo, um jogo normal naquela altura, com o Salgueiros ou com o Rio Ave, que hoje até tem mais expressão do que naquela altura, tinha 40 ou 50.000 pessoas. Hoje há esses números porque têm os lugares cativos, levam os carros para dentro do estádio e tal, naquela altura não. Naquela altura iam a pé desde o Jardim Zoológico até ao estádio, era muito mais difícil. E as pessoas iam, fosse contra quem fosse, porque já sabiam que normalmente o Benfica ia ganhar, só não sabiam era por quantos. Então, era mais difícil cativar as pessoas para irem ao estádio. Sobre o ganhar antes, era um bocado verdade nessa altura, porque eu lembro-me muitas vezes de as equipas estarem perfiladas e os adversários começavam a olhar para as nossas pernas, para as botas, as caneleiras (risos). E logo aí percebíamos o terror que era para eles jogarem no Estádio da Luz. Havia jogadores que quebravam quando lá entravam, jogadores com valor. Ainda hoje falamos disso e eles recordam esses tempos “Epá, aquilo era uma coisa… Nós queríamos mas as pernas não davam, ficavam presas ao chão”. E era verdade.

BnR: Em 2007 treinavas o Varzim na 2ª Liga e eliminaste o Benfica da Taça de Portugal, na Póvoa. Como motivaste os jogadores para este jogo?

DM: Eu cheguei ao Varzim nessa semana na 3ª-feira e o jogo era no sábado. O Varzim tinha 14 ou 15 jogadores só, porque tinham jogado em Guimarães e tinham sido dois expulsos, para além de ter três ou quatro lesionados. E tinha dois dos jogadores mais conhecidos, o Alexandre, que era aquele capitão de cabelo comprido, e um angolano que esteve no Belenenses e no E. Amadora, o Mendonça…

BnR: Lembro-me bem, o Mendonça marcou o golo da vitória.

DM: Exatamente. Eles não jogavam há muitos meses e eu apostei neles. Vou buscar também um rapaz que era contabilista, pertencia ao plantel mais porque ajudava o clube na contabilidade, o Yazalde, que depois jogou no Rio Ave e o Neto, que agora está no Sporting, também foi para o banco nesse dia.

BnR: Como é que preparaste a equipa?

DM: Fizemos apenas 5/6 treinos de adaptação às posições. A única coisa que eu disse foi a um jogador que era o Tito, fortíssimo e razoável tecnicamente, era aquele típico jogador daquela zona de pescadores, rude e forte. Eu disse-lhe “O Rui Costa não pode tocar na bola”. Lembro-me que o Benfica não perdia há 13 jogos e nós fizemos uma exibição muito boa, mesmo com o Benfica a jogar com a equipa completa, foi uma vitória merecida. Claro que se o Benfica tivesse no seu melhor ganharia com certeza. Eu joguei um pouco com isso, com a experiência que tinha destes jogos. Muitas vezes pode-se ser bom treinador mas, não tendo estas experiências, não consegues transmiti-las aos jogadores.

BnR: Por exemplo?

DM: Olha, dei-lhes um exemplo de um jogo meu enquanto jogador. Tínhamos ido jogar ao Cartaxo para a Taça de Portugal, era um campo pelado, pequeno, difícil. Mas o Cartaxo era da 3ª Divisão e nós éramos o Benfica que tinha vindo de finais europeias. Mas para eliminar o Cartaxo tivemos que jogar um segundo jogo em casa porque empatámos 0-0 lá. E a mensagem que eu quis passar foi que o 0-0 no Cartaxo aconteceu porque fomos lá jogar demasiado descontraídos, a dar como garantida a vitória. Quando demos por nós, íamos sendo eliminados pelo Cartaxo. Por isso eu disse-lhes que de certeza que o Benfica está a vir aqui cheio de moral porque não perde há 13 jogos e nós vamos aproveitar isso.

BnR: Qual foi o sentimento de eliminares o Benfica?

DM: Igual àquele que tive quando não joguei aquela final (risos). São jogos, podia ser o Sporting, o Porto, o Tondela, indiferente. Agora, para qualquer treinador profissional, aquilo que mais satisfaz é, sem as armas dos outros, conseguires ganhar. Era um jogo de futebol, sou profissional e queria ganhar o jogo. Não foi um sentimento especial. Aliás, no Vitória de Setúbal ganhei ao Benfica duas vezes, uma como jogador e outra como treinador-adjunto.

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