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5 jogadores que deram pequenos passos atrás para dar o salto depois

Inês Figueiredo Mendanha · 6 min

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Nos últimos anos, assistimos a uma crescente aposta dos clubes portugueses na formação, nomeadamente nos “três grandes”, o que se tem revelado uma aposta certeira, tendo em conta a quantidade de diamantes em bruto de jogadores que aparecem nas camadas jovens das equipas portuguesas. No entanto, como seria expectável, por cada craque que emerge, também há uns quantos que, por dificuldades de adaptação ou falta de oportunidades, não conseguem explodir na equipa principal do seu clube.

Felizmente, esses jogadores têm sabido não insistir no erro de permanecer no seu clube de formação sem jogar, tendo a coragem de abraçar um novo desafio, num clube mais “pequeno”, mas que lhes oferece um recomeço e uma larga margem de progressão. Essa confiança depositada gera jogadores absolutamente indispensáveis nessas equipas, que coleccionam boas exibições, boas épocas e em última análise, títulos, sendo logo apontados a voos mais altos. Adaptando as palavras imortais de Neil Armstrong quando pisou a Lua, em 1969, a uma situação futebolística: é um pequeno passo atrás para dar um salto gigante para a frente na carreira destes jogadores. Falemos então, de cinco corajosos jogadores nestas condições.

5.

Gelson Dala – Deve ter sido a melhor prenda de Natal dos adeptos do Rio Ave FC. O jovem angolano procura a afirmação no futebol português e por isso, voltou no mercado de Inverno a uma casa de conhece bem: esta é já a sua segunda passagem por Vila do Conde, uma vez que já em 2018/2019 e na época anterior envergou a camisola dos rioavistas. Dividindo a formação por entre o CD Primeiro de Agosto e Sporting CP, este jovem avançado já encantou nas camadas jovens dos seus clubes de formação e procura agora uma oportunidade na equipa principal do Sporting, mas para isso, tem de ter minutos e ganhar experiência, sendo essa a justificação para os sucessivos empréstimos. Gelson não tem feito por menos: as suas exibições, recheadas de magia, explosão e matreirice são coroadas com golos, uma vez que já leva quatro, nos oito jogos que realizou. Deve ter uma das melhores médias de golo na Primeira Liga. O valor do jovem é indiscutível; creio ser uma questão de tempo, até ser aposta na equipa principal do Sporting. Até lá, vai aprendendo com o mister Carvalhal, e ganhando os minutos e a confiança de que precisa para completar o seu crescimento enquanto jogadores.

4.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Pêpê Rodrigues – Pedro Rodrigues, Pêpê no mundo do futebol, é para mim, uma das boas surpresas deste campeonato, embora a qualidade do jovem médio do Vitória não seja novidade. Formado no SL Benfica, desde muito cedo provou ser o cérebro e a âncora do meio-campo, uma excelente combinação para um médio-defensivo; com uma excelente leitura de jogo, Pêpê tanto tranca a defesa, como sai a jogar, executando ambas com uma facilidade espantosa. Creio que o que mais me surpreendia nos seus jogos pela equipa B dos encarnados, era a elegância e a tranquilidade com que era dono do meio-campo.

Ora, num país onde o futebol tem tendência a virar rugby, jogadores com a leveza deste viseense são uma lufada de ar fresco; infelizmente, por destoarem tanto, são incompreendidos com frequência e acabam por ter poucas oportunidades em equipas onde assentariam como uma luva. Foi isso que tramou a afirmação de Pêpê na equipa principal, juntamente com o vasto leque de opções para a sua posição. Acabou por ser emprestado ao GD Estoril Praia, em 2017/2018, onde cresceu e ganhou os minutos que não lhe deram em Lisboa. Na época seguinte, novo empréstimo, desta feita ao Vitória SC, onde pegou de estaca e “obrigou” o clube a adquirir o seu passe em definitivo, para esta época. Tem sido o patrão no meio-campo dos vimaranenses (como podia ser nos encarnados) e à segurança que já lhe era característica, ganhou confiança para se chegar à frente e fazer golo, contando já quatro, nos quase 40 jogos realizados. Com muita pena minha, a saída do SL Benfica foi um passo em frente na carreira de Pêpê.

3.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Ricardo Esgaio – Será um dos casos mais flagrantes do fenómeno de que este artigo trata. Formado no Sporting CP, aonde chegou com 12 anos e onde jogou outros 12, Esgaio começou por jogar em terrenos mais avançados, a extremo-direito, o que lhe concedia uma veia goleadora bem acima da média para a posição que ocupava. Com o passar do tempo (e como acontece nos ditos clubes grandes, onde quando falta um lateral, adapta-se um extremo), foi recuando no terreno, passando a jogar maioritariamente como lateral-direito e ganhando assim uma voz de liderança na equipa, envergando a braçadeira de capitão. Ainda assim, nunca foi uma verdadeira aposta na equipa principal do Sporting, e ao sentir que precisava de minutos para completar a sua aprendizagem como jogador, saiu para o SC Braga, em 2017/2018 e desde aí, tornou-se peça fundamental para os guerreiros; aprimorou as capacidades defensivas e de entreajuda, tornou-se mais esclarecido, mais estável, tornou-se em última análise melhor jogador. Isso não seria possível, caso tivesse continuado no seu clube de formação, sem os minutos e a experiência que os guerreiros lhe ofereceram. Ainda bem que Esgaio soube dar ouvidos ao velho ditado: “quem não arrisca, não petisca”.

2.

João Carlos Teixeira – Esta tem sido a época de afirmação de João Carlos Teixeira, aquela em que realmente faz jus ao número 10 com que joga. Leva já 10 golos esta temporada, sendo uma das mais profícuas em termos individuais; tem, aliás, sido a figura dos vimaranenses nesta retoma do campeonato, onde em ambos os jogos, os seus golos valeram pontos à equipa. Mas a explosão deste médio-ofensivo levou tempo e muito trabalho que é importante aqui recordar. João Teixeira fez a sua formação no Sporting CP.

As suas exibições e qualidade fizeram soar o radar do Liverpool FC, que tratou de o vir buscar em 2011/2012, tinha então 18 anos. Na sua passagem por terras de Sua Majestade, oscilou entre a equipa sub-21 dos Reds, empréstimos a equipas de divisões inferiores e culminou na temporada de 2015/2016 com a sua integração na equipa principal do Liverpool, onde fez um golo em sete jogos. Nunca se adaptou totalmente, e acabou por não ter tantos minutos como certamente desejaria. Regressou a Portugal na época seguinte, para envergar a camisola do FC Porto, onde também pouco jogou, acabando por ser emprestado ao SC Braga na época seguinte; nos bracarenses, já somou os minutos que procurava. Acabou por chegar ao Vitória na época passada, onde após esse ano de adaptação, é neste momento, a figura da equipa. João Teixeira saiu muito cedo para um colosso europeu, e acabou por não ter o crescimento esperado. Felizmente, agora temo-lo jogador feito, a encantar os adeptos vimaranenses e adeptos de futebol em geral; a qualidade esteve sempre lá, mas só agora despontou.

1.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Fábio Cardoso – Pessoalmente, considero Fábio Cardoso um dos melhores defesas-centrais a actuar em Portugal. Por isso mesmo, é o exemplo mais gritante, de um jogador que não pega num “grande”, mas explode num ”pequeno”.  O aguedense, que fez toda a sua formação no Benfica teve o infortúnio de ascender à equipa principal numa altura em que os encarnados apostavam pouco na formação e tinham centrais de classe mundial. Face aos escassos minutos que teria, Fábio Cardoso foi emprestado por duas épocas ao FC Paços de Ferreira, onde foi ganhando a experiência e maturidade que lhe faltavam.

Jogou também no Vitória FC e aventurou-se no estrangeiro, no Rangers FC. Voltou na época passada a Portugal, para representar o recém-promovido CD Santa Clara e rapidamente se tornou no pilar da defesa açoriana. Além da consistência defensiva, pautada por um excelente posicionamento e capacidade de desarme, mostrou ter capacidade técnica para sair a jogar e revelou ser um defesa-central com golo, ao apontar seis tentos nos 31 jogos que efectuou. As suas exibições valeram muitas capas de jornais, a apontá-lo aos “grandes”. Este ano, Fábio Cardoso continua a dar cartas; assentou que num uma luva aos açorianos, onde até é capitão de equipa, mas sem dúvida que parece estar talhado para voos mais altos. E quando se olha para os buracos na defesa do seu clube de formação… Fábio, o bom filho a casa torna.

Inês Figueiredo Mendanha

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