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O Estádio Cidade de Coimbra era, minutos antes do Académica OAF – FC Arouca, um polo, à volta do qual gravitavam saudades. Saudades de ver a Briosa jogar no seu estádio (há um mês que não o fazia) e saudades, sobretudo, de um triunfo caseiro, que escapava desde 25 de abril.
Essas saudades foram, com o decorrer do jogo, transformadas em ansiedade. A ansiedade dos adeptos… e dos jogadores por um golo que não dava sinais de chegar, tão poucas que foram as oportunidades criadas durante o primeiro tempo.
De facto, só Jean Filipe e Romário Baldé ameaçaram, com remates de longe, as redes de um Arouca bem organizado defensivamente, mas com pouca capacidade para se esticar no terreno e adensar as dúvidas da Briosa, relativamente à sua capacidade de vencer no seu reduto.
A boa organização defensiva do Arouca e a ansiedade da Académica fizeram com que o 0-0 ao intervalo fosse um resultado condizente com a inoperância ofensiva que se fez sentir no terreno de jogo.

Fonte: Bola na Rede
Porém, na segunda parte, tudo mudou. A Académica livrou-se do peso da ansiedade e o Arouca não teve medo de procurar a felicidade. O jogo abriu e o golo não tardou a aparecer. Numa transição ofensiva guiada por Romário Baldé, Joel apareceu na linha de fundo e assistiu Djoussé, que, no coração da área, não enjeitou a oportunidade de inaugurar o marcador.
A Académica libertou-se da pressão e passou a perfumar o Estádio Cidade de Coimbra com bom futebol. A bola era recuperada de forma aguerrida em zonas altas do terreno e a construção ofensiva que se sucedia salpicava toda a largura do terreno. Era a Briosa a comportar-se como a candidata à subida que todos esperavam ver, desde o mais frio dos analistas ao mais quente dos adeptos.
O segundo golo da Académica foi consequência natural deste contexto: Reko materializou essa superioridade com um remate de fora de área, na sequência de um lance bem trabalhado, que começou em Baldé, no lado esquerdo, e terminou no pontapé do ex-Gil Vicente, sobre a direita.
O Arouca tentou reagir, com Bertaccini a revelar-se como o mais inconformado, mas o italiano não conseguiu mais do que dois remates desenquadrados com a baliza de Peçanha. Os lances mais perigosos até pertenceram à Académica – Guima e Zé Castro ‘flirtaram’ com o golo, mas nada se consumou e o resultado ficou-se pelos 2-0.
No fim do encontro, já não gravitavam saudades em torno do Estádio cidade de Coimbra. Apenas rostos abertos de felicidade… e alívio pelo regresso às vitórias.
ONZES INICIAIS:
Académica OAF: Peçanha, Brendon, Yuri Matias, Zé Castro, Joel; Ricardo Dias, Junior Sena (Saldanha 90’), Reko (Mike 92’), Jean Filipe; Romário Baldé e Djoussé (Guima 84’)
FC Arouca: Rui Vieira, Oleques, Massaia, Deyvison, Kiko; Ericson (Malele 60’), Didi, Bruno Alves; Adílio, Bukia (Bertaccini 76’) e Fábio Fortes (Arteaga 82’)
FIGURA:

Reko – No primeiro tempo, destacou-se pelo contributo defensivo, impedindo que o Arouca subisse no terreno. Na segunda parte, alargou a sua esfera de influência ao ataque e a Académica tornou-se mais afoita na procura do golo. É nele que começa a transição ofensiva do primeiro golo e é ele que assina o segundo.
FORA DE JOGO:

Oleques – É certo que apanhou pela frente um Romário Baldé dificílimo de “domar”, mas a verdade é que a sua passividade também contribuiu para que a Académica crescesse no jogo durante a segunda parte – ambos os golos da Briosa surgiram do seu lado.
CONFERÊNCIA BnR:
FC Arouca
BnR: A equipa estava numa sequência de boas exibições. Até que ponto é que isso poderá ter implicações anímicas na equipa?
Quim Machado, treinador do FC Arouca: Disse aos meus jogadores que era importante dar sequência às exibições dos últimos jogos. Na primeira parte entrámos bem, mas na segunda parte não fomos nós. Perdemos meio jogo.
Mas penso que isso não terá consequências anímicas. Simplesmente há jogos que não saem bem.
Vamos dar uma resposta já no próximo jogo.
Académica OAF:
BnR: A Académica conseguiu o terceiro jogo consecutivo sem sofrer golos. Quão importante foi a reintegração de Zé Castro para que isto fosse alcançado?
O Zé tem grande classe, traz qualidade extra. É um miúdo [risos] muito humilde, sabe reconhecer os erros e fico muito contente por ter regressado à Académica e por eu ter contribuído para isso.
Por outro lado, tenho de acrescentar que houve outras alterações no meio-campo, no ataque e nas dinâmicas da equipa que contribuíram para que tivéssemos esta qualidade.
Estou feliz pelo contributo dele, mas também pelo que os outros fizeram.
Foto de Capa: Bola na Rede









