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Segunda Liga, Freamunde, 93 minutos, milhares na expetativa para que Jorge Sousa apite para o final da partida. Mas… Eis que surge André Carvalhas. O jovem jogador formado pelo Sport Lisboa e Benfica, num momento digno de figurar nos livros de história do futebol nacional, aponta um glorioso golo que coloca o Tondela na Primeira Liga. Começava assim uma aventura sem precedentes na história do futebol português. Uma história com lágrimas, percalços, momentos tristes mas com um final feliz. Aliás, com dois finais felizes. E o Tondela como protagonista maior de um filme que não cairá no esquecimento de ninguém.
Take 1
Em Tondela morava uma equipa moralizada com o final de época anterior. Vítor Paneira, homem que conhecia os cantos da casa, partia como ator principal para levar uma inexperiente equipa tondelense à permanência na primeira liga. Nos primeiros sete jogos, apenas uma vitória. O ator que poderia ser figura principal passou a secundário mesmo sendo responsável por um futebol agradável, de posse. Era a altura de sair de cena Vítor Paneira para entrar Rui Bento.

Fonte: Facebook Oficial CD Tondela
Rui Bento chegou, viu… e não venceu. Foram sete jogos sem qualquer vitória. O filme do Tondela que já estava difícil com muito sangue, suor e lágrimas previa-se ainda mais complicado. Em Tondela parecíamos assistir a um dos muitos filmes de Tarantino e caso não estivéssemos a falar de futebol, poderíamos muito bem estar a falar de um filme do astro do cinema americano. O cenário era terrífico. 14 jornadas, uma vitória, dois empates e onze derrotas. Rui Bento era o próximo a sair de cena. Quem viria para salvar a honra do convento? Ou melhor, a honra do Tondela. Já lá vamos.
Take 2
Armando Gonçalves Teixeira, ou vulgarmente Petit, bem podia ser o D. Sebastião de Tondela. Petit tem um dom natural que o faz ser sempre personagem principal da primeira liga. Petit estava num cenário negro. Juntamente com os seus fiéis soldados via batalhões a aproximarem-se mas lá se foi aguentando e aguentando, até se restituir e acumular forças para enfrentar tudo e todos. O futebol não era o mais famoso, não era agradável ver o Tondela a jogar, mas o espírito de luta e de combate faziam valer a pena, fazia com que os guerreiros das beiras merecem-se lutar, dignamente, até final.

Primeiro, ganha no Dragão, depois ganha em casa contra o igualmente aflito, União da Madeira, ganha em Setúbal, empata contra o Rio Ave, goleia na capital do Móvel e em casa, quando nada o fazia prever, quando tudo e todos já davam o Tondela como vencido na luta pela permanência, eis que surge D.Petit, liderando a sua armada, rangendo os dentes e vencendo a Académica em casa. Chegávamos assim ao final do primeiro filme. Um drama com final feliz.
Take 3
Depois de uma brilhante ponta final do campeonato, D. Petit seria a escolha dos responsáveis do Tondela para a nova época. A ideia era de que o campeonato seria mais fácil, com menos batalhas complicados e com menos motivos para surgirem problemas cardíacos.

Mas, como diz o locutor, “Ponham o comprimido debaixo das línguas”, esta temporada seria idêntica à anterior mas com níveis de adrenalina ainda maiores. 20 jogos depois do início da temporada, os adeptos beirões começavam a perceber que a temporada ia ser igualmente dura com o cenário de permanência do clube a ser ainda mais improvável, dessa vez. Não havia mais nada a fazer. D. Petit era , por esta altura, só Petit e estava de saída do clube.
Take 4
Era necessário alguém arrojado. Alguém com uma proposta de jogo agradável, que fizesse os adeptos voltarem a acreditar, a acreditar num sonho que parecia não passar de isso mesmo. Pedro Miguel Filipe, ou Pepa, como preferirem, era o general convocado a embarcar em nova armada por caminhos de Portugal. Os primeiros jogos quase confirmavam o Tondela como condenado à descida. Muitos não acreditavam que não seriam possível novo milagre. Muitos diziam que a descida era uma realidade que os beirões não podiam fugir. Mas em Tondela, em Tondela acredita-se até ao fim. E Pepa e os seus jogadores, acreditaram até ao fim. Devagar, de mansinho, o Tondela foi vencendo, foi-se chegando perto dos opositores. Ao longe, ouviam-se os passos de uma verdadeira armada, sedenta de pontos.

E o Tondela foi-se chegando e chegando, o sonho passou a ganhar ainda mais cor, o sonho passou a estar cada vez mais perto da realidade. De um momento para o outro, o Estádio João Cardoso, pareceu ter-se tornado num forte inabalável. Lá, só podia haver um vencedor. Chegávamos ao fim do campeonato. O jogo era difícil, o cenário ainda era complicado, mas para o Tondela não há impossíveis. De novo, parecíamos estar num filme de Tarantino. O Tondela que precisava de vencer e de que o Arouca perdesse, conseguiu escrever mais uma bonita página no livro de história do campeonato português.
No final de mais uma sequela, correm lágrimas de felicidade em todos os adeptos do clube. De um clube repleto de finais felizes. De um clube capaz de todas as façanhas, de um clube nascido para isto. Resta agora saber se para o ano a história será igual. Se será menos dramática e mais calma. É que os adeptos do Tondela já se queixam do coração. Para o ano, há mais primeira liga para o Tondela!
Foto de Capa: CD Tondela













