Publicidade

CD Tondela: Histórias com final feliz

Emanuel Melo · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Nacional

Segunda Liga, Freamunde, 93 minutos, milhares na expetativa para que Jorge Sousa apite para o final da partida. Mas… Eis que surge André Carvalhas. O jovem jogador formado pelo Sport Lisboa e Benfica, num momento digno de figurar nos livros de história do futebol nacional, aponta um glorioso golo que coloca o Tondela na Primeira Liga. Começava assim uma aventura sem precedentes na história do futebol português. Uma história com lágrimas, percalços, momentos tristes mas com um final feliz. Aliás, com dois finais felizes. E o Tondela como protagonista maior de um filme que não cairá no esquecimento de ninguém.

Take 1

Em Tondela morava uma equipa moralizada com o final de época anterior. Vítor Paneira, homem que conhecia os cantos da casa, partia como ator principal para levar uma inexperiente equipa tondelense à permanência na primeira liga. Nos primeiros sete jogos, apenas uma vitória. O ator que poderia ser figura principal passou a secundário mesmo sendo responsável por um futebol agradável, de posse. Era a altura de sair de cena Vítor Paneira para entrar Rui Bento.

Os adeptos beirão estiveram desde o início do lado da equipa. São eles, uns dos responsáveis pelos dois milagres consecutivos deste Tondela Fonte: Facebook Oficial CD Tondela
Os adeptos estiveram desde o início do lado da equipa. São uns dos responsáveis pelos milagres consecutivos deste Tondela
Fonte: Facebook Oficial CD Tondela

Rui Bento chegou, viu… e não venceu. Foram sete jogos sem qualquer vitória. O filme do Tondela que já estava difícil com muito sangue, suor e lágrimas previa-se ainda mais complicado. Em Tondela parecíamos assistir a um dos muitos filmes de Tarantino e caso não estivéssemos a falar de futebol, poderíamos muito bem estar a falar de um filme do astro do cinema americano. O cenário era terrífico. 14 jornadas, uma vitória, dois empates e onze derrotas. Rui Bento era o próximo a sair de cena. Quem viria para salvar a honra do convento? Ou melhor, a honra do Tondela. Já lá vamos.

Take 2

Armando Gonçalves Teixeira, ou vulgarmente Petit, bem podia ser o D. Sebastião de Tondela.  Petit tem um dom natural que o faz ser sempre personagem principal da primeira liga. Petit estava num cenário negro. Juntamente com os seus fiéis soldados via batalhões a aproximarem-se mas lá se foi aguentando e aguentando, até se restituir e acumular forças para enfrentar tudo e todos. O futebol não era o mais famoso, não era agradável ver o Tondela a jogar, mas o espírito de luta e de combate faziam valer a pena, fazia com que os guerreiros das beiras merecem-se lutar, dignamente, até final.

Fonte: Domínio de Bola
Fonte: Domínio de Bola

Primeiro, ganha no Dragão, depois ganha em casa contra o igualmente aflito, União da Madeira, ganha em Setúbal, empata contra o Rio Ave, goleia  na capital do Móvel  e em casa, quando nada o fazia prever, quando tudo e todos já davam o Tondela como vencido na luta pela permanência, eis que surge D.Petit, liderando a sua armada, rangendo os dentes e vencendo a Académica em casa. Chegávamos assim ao final do primeiro filme. Um drama com final feliz.

Take 3

Depois de uma brilhante ponta final do campeonato, D. Petit seria a escolha dos responsáveis do Tondela para a nova época. A ideia era de que o campeonato seria mais fácil, com menos batalhas complicados e com menos motivos para surgirem problemas cardíacos.

Fonte: bomdia.eu
Fonte: bomdia.eu

Mas, como diz o locutor, “Ponham o comprimido debaixo das línguas”, esta temporada seria idêntica à anterior mas com níveis de adrenalina ainda maiores. 20 jogos depois do início da temporada, os adeptos beirões começavam a perceber que a temporada ia ser igualmente dura com o cenário de permanência do clube a ser ainda mais improvável, dessa vez. Não havia mais nada a fazer.  D. Petit era , por esta altura, só Petit e estava de saída do clube.

Take 4

Era necessário alguém arrojado. Alguém com uma proposta de jogo agradável, que fizesse os adeptos voltarem a acreditar, a acreditar num sonho que parecia não passar de isso mesmo. Pedro Miguel Filipe, ou Pepa, como preferirem, era o general convocado a embarcar em nova armada por caminhos de Portugal. Os primeiros jogos quase confirmavam o Tondela como condenado à descida. Muitos não acreditavam que não seriam possível novo milagre. Muitos diziam que a descida era uma realidade que os beirões não podiam fugir. Mas em Tondela, em Tondela acredita-se até ao fim. E Pepa e os seus jogadores, acreditaram até ao fim. Devagar, de mansinho, o Tondela foi vencendo, foi-se chegando  perto dos opositores. Ao longe, ouviam-se os passos de uma verdadeira armada, sedenta de pontos.

Fonte: Diário das Beiras
Fonte: Diário das Beiras

E o Tondela foi-se chegando e chegando, o sonho passou a ganhar ainda mais cor, o sonho passou a estar cada vez mais perto da realidade. De um momento para o outro, o Estádio João Cardoso, pareceu ter-se tornado num forte inabalável. Lá, só podia haver um vencedor. Chegávamos ao fim do campeonato. O jogo era difícil, o cenário ainda era complicado, mas para o Tondela não há impossíveis. De novo, parecíamos estar num filme de Tarantino. O Tondela que precisava de vencer e de que o Arouca perdesse, conseguiu escrever mais uma bonita página no livro de história do campeonato português.

No final de mais uma sequela, correm lágrimas de felicidade em todos os adeptos do clube. De um clube repleto de finais felizes. De um clube capaz de todas as façanhas, de um clube nascido para isto. Resta agora saber se para o ano a história será igual. Se será menos dramática e mais calma. É que os adeptos do Tondela já se queixam do coração. Para o ano, há mais primeira liga para o Tondela!

 

Foto de Capa: CD Tondela

Emanuel Melo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.