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Estrelas cadentes?

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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O caminho percorrido é geralmente no mesmo sentido e desde cedo despertam o interesse de múltiplas partes. É assim o início da história da maior parte das promessas portuguesas nos dias de hoje. Assumem o seu espaço debaixo dos holofotes ainda nas camadas jovens, acumulam presenças ao longo dos escalões da seleção nacional e não demoram a integrar os treinos da equipa principal e a sua convocatória.

O rácio entre população total e população com aptidão para a prática do desporto, e do futebol em particular, está ainda por explicar em Portugal. É deveras impressionante a quantidade de atletas selecionáveis a cada grande competição internacional e em cada estágio surgem caras novas. Mas então porque não vingam todos lá fora?

Certo é que o sucesso não é atingido por todos e devido aos mais diversos fatores, mas o que leva um jovem titular num grande português a atravessar desertos infinitos no estrangeiro? Pela qualidade não é, essa é inequívoca. Por exemplo, o AS Monaco FC, nos últimos tempos, contratou Bernardo Silva, Rony Lopes e falhou Bruno Xadas por detalhes clínicos. Portugueses, esquerdinos e pisam as mesmas zonas do terreno de jogo, com capacidades criativas. Coincidência ou há um padrão?

Terá André Gomes ‘dado o salto’ demasiado cedo?
Fonte: SL Benfica

A questão, no meu entender, passa pela preparação pessoal. Uns estão mais preparados que outros para abraçar os maiores desafios em fases tão prematuras das suas carreiras. E os clubes formadores deviam estar mais atentos a esse aspecto.

Passou pelas camadas jovens do FC Porto e do Boavista FC, mas foi pelo SL Benfica que se estreou como sénior, clube que o resgatou aos axadrezados quando ainda era júnior. André Gomes saltou para as capas de jornais quando marcou o golo (3-1) que selou a passagem dos encarnados à final da Taça de Portugal 2013/14, curiosamente frente ao FC Porto, clube onde iniciou a sua formação.

Depois de duas épocas repartidas entre equipas principal e ‘B’, o médio foi para o Valencia CF e, duas épocas depois, seguiu para Barcelona. Aí, e apesar da forte aposta de Luis Enrique e Ernesto Valverde, André Gomes não convenceu os adeptos e surpreendeu o mundo do futebol ao revelar em março que não retirava prazer do que fazia e não sabia como reverter toda a negatividade. Ainda que depois disso tenha sido acarinhado pelas bancadas de Camp Nou, André procura agora o brilho que prometia na Luz ao serviço do Everton FC, de Marco Silva.

Com a sua formação quase toda em Alcochete, à exceção de um ano no FC Porto, João Mário cedo se intrometeu nos convocados da equipa principal do Sporting CP. Apesar de um empréstimo ao Vitória FC pelo meio, foram 13 anos de ligação ao clube verde e branco e o apreço que recolhe das bancadas era evidente. Transferiu-se para os italianos do FC Internazionale Milano na temporada de 2016/17 mas, apesar da elevada utilização, a produção ficou um pouco aquém da expectativa criada em torno desta mudança.

João Mário tem encontrado dificuldades desde a saída do Sporting CP, tanto no clube como na seleção
Fonte: FC Inter Milão

Com a saída de Roberto Mancini do comando técnico e a chegada de Luciano Spalletti, cedo se percebeu que o criativo português não teria grande margem de erro e foi procurar mais tempo de jogo em Londres, no West Ham UFC. Não se destacou, apontou dois golos e esta época, em Milão, ainda não alinhou em qualquer partida.

À exceção de um ano no Recreativo Águias da Musgueira, ‘Bulo’ cumpriu a sua formação nas camadas jovens do clube da Luz, no Seixal, e foi mais um dos atletas que recorrentemente figurava nas capas dos diários desportivos. Com apenas uma época ao serviço da equipa principal do SL Benfica, onde se revelou uma certeza, para além de uma promessa, Renato protagonizou uma das transferências mais sonantes daquele mercado.

Os números astronómicos que o levaram até ao FC Bayern Munchen faziam antever o crescimento de uma nova estrela portuguesa, na perseguição das pegadas de Figo, Rui Costa ou Cristiano Ronaldo. Contudo, e apesar da aceitável utilização por parte de Carlo Ancelotti, Renato não correspondeu às expectativas e cedo perdeu oportunidades e minutos de jogo. Procurou-os em Swansea, mas com o mesmo aproveitamento, ou falta dele. Desde que saiu da Luz ainda não apontou qualquer golo.

Renato Sanches tem merecido a confiança do novo técnico bávaro, Niko Kovac
Fonte: FC Bayern Munich

Nesta nova época, e apesar de ainda não ter sido utilizado, Renato Sanches já mereceu um voto de confiança de Niko Kovac, que impediu novo empréstimo do campeão europeu de seleções, em 2016.

Além de se comprometerem talentos aproveitáveis para a seleção nacional, e mais importante do que isso, são carreiras que podem ficar em risco. Os atletas, apesar da forte presença do mundo dos empresários de futebol, são livres de decidir e mal estaremos quando assim não for. No entanto, os clubes não ficam isentos de responsabilidades. Há um trabalho de acompanhamento e aconselhamento que não implica investimento nem prejuízo e que pode muito bem ser feito.

Bem sei que os valores monetários inerentes a estas transferências prematuras são apetecíveis para os clubes portugueses, mas nem todos são como Cristiano Ronaldo ou Bernardo Silva, entre outros, que agarram qualquer oportunidade e brilham por qualquer clube que passam.

Ficaremos a torcer por fora e atentos, por exemplo, à segunda vida que André Silva procura em Sevilha e a Diogo Dalot vestindo as novas cores.

Foto de Capa: FC Barcelona

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Diogo Pires Gonçalves

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