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O Estoril-Praia entrava para este jogo com a corda ao pescoço: a necessidade de fazer pontos era mais que muita para poder tentar fugir à despromoção. Ivo Vieira promoveu algumas alterações para esta partida em relação à última jornada, fazendo entrar Allano, Fernando Fonseca e Pêpê, pelos lugares de Victor Andrade, Eduardo e Mano. Por sua vez, Daniel Ramos não mexeu na onze com que goleou o Feirense por 4-1.
Após o apito inicial, foi a equipa canarinha a procurar terrenos mais avançados, tentando desde cedo marcar o ritmo. Lucas Evangelista esteve sempre pronto para arrancar os ataques da sua equipa, sendo muito procurado pelos seus colegas. O primeiro lance de perigo acabou mesmo por pertencer ao Estoril-Praia, pelos pés de Ewandro, em que o guarda-redes maritimista vê a bola passar muito perto do seu poste esquerdo.
A partida estava a ser muito disputada a meio-campo e, apesar do grande fulgor atacante que a equipa da linha parecia ter no início do jogo, os primeiros trinta minutos acabaram por não ter muitas ocasiões de golo, exceptuando um remate de Pêpê que saiu muito ao lado e de uma jogada bem trabalhada por Ricardo Valente na ala com Joel a desperdiçar.
O Estoril acabou por beneficiar de uma grande penalidade à meia hora de jogo. Fernando Fonseca cruza para a área, onde aparece Bruno Gomes a rematar prensado e Bebeto, ao tentar evitar o canto, colocou o braço à bola. Lucas Evangelista não perdoa: bola para um lado e guarda-redes para o outro. O Estoril via-se então a ganhar e pronto para lutar pela manutenção no campeonato.
O Marítimo não baixou os braços e tentava atacar a baliza estorilista, contudo não conseguia chegar com sucesso ao golo, sendo Joel o mais inconformado com a desvantagem. A equipa do Estoril-Praia foi para o descanso a vencer por 1-0 e parecia tudo estar composto para poder respirar um pouco.

Fonte: GD Estoril-Praia
A segunda parte começou novamente com o Estoril-Praia a querer dilatar o resultado, com a esperança de sair, pelo menos provisoriamente, da zona de despromoção. Apesar disto, foi mesmo a equipa madeirense a empatar o jogo. Depois de um canto batido do lado esquerdo do ataque, Joel, parecendo suspenso no ar, cabeceou forte da marca de grande penalidade para perto e igualou o marcador.
Os estorilistas continuaram a procurar o golo e a entrada de Victor Andrade para a ala direita do ataque avivou cada vez mais esse desejo. O extremo brasileiro veio mexer com o lado ofensivo, tendo bastantes jogadas individuais de qualidade.
Se de um lado o Marítimo beneficiou de uma oportunidade flagrante para se colocar em vantagem, não acontecendo por um corte ao limite pela defensiva estorilista, do outro era Victor Andrade que, contra o mundo, ultrapassava os adversários e chegava à linha de fundo para cruzar, com os seus colegas a não terem sucesso na finalização.Um destes casos foi o de Eduardo: Este recebe a bola de Victor Andrade e remata de zona frontal e fora da área; ainda se chegou a gritar golo no António Coimbra da Mota, porém a bola passou a escassos centímetros da baliza insular. A turma da casa já começava a dar mostras que merecia um golo, mas por infortúnio este não estava a aparecer.
Aos 94 minutos de jogo, Victor Andrade sofre falta e Luís Ferreira, que inicialmente tinha apontado para a marca de grande penalidade, consultou o VAR e decide afinal que, no momento da falta, os jogadores estavam fora da grande área, tudo sob grande contestação dos adeptos do Estoril. O pontapé livre acaba por ficar preso na barreira, com o jogo a acabar pouco depois, apesar de se ter pedido uma nova grande penalidade por nova falta sobre Victor Andrade.
O empate acaba por saber a pouco à equipa da casa, que vê assim cada vez mais hipotecada a sua manutenção, mesmo sendo injusto este empate. Do outro lado, Daniel Ramos pouco fez para que o rumo dos acontecimentos fosse diferente do que realmente se passou, podendo dar graças ao VAR pela não marcação de uma grande penalidade bastante duvidosa na sua área.
Como jogou o Estoril-Praia: Renan Ribeiro, Ailton, Dankler, Bruno Gomes, Allano, Fernando Fonseca, Gonçalo, Lucas Envangelista, Halliche, Ewandro e Pêpe.
Substituições: Victor Andrade (Ewandro, 59′), Eduardo (Pêpê, 67′) e André Claro (Allano, 77′)
Como jogou o Marítimo: Abedzadeh, Pablo Santos, Rúben Ferreira, Zainadine, Correa, Jean Cleber,Rodrigo Pinho, Fabrício, Bebeto, Ricardo Valente e Joel.
Substituições: Gharyzan (Ricardo Valente, 75′), Gamboa (Rodrigo Pinho, 84′) e Diney (Fabrício, 91′)
A FIGURA:

Ivo Vieira- O treinador dos estorilistas fez de tudo para mudar o rumo dos acontecimentos. A entrada de Victor Andrade foi determinante para dinamizar os ataques do Estoril que, infelizmente, não conseguiu os três pontos tão desejados.
O FORA-DE-JOGO:

Daniel Ramos: Se, por um lado, viu o treinador adversário a fazer várias substituições para ganhar o jogo, Daniel Ramos apenas mexeu na partida nos últimos 15 minutos, parecendo que queria jogar para o empate. Mal aproveitada a oportunidade dada ontem pelo Rio Ave para subir um lugar e ir para esta semana no quinto posto.
CONFERÊNCIA BnR:
CS Marítimo
BnR- Sente que a sua equipa perdeu o controlo do lado esquerdo da defesa após a Entrada de Victor Andrade ?
Daniel Ramos- Também. Nós temos um conjunto de jogadores amarelados e o Estoril refrescou e tentou explorar os corredores e nós tinhamos alguns jogadores amarelados: o Rúben tinha cartão amarelo, certamente a ideia foi tentar ganhar também pelo corredor e, neste caso, pelo corredor direito, tinham a possibilidade de o expulsar. As faltas são importantes serem feitas e, por vezes, quando um jogador está amarelado, fica condicionado e isso também se foi passando no jogo com jogadores nossos. Faltou-nos depois um bocadinho mais de agressividade do que a equipa podia ter tido e fruto também disso, deixámos o Estoril jogar mais e ter mais iniciativa do que queríamos- mérito também do Estoril-que tiveram oportunidades perigosas perto da nossa área e que nos obrigaram a defender até ao final. Tivemos que sofrer, tivemos que vestir o nosso fato de macaco, passámos a jogar mais em contra-ataque e como disse foi um jogo díficil, acho que o foi para ambas as equipas. Sabíamos do grau de dificuldade deste jogo e disse aos meus jogadores que este era um jogo que tinha um grau de dificuldade idêntico àquele que tínhamos quando jogamos com equipas do topo da tabela e isso veio-se a confirmar.
GD Estoril-Praia
BnR- A entrada de Victor Andrade mexeu muito com o sector ofensivo do Estoril-Praia. Sente que este deveria ter entrado mais cedo no jogo?
Ivo Vieira- Não, os jogadores normalmente dizem ao treinador quando podem entrar, quando podem jogar durante a semana. Eu não meto a mão dentro de um saco e escolho os onze que saem para jogar. Isto tem muito a ver com o processo de treino, tem muito a ver com a preparação durante a semana e tem muito a ver com o desempenho dos atletas para poder escolher perante o que o jogo está a dar, quais os que poderão acrescentar alguma coisa, o que aconteceu e foi verdade. Mas já outros o fizeram no passado, até com golos e o jogo é mesmo assim: temos de tomar posições e o Victor já jogou outras vezes de início e não teve um rendimento tão grande, o Allano já entrou e fez golo, hoje teve a oportunidade de jogar; o Ewandro tem jogado bem mas hoje não deu muito ao jogo e nós temos que dar soluções à equipa e dar oportunidades àqueles que durante a semana procuram e tentam dar respostas ao treinador para poder jogar ao fim-de-semana. Agora, a decisão cabe-me a mim e eu decidi assim, mas é um facto que acrescentou algo à equipa.











