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Influência dos empréstimos entre clubes da liga

David Vinagreiro · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Numa altura em que se voltou a falar sobre os jogadores emprestados, e em que António Salvador na reunião dos denominados G15 (clubes da liga com exceção dos três grandes) afirmou que deveriam terminar os empréstimos de jogadores a clubes da mesma liga, importa fazer uma análise e tentar perceber o impacto que estes jogadores provenientes dos grandes têm nos clubes que representam.

Começando pelo Sporting de Braga, cujo presidente foi o autor da afirmação em cima mencionada, salta à vista o nome de João Carlos Teixeira, jogador emprestado pelo FC Porto e que tem sido uma das principais figuras do início de época braguista. Foi a partir do momento que que o ex Liverpool começou a ter tempo de jogo que o Braga teve um salto qualitativo e arrancou para a boa série de resultados que perdura até hoje. Com menos impacto até ao momento, existe outro médio emprestado por um dos grandes, André Horta. O jogador cedido pelo Benfica não tem até ao momento tido muito tempo de jogo, mas face à sua evidente qualidade poderá ainda ter impacto durante a presente temporada.

Gonçalo Paciência Fonte: Vitória Futebol Clube
Gonçalo Paciência
Fonte: Vitória Futebol Clube

Continuando a norte, o Rio Ave é outra equipa que tem tido presença regular de dois jogadores pertencentes aos quadros dos grandes. Na defesa Yuri Ribeiro, emprestado pelo Benfica, tem sido o lateral esquerdo mais utilizado, enquanto que no meio campo o sportinguista Francisco Geraldes tem tido também um papel importante no jogo da equipa.

No Vitória de Setubal, verificamos dois nomes que têm tido preponderância no jogo da equipa, sendo que um deles aproveitou já o tempo de jogo que lhe tem sido concedido para garantir a sua estreia na seleção nacional. Falo de Gonçalo Paciência, emprestado pelo Futebol clube do Porto. Outro jogador emprestado que tem sido titular na equipa sadina é o benfiquista João Teixeira.

Salvador Agra encontra-se emprestado pelo SL Benfica Fonte: CD Aves
Salvador Agra encontra-se emprestado pelo SL Benfica
Fonte: CD Aves

O Desportivo das Aves é outro clube que tem beneficiado da qualidade de dois jogadores provenientes dos grandes. O sportinguista Ryan Gauld e o benfiquista Salvador Agra tem sido importantes na manobra avense, com destaque para o dianteiro já com três golos apontados na Liga.

Em Chaves, no desportivo local, são um central cedido pelo Sporting, Domingos Duarte, e o médio português cedido pelo Sporting de Braga, Pedro Tiba, que figuram entre os habituais titulares da equipa, e a realizar uma boa época até ao momento.

Pedro Tiba ao serviço do GD Chaves Fonte: VSports
Pedro Tiba ao serviço do GD Chaves
Fonte: VSports

Noutros clubes da nossa liga, encontramos menores influências, onde apenas um jogador está emprestado por outro clube da mesma competição. No Boavista é o jovem avançado portista Rui Pedro, de quem até se fala que poderá estar de regresso “à base” no mercado de inverno. Noutro dos campeões nacionais, o Belenenses, encontramos André Geraldes. O lateral português cedido pelo Sporting tem tido lugar habitual no onze do Belém. No Estoril Praia, até agora com uma campanha abaixo daquilo a que nos tem habituado, Fernando Fonseca é o único jogador proveniente de empréstimo. O lateral portista conta com seis aparições na equipa estorilista.

Em Guimarães, Heldon é o único emprestado por clubes lusos a figurar na equipa do Vitória. O extremo cabo-verdiano dos quadros do Sporting tem sido uma das principais figuras da equipa nesta época    levando já três golos apontados. Sem espaço no Vitória e emprestado ao Moreirense, Tozé tem sido figura de destaque na equipa, voltando a ter a regularidade exibicional que procurava e que não tinha encontrado em Guimarães.

Verificamos então que os clubes mais pequenos continuam a depender muito dos empréstimos dos clubes grandes. É aí, que muitas vezes conseguem encontrar um ou outro jogador que consegue elevar o nível da equipa para um patamar superior de qualidade. No entanto esta dependência dos clubes pequenos em relação aos grandes em nada beneficia o futebol português e a competitividade do mesmo. É portanto uma faca de dois gumes, e uma questão que deverá ser analisada com o devido cuidado para que se possa seguir o melhor caminho para o futuro do nosso futebol.

Foto de Capa: SC Braga

David Vinagreiro

Redação Bola na Rede · ver artigos