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Com o ano civil de 2019 a terminar, juntámos num onze – por mais difícil que isso possa parecer (e é) – aqueles que para nós foram os melhores jogadores a atuar em Portugal durante estes 365 dias, excluindo da equação os elementos dos clubes denominados “Três Grandes”. Com as épocas desportivas divididas de outra forma que não por anos completos, digamos assim, três/quatro meses de exibições de qualidade (ou falta dela) podem fazer toda a diferença.
GUARDA-REDES

Marco Pereira – O homem que lidera a sólida defesa do CD Santa Clara. Aos 32 anos, Marco Pereira tem ganho o reconhecimento que nunca teve na sua carreira. Titular indiscutível de uma formação açoriana que terminou em 10.º lugar na época passada, é um dos guarda-redes com melhor desempenho tem entre os postes… e a começar as jogadas da sua equipa!
Pode dizer-se que João Henriques, treinador do CD Santa Clara, é um fã do atleta. Em setembro deste ano, depois de um jogo onde a sua equipa até perdeu no Dragão, frente ao FC Porto, afirmou que Marco Pereira é “um dos cinco melhores do mundo”, na posição, a “jogar com os pés”. Discutível, no mínimo, mas é bem significativo das sensações que causa em que o vê o jogar: seguro entre os postes e forte a começar as jogadas de futebol ofensivo da sua equipa. Um guarda-redes moderno que foi, porventura, o mais consistente durante este ano
DEFESA ESQUERDO

Nuno Sequeira – Um dos laterais mais sólidos do futebol português em 2019. Depois da sua contratação ao CD Nacional, no final de 2016/17, muitos eram aqueles que poderiam achar que Sequeira não se iria afirmar num SC Braga cada vez mais competitivo em todas as posições do campo. Estavam redondamente enganados e é agora titular indiscutível.
Assume-se com um verdadeiro lateral de equipa grande, passando mais tempo a atacar que a defender. Aliás, as suas assistências para golo são essenciais, onde demonstra que tem muita qualidade quer no cruzamento, a bater livres e cantos. Para se ter uma ideia, com oito jornadas da Primeira Liga Portuguesa decorridas, no final do mês de Outubro, era mesmo um dos jogadores mais influentes do campeonato na criação de oportunidades de golo, contabilizando 42 cruzamentos para a área adversária. Mais que qualquer outro jogador.
DEFESA DIREITO

Rodrigo Soares – Por nestes três meses da época ainda não haver um lateral direito que consiga “acumular funções” com o resto do ano e que me encha as medidas, opto por colocar como destaque Rodrigo Soares, o lateral direito que foi essencial para a manutenção do CD Aves na Primeira Liga Portuguesa em 2018/19. Jogando cinco meses apenas, porque saiu no mercado de verão, percebia-se que era daqueles jogadores que não iria ficar, devido à tremenda qualidade apresentada.
Tal como Sequeira, é lateral de equipa grande (ou seja, ataca bastante bem), mas ao contrário do nosso outro defesa, sou da opinião que este defende ainda melhor. Junta a isso uma capacidade enorme para bater bolas paradas. Parece-me natural que Abel Ferreira quisesse contar com ele na sua nova aventura no PAOK e estando ele emprestado no futebol português, o negócio deu-se com toda a naturalidade.
DEFESA CENTRAL

Toni Borevkovic – Oriundo do modesto NK-Rudes, da Croácia, em 2018 chegou aos vila-condenses com ambição de ser afirmar numa liga mais competitiva, num clube que tem um histórico recente de participação nas competições europeias, como é o Rio Ave FC. Com início de época difícil, não se conseguiu logo afirmar. Porém, a partir dos primeiros meses de 2019, por lesões dos titulares e eventualmente por opção, pegou de estaca no eixo defensivo da equipa treinada por Daniel Ramos. Aliás, isso valeu-lhe mesmo a chamada à seleção nacional croata de Sub21.
Com 22 anos e ainda margem de progressão, já se nota que é um central rápido, forte sentido posicional, e possante no jogo aéreo. Já nesta temporada, com Carlos Carvalhal ao leme, assume-se com titular indiscutível, tendo por isso um 2019 que serviu como o seu principal ano de afirmação. Mas, quer-me parecer, ainda vamos ouvir falar mais dele no futuro…
DEFESA CENTRAL

Iago Santos – Um esteio na defesa da equipa revelação da época passada, o Moreirense FC. É certo, falhou alguns jogos por lesão, mas quando estava bem, era sempre titular e o defesa que melhor compreendia o jogo dos cónegos. Alto, mas com qualidade técnica para sair a jogar, teve durante tempo demais em campeonatos periféricos e creio que está a pedir para dar o “salto”. Em 2019/20 ainda não teve lesões e merece, aos 27 anos, fazer o contrato da sua vida numa equipa de meio da tabela de um campeonato dos “Big Five”.
DEFESA CENTRAL

Pedro Henrique – Capitão e pilar da defesa do Vitória SC. É certo, não é um primor técnico e muitas vezes pode “facilitar” em algumas situações que exijam outro tipo de controlo da bola, mas na maior parte das vezes, faz tudo bem. Controlo da profundidade, posicionamento… e capacidade de liderança. Com ele na sua melhor forma, o Vitória SC é sempre mais sólido defensivamente. Já tinha tido um bom 2018 e voltou a ter um 2019 excepcional. Tal como o seu companheiro da defesa no onze Bola na Rede, está preparado para voos mais altos. Enquanto não sai, é uma tremenda mais-valia para um clube vimaranense de ambição europeia.
MÉDIO CENTRO

Fábio Pacheco – O médio defensivo de melhor rendimento fora dos “Três Grandes” em 2019. Não se lesiona, joga durante 90 minutos em alta rotação e garante o equilíbrio da sua equipa, tal e qual um pêndulo. Não lhe peçam para marcar golos, porque não é esse o desígnio em campo: está lá para não deixar os outros marcarem, isso sim. Para se ter uma ideia do seu “serviço”, terminou a época passada como sendo o único médio entre os cinco jogadores com mais intercepções da Primeira Liga Portuguesa a cada 90 minutos.
MÉDIO CENTRO

Pedro Sá – Aos 25 anos, tornou-se numa certeza da Primeira Liga Portuguesa. É a figura central do meio-campo de uma equipa que joga um futebol sempre com os olhos na baliza adversária, independentemente do clube que defronta, como é o Portimonense SC.
Tem qualidade com bola nos pés, ajuda no processo defensivo e tem chegada à área. Um médio completo, “box-to-box”, que começa a despertar a cobiça de clubes com outras ambições. Apesar de coletivamente a temporada 2019/20 não estar a correr da melhor maneira a Folha e aos seus pupilos, este é um daqueles jogadores que nunca desiste e dá tudo em campo, há imagem do que o seu treinador exige.
AVANÇADO

Ricardo Horta – Com tantos clubes na Europa minados de euros para gastar, custa-me a compreender como é que ainda ninguém fez uma oferta ao SC Braga para lhe levarem este craque. O que tem feito no ano de 2019, em duas temporadas, mantendo a consistência e, sobretudo, a veia goleadora – algo que hoje em dia vale muito dinheiro –, justificam-no. Claramente um jogador de seleção nacional e que ainda não teve a notoriedade que merece a esse nível.
No entanto, enquanto não vai, melhor para a nossa liga e para o SC Braga, que aproveita para ter um daqueles jogadores que o distanciam de um clube de meio da tabela e o aproximam do patamar dos “Três Grandes”. Um autêntico “vagabundo” na frente de ataque, com grande capacidade para jogar com um ponta-de-lança mais “puro” – que este ano tem sido Paulinho –, ou assumir o próprio esse papel. Acrescenta ainda a capacidade de poder cair nas alas e jogar mais por “fora”, devido à sua boa visão de jogo, técnica e capacidade de passe.
AVANÇADO

Davidson – Davidson, um avançado/extremo que dispensa apresentações. Depois do (bom) que fez no GD Chaves, seguiu para Guimarães com o seu treinador, Luís Castro. Cedo se começou a perceber que tinha de ser titular, a sua qualidade falava mais alto. Em 2019 foi fulcral para a boa época dos vimaranenses, que se qualificaram para a Liga Europa devido à não inscrição do Moreirense FC.
Já no arranque da temporada 2019/20, com Ivo Vieira ao leme, voltou a ser fundamental quer no campeonato, quer nas competições. O seu poder de desequilibro e remate fácil fazem dele um extremo “tradicional”, mas letal. As suas diagonais perigosas têm sempre boas probabilidades de acabar no fundo das redes.
AVANÇADO

Fábio Martins – Bem sei que estou a colocar como um dos craques do ano no nosso onze um jogador que só começou a jogar com mais regularidade a partir de Julho/Agosto, por ocasião da sua mudança para Famalicão. No entanto, Fábio Martins merece esta distinção. Este é um dos casos que falava no início deste texto: são 3/4 meses muito bons que o catapultam para este patamar futebolístico.
Depois de pouquíssimos minutos no SC Braga de 2018/19 com Abel no comando, algo que nunca percebi muito bem devido à qualidade que sempre demonstrou ao longo da carreira, transferiu-se para o concelho do distrito de Braga… Ou seja, não foi para longe e em boa hora o fez! Agora, o que se está a ver é um completo aproveitamento das suas capacidades por parte de João Pedro Sousa, que faz dele o seu homem mais desiquilibrador e principal goleador (juntamente com Anderson Oliveira, que tem os mesmos sete golos). Finalmente, aos 26 anos de idade, atinge o auge da sua carreira e os níveis de qualidade que lhe preconizavam já há muito, assumindo-se como pedra fundamental do Famalicão FC, um clube em lugar de competições europeias
Foto de Capa: Moreirense FC
artigo revisto por: Ana Ferreira









