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O fim do rótulo dos treinadores de formação

Tiago Serrano · 3 min

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Vivemos numa nova era no Futebol mundial. Nesta década, o Futebol sofreu uma autêntica revolução. Vivemos numa era em que há cada vez mais treinadores a implementarem nas suas equipas um futebol assente naquilo a que se chama os 3P: pressão, posicionamento e posse. E, por incrível que possa parecer para muitos, essa implementação começou por baixo, na formação.

Por algum motivo, criou-se um rótulo na nossa sociedade futebolística de que treinadores das camadas jovens não estariam habilitados a treinar equipas seniores. Noutros tempos, a única ocasião em que me lembro de ver um treinador ser promovido diretamente de uma equipa júnior para uma sénior, foi quando Paulo Bento assumiu o comando técnico da equipa principal do Sporting CP no decorrer da época 2005/2006.

Mas já depois disso, seria então dado o passo que revolucionou o Futebol mundial, quando Pep Guardiola foi promovido da equipa B para a equipa principal do FC Barcelona em 2009. Tal como ele, muitos outros treinadores espalhados pela Europa fora deram o mesmo passo e têm-se destacado pelo futebol positivo. Falando de alguns exemplos, posso mencionar alguém de quem falei recentemente, como Marco Rose no Red Bull Salzburg, ou do treinador mais jovem da história da Bundesliga: Julian Nagelsmann.

Luís Castro iniciou uma mudança de paradigma em Portugal
Fonte: Vitória SC

Em Portugal, vários treinadores seguiram o exemplo. Começando por Luís Castro, embora este já tivesse passado pela Primeira Liga, ao serviço do FC Penafiel entre 2004 e 2006, afirmou-se como um dos melhores treinadores nacionais após um trabalho notável na equipa B do FC Porto e nas passagens pelo Rio Ave FC e GD Chaves.

Seguiu-se Abel Ferreira. Forçado a terminar a carreira após uma lesão grave aos 31 anos, aproveitou a ocasião para iniciar o curso de treinador. Na sua primeira época como treinador nos juniores do Sporting CP, foi campeão nacional e ficou em quarto lugar na Next Gen Cup (competição europeia que antecedeu a Youth League) e na época seguinte levou a equipa B ao quarto lugar da Segunda Liga. Depois, no SC Braga, começou a lançar jogadores para a equipa principal, acabando por ser promovido, sendo atualmente um dos treinadores nacionais mais cotados.

Nesta temporada, essa mudança de paradigma no perfil dos treinadores deu um passo significativo. António Folha passou dos juniores e da equipa B do FC Porto para o Portimonense SC. Tiago Fernandes deu uma volta de 180 graus na sua carreira: começou como adjunto de José Peseiro no Sporting CP, passou a treinador principal interino e recuou para treinador principal dos sub-23 dos leões após a chegada de Marcel Keizer, mas por pouco tempo, uma vez que o GD Chaves o contratou após ter despedido Daniel Ramos. Já no início deste ano, seria Bruno Lage, na sua época de estreia como treinador principal de uma equipa sénior, que seria promovido a treinador da equipa principal encarnada. No mesmo sentido, Renato Paiva passou dos juniores para a equipa B do Sport Lisboa e Benfica, tendo tudo para dar o passo seguinte brevemente.

Mas, afinal, o que causou esta mudança de paradigma? Como disse no início, há cada vez mais treinadores a implementarem um futebol que, mais precisamente, é herdado do modelo de Rinus Michels: um futebol de domínio, de controlo de jogo, de pressão após a perda da bola; e que tem começado a ser implementado nas bases. Porque é este tipo de futebol que faz com que os jogadores possam recriar-se com a bola nos pés, que possam desenvolver uma rápida reação com e sem a bola, aprimorando assim a sua capacidade de decisão. É este o tipo de futebol que promove as qualidades dos jogadores, fazendo com que estes evoluam.

Como tal, esse rótulo do treinador de formação tem vindo a perder cada vez mais força, bem pelo contrário. Nalguns casos, os treinadores com passado na formação é que são os mais habilitados, visto que sabem como fazer crescer e evoluir os jogadores no Futebol moderno.

 

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Tiago Serrano

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