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O que falta a cada um dos 18

Diogo Pires Gonçalves · 9 min

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Com os primeiros foguetes do campeonato ainda a rebentar, o mercado ainda não fechou e os clubes podem aproveitar para colmatar alguma lacuna no plantel ou uma lesão inesperada. Têm até ao fim do mês e neste artigo reúno algumas das posições deficitárias de cada plantel com vista a cumprir os objetivos propostos no arranque da época 2019/20.

SL Benfica – guarda-redes. À partida não era de esperar que os encarnados estivessem à procura de um guardião. Odysseas Vlachodimos fez uma época de estreia brilhante e os talentos de Svilar e Zlobin espreitavam as taças. No entanto, pela voz do próprio técnico, as águias procuram uma alternativa e concorrência mais forte para o grego. A alternativa ao “maratonista” André Almeida é, para já, o jovem Nuno Tavares. Deixou boas impressões na Supertaça e arrancou em grande a Liga. Há ainda a incógnita Ebuehi para a mesma posição. Não é pela quantidade, mas pela qualidade que a lateral direita deve ser tida em conta.

FC Porto – lateral esquerdo. Salvo alguma saída de última hora, os dragões continuam com o mesmo problema ano após ano; vão espremer Alex Telles até à lesão. Manafá ou Tomás Esteves podem ser adaptados, mas em casos extremos. O brasileiro é uma das principais figuras dos azuis e brancos e seria necessário um concorrente para que pudesse descansar em partidas teoricamente mais fáceis ou, em último caso, rendê-lo numa hipotética lesão. O meio campo está muito povoado, como há muito o Dragão não via, e o ataque tem múltiplas opções. As contratações de Díaz e Nakajima, ao lado das permanências de Corona e Otávio, garantem a criatividade exigida.

Sporting CP – guarda-redes e médio defensivo. A saída de Rui Patrício ainda não foi completamente ultrapassada e os leões sentem-no. Ainda não houve um guardião que assumisse a baliza de Alvalade com segurança e total apoio dos adeptos. Renan oscila bastante e esta é uma época importante para a sua firmação; o estatuto do Sporting CP assim exige. A lesão de Battaglia complicou a sua transferência e até a preparação desta época e deixou a frente da defesa entregue a Doumbia e Petrovic, que não deve entrar nas contas. A contratação de Eduardo vem ajudar na solução deste problema, mas, até ver, parece curto. Uma possível transferência de Bruno Fernandes seria outro problema para resolver e o tempo que resta até ao fecho do mercado não é amigo dos leões. Para o ataque chegaram Camacho, Vietto e Gonzalo Plata, relegando Matheus Pereira para novo empréstimo; não é pelo ataque que os leões terão problemas.

SC Braga – ninguém. Mais uma vez, à semelhança da época passada, os minhotos parecem ter o plantel fechado antes do arranque da época. Devido às eliminatórias europeias, os trabalhos começaram mais cedo e com frutos à vista; o playoff da Liga Europa está a 90 minutos de distância e a entrada no campeonato prometeu. A baliza está assegurada para qualquer imprevisto, com três opções capazes de responder no imediato. A defesa pode até fraquejar até que Raul Silva recupere, mas as indicações no momento apontam para o contrário. O centro do terreno segue com os mesmos intervenientes e recebeu ainda Diogo Viana e o outro “mano” Horta. Galeno vem dar mais imprevisibilidade e entusiasmo ao ataque bracarense. Se Sá Pinto tiver “unhas para esta guitarra”, os minhotos dão novo passo à consolidação do estatuto de quarto grande e encurtam os dias até um futuro título de campeão nacional.

A nova vida de Galeno em Braga promete golos e magia na Pedreira
Fonte: SC Braga

Vitória SC – ninguém. À semelhança dos rivais do Minho, os vimaranenses arrancaram a época mais cedo e também têm tudo encaminhado. Garantiram a presença na fase de grupos da Taça da Liga e estão a uma partida do playoff da Liga Europa. Sob o comando de um novo homem, Ivo Vieira, os conquistadores têm talvez o plantel mais prometedor e equilibrado dos 18 emblemas. Com muita juventude à mistura, todas as posições têm um titular e um concorrente de grande qualidade. Destacam-se as entradas de André Pereira, Bondarenko, Denis Poha e Aziz e as promoções de Tapsoba e Al Musrati.

Moreirense FC – médio centro/ofensivo. Os cónegos vêm de uma época de sonho e o novo comandante, Vítor Campelos, terá tarefa difícil para sequer se aproximar desse registo. Contudo, a baliza está bem entregue e a defesa beneficiou com as entradas dos experientes Steven Vitória e Djavan e dos promissores Abdu Conté e Rosic. É no centro do terreno que as dificuldades aparecem. O meio campo aprece curto para uma temporada de cerca de 40 jogos. Chegaram Sori Mané, Alex Soares, Filipe Soares e Luiz Henrique e resta esperar pelo entrosamento e pelo avançar da época para perceber a real valia destes reforços. O ataque não deverá revelar grandes problemas, juntando as figuras já conhecidas Nenê, Bilel e Pedro Nuno às novas Luis Machado e Fábio Abreu.

Rio Ave FC – ninguém. O maior reforço dos vilacondenses vai passar a temporada no banco; Carlos Carvalhal. O técnico português volta a Portugal para um projeto sempre interessante, depois de passagens bem sucedidas pela Inglaterra e um ano de paragem. A baliza conta com dois atletas experientes e conhecedores do campeonato português. O centro da defesa recebeu duas caras novas, tendo Messias já alinhado na vitória para a Taça da Liga (6-1). O meio campo está bem preenchido, em quantidade e qualidade; se as lesões não aparecerem, os vilacondenses terão um conjunto de opções variado e de valia semelhante de fazer inveja. O ataque viu Mané chegar para o lugar de Galeno e a excelente contratação de Mehdi Taremi.

Boavista FC – médio ofensivo/defensivo. Os axadrezados partem para a nova época com uma baixa importante na baliza; Helton Leite, um dos melhores nesta posição em Portugal, ainda recupera de lesão. O centro da defesa manteve duas caras improtantes e recebeu a experiência de Ricardo Costa, um filho da casa. O meio campo recebeu as promoções de Reymão e Acka e contratou Paulinho e Fernando Cardozo, e é na quantidade de novidades que reside a dúvida. Importaria a Lito Vidigal contar com mais um médio experiente ou um jovem de um clube grande que ainda procure colocação. No ataque abundam opções e a dor de cabeça passará por dar tempo de jogo a todos. Destacam-se Bueno, Heriberto, Njie, Mateus e Perdigão.

O jovem peruano Gustavo Dulanto chegou do ACR Atlético Garcilaso para reforçar o eixo da defesa axadrezada
Fonte: Boavista FC

Belenenses SAD – médio ofensivo e defensivo. Os Belenenses SAD têm uma das maiores pormessas das balizas em Portugal. Hervé Koffi é craque e vai dar que falar. A defesa sofreu uma mini-revolução e resta esperar pelos primeiros jogos para perceber se estão à altura da Primeira Liga. O meio campo tem soluções agradáveis, mas beneficiaria de um criativo para atuar nas costas dos avançados. No ataque, as opções são muitas, distintas e é difícil escolher a mais promissora. Kikas já se deu a conhecer na época passada, Charles Brym e Imad Fraj chegam por empréstimo do LOSC Lille B e Licá dá a experiência de Primeira Liga.

CD Santa Clara – médio defensivo. Depois de uma época brilhante para os pergaminhos dos açoreanos, o CD Santa Clara procura nova época tranquila e fazer da estabilidade a maior força para continuar a representar aquela região insular na Pirmeira Liga. O eixo da defesa recebeu o experiente João Afonso, ex- Vitória SC, Steven Pereira e uma novidade do Campeonato de Portugal que atuou a alto nível, Zaidu Sanusi. O ataque mantém as caras preponderantes da época passada e o único reparo seria a contratação de um médio de ação claramente defensiva e que pudesse apoiar a defesa, assumindo esse papel com autoridade (um médio experiente, com conhecimento de Primeira Liga).

CS Marítimo – lateral direito. Na baliza dos insulares está um dos melhores guarda-redes a atuar no nosso campeonato. A defesa manteve praticamente os mesmo intervenientes e deverá ser um ano tranquilo, apesar da lesão de Bebeto ter deixado Nanú como único lateral diretio. Para o meio campo de Nuno Manta Santos chegaram Bambock e John Cley e este será o sector com menor qualidade dos madeirenses. A frente de ataque tem muitas opções, algumas delas muito interessantes.

Portimonense SC – ninguém. Os algarvios continuam a mostrar como negociar bem e preparar a época com qualidade. Os resultados podem não ser brilhantes, mas as condições humanas estão lá. Todos os sectores receberam caras novas, com principal incidência no mercado japonês e em jovens brasileiros, e algumas delas prometem. O internacional japonês Koki Anzai chegou para a lateral esquerda e Marlos Moreno reforça o ataque proveniente do Manchester City FC por empréstimo.

Vitória FC – médio ofensivo e ponta de lança. Os sadinos procuram voltar às longínquas épocas tranquilas. O sector defensivo é, de longe, o melhor apetrechado, em número e em qualidade. O centro do terreno pede um par de médios criativos que possam servir o ataque. Hildeberto, Zequinha, Guedes e Mendy, entre outros, continuam no Sado, mas falta um nome convincente que substitua a saída de Cádiz para a Luz.

Kraev perfila-se como a figura do Galo no regresso à Primeira Liga
Fonte: Gil Vicente FC

CD Aves – lateral direito e ponta de lança. Os avenses perderam grande aparte da sua defesa e a renovação é visível, faltando ainda uma alternativa para o lado direito. O meio campo está completo e é o setor que Inácio deve explorar mais, tendo nele sérios casos a curto prazo. As alas do ataque estão sobrelotadas, mas é na frente que falta um homem golo, um nome com mais calo e experiência. Diallo e Ricardo Rodrigues, ambos com muito potencial, podem ser insuficientes para jogos frente adversários diretos onde não haverá lugar para segundas oportunidades.

CD Tondela – médio defensivo e ponta de lança. Vida difícil para Natxo González. Pega num emblema que luta constantemente pela manutenção e que por tradição não constuma acumular muitos criativos no seu plantel. Quando consegue, rapidamente dão nas vistas e saltam para outras paragens. Xavier e Murillo destacam-se numa ponta do campo, enquanto Cláudio Ramos se destaca na outra. O empréstimo de Jonathan Toro é uma mais valia, depois da saída de Tomané. No entanto, o ataque beneficiaria de um nome mais sonante e a posição mais recuada do meio campo também, até para que transmitisse outra segurança a uma defesa remodelada.

FC Paços de Ferreira – ninguém. Os castores reaparecem renovados nos palcos da Primeira Liga. Todas as posições apresentam nomes capazes e alternativas interessantes e devem alcançar uma época tranquila, depois do título da Segunda Liga. Hélder Ferreira e Dadashov destacam-se entre os reforços, mas é igualmente importante a permanência de caras conhecidas como Luíz Carlos, Ricardo Ribeiro, Marco Baixinho e Bruno Teles.

FC Famalicão – médio defensivo. O “Fama” foi o verdadeiro campeão do mercado de transferências. Mais de metade do plantel são caras novas, mas mais do que isso, são atletas para o futuro. Senão vejamos; em negócios com SL Benfica, Atlético de Madrid, Valência CF, Stoke City FC, West Ham FC ou Wolverhampton WFC, os famalicenses contrataram Centelles, Nehuén Pérez, Josh Tymon, Uros Racic, Guga Rodrigues, Schiappacasse ou Toni Martínez, entre outros. Alguém anda a jogar Football Manager na vida real.

Gil Vicente FC – ninguém. Os Galos terão os seus melhores reforços no banco e na bancada. Vítor Oliveira, o senhor das subidas, e o público de Barcelos. A experiência do matosinhense e o calor das gentes do Minho empurraram os gilistas para a surpresa da primeira jornada e prometem não ficar por aqui. Na retina ficaram Kraev, médio búlgaro de 22 anos, e Lourency, extremo brasileiro de 23. Num plantel maioritariamente abaixo dos 24 anos, polvilhado com experiência aqui e ali, é de esperar um regresso tão pacífico e tranquilo quanto merecido.

Foto de Capa: Liga Portugal

Revisto por: Jorge Neves

 

 

 

 

 

Diogo Pires Gonçalves

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