Publicidade

Os 5 jogadores que se podem afirmar esta época em Portugal

Inês Figueiredo Mendanha · 6 min

Os 5 jogadores que se podem afirmar esta época em Portugal
Foto: FC Paços de Ferreira

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Nos últimos anos, tem-se verificado uma maior aposta dos clubes portugueses em jovens valores, com talento mais que suficiente para deixar o seu nome vincado na história do futebol; é sempre difícil para um jovens jogadores afirmarem-se e pegarem de estaca em Portugal, uma vez que, acima da formação ou moldagem de jovens jogadores, cada equipa tem um objectivo maior e bem definido. Assim sendo, pode levar alguns anos até jovens talentos encontrarem forma de fixar o seu futebol em clubes nacionais, mas cada vez mais temos assistido à ascensão meteórica da juventude, que traz consigo a fantasia e a malandrice que nos dá vontade de ver futebol. Fica aqui então uma lista de cinco jogadores que podem afirmar-se esta época.

5.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Francisco Geraldes (Rio Ave FC) – Continua a ser uma incógnita a falta de oportunidades de Francisco Geraldes no seu clube de formação, o Sporting CP, sobretudo se pensarmos que o meio-campo leonino ficou órfão de um maestro, depois da saída de Bruno Fernandes. No entanto, a falta de minutos do jovem jogador foram um problema desde a sua subida à equipa principal. Após vários empréstimos, ao Moreirense FC, Rio Ave FC, Eintrach Frankfurt e AEK e retornos à casa-mãe, o jovem médio português rumou definitivamente a uma casa onde já foi feliz, o Rio Ave. Afinal, foi em Vila do Conde que Francisco Geraldes assinou a melhor época da carreira, quando em 2017/2018 completou 38 jogos e apontou quatro golos. O jovem médio ofensivo português merece uma oportunidade de afirmar o seu futebol na Primeira Liga; com uma cultura táctica e uma visão de jogo enormes, com uma qualidade de passe bem acima da média, uma capacidade de drible capaz de tirar coelhos da cartola e ainda o asserto defensivo, o talento do jovem formado em Alcochete deveria ser reconhecido e sobretudo aproveitado. Já participou nos dois jogos oficiais dos vilacondenses. Fico à espera de ver mais de um dos jogadores mais subaproveitados da sua geração.

4.

Abel Ruiz (SC Braga) – Um dos maiores jogadores e talentos da geração de 2000, formado no FC Barcelona, vencedor da UEFA Youth League e do Europeu sub-17 e sub-19, aterrou em Braga e parece ter vindo para ficar. Abel Ruiz chegou como uma das maiores promessas da cantera do Barça à cidade dos arcebispos a meio da época passada, e nos oito jogos que realizou, já pontou dois golos e deixou água na boca dos bracarenses. O ponta-de-lança demonstra já faro para golo, uma excelente ocupação dos espaços e muita qualidade técnica. Os seus apontamentos da época passada fizeram os responsáveis do Braga avançar para a sua contratação a título definitivo, que vêem nele o futuro avançado da equipa. É aproveitar o tempo com Paulinho, o goleador dos bracarenses, a experiência de Carlos Carvalhal e esperar para ver um novo goleador a despontar.

3.

Fernando Fonseca (FC Paços de Ferreira) – Fernando Fonseca é, na minha opinião, um dos melhores jogadores a cobrir a lateral direita na Liga e também um dos mais subaproveitados. Formado no FC Porto e já com passagens pelas camadas jovens da selecção nacional, o jovem defesa procura agora um clube no qual se possa afirmar, no futebol português. Depois de uma passagem pelo Estoril Praia SAD, na segunda metade da época 2017/2018, onde cresceu imenso e demonstrou muita maturidade a juntar à qualidade, Fernando foi, na época seguinte, inexplicadamente esquecido na equipa B dos dragões, de onde saiu para o recém-promovido Gil Vicente FC, na temporada passada. O jovem lateral confirmou todas as expectativas; cumpriu 23 jogos pelos galos, até uma lesão o afastar dos relvados. Ao longo da época, demonstrou uma grande consistência defensiva, excelente posicionamento e um pulmão inesgotável, fazendo o corredor direito dos gilistas com a raça que o caracteriza e deixando ainda excelentes pormenores técnicos, que o diferenciavam da equipa e contribuindo com duas assistências. Questionei-me durante toda a época sobre o motivo que levou os dragões a dispensarem um lateral-direito da formação, com qualidade para sentar Manafá e impedir Corona de recuar para lateral. Fiquei igualmente espantada por o Gil Vicente o deixar escapar para o Paços de Ferreira; espero que continue a cimentar a sua posição no futebol português e sobretudo, que seja aposta na capital do móvel. Tem talento para voar e já demonstrou merecer essa oportunidade.

3.

Nuno Santos (Boavista FC) – É um daqueles casos em que a qualidade está lá, mas as circunstâncias não ajudam. Formado no Benfica, Nuno Santos desde cedo de destacou por ser o maestro do meio-campo das equipas jovens das águias; um sentido posicional impecável, visão de jogo de águia, excelente qualidade de passe, muita técnica e faro para golo fazem com que fosse o cérebro da equipa: todo o jogo a meio-campo passa por ele. Teve o azar de subir à equipa A numa altura em que a qualidade abundava no meio-campo encarnado. Fez metade da época passada no Moreirense FC, onde se destacou ao fazer dupla com Fábio Pacheco e foi esta época emprestado ao Boavista FC. Os axadrezados têm construído uma equipa sonante, com reforços de renome; ainda assim, Nuno Santos já faz o futebol dos axadrezados fluir. Tem de continuar a evolução, ganhar experiência e capacidade de decisão e tem tudo para voltar a casa, brilhar e ser um dos jogadores revelação.

1.

Stephen Eustáquio (FC Paços de Ferreira) – A melhor prenda de Natal que o futebol me deu foi o regresso de Eustáquio ao desporto-rei nacional, no Natal passado. Depois de uma época em que me encheu as medidas no GD Chaves, a sua saída para os mexicanos do CDSC Cruz Azul deixou-me de coração partido, ainda para mais quando uma lesão gravíssima o atirou para fora dos relvados. Voltar ao futebol português foi mais um passo em frente na caminhada que tem tudo para ser vitoriosa deste talentoso médio internacional A canadiano.

Formado na UD Leiria e no GD Nazarenos, o jovem médio destacou-se no SCU Torreense e Leixões SC, dando o salto para o GD Chaves, onde encantou o mundo do futebol nacional, fazendo parte da célebre equipa flaviense que terminou o campeonato num extraordinário sexto lugar. Nessa primeira época em Chaves, completou 13 jogos e marcou um golo. Na segunda, onde já era aposta definitiva e um valor certo do nosso campeonato, somou 22 jogos, apontou um golo e comandava as operações do meio-campo dos trasmontanos quando saiu para o México, numa altura em que a sua qualidade já o levava a ser apontado ao Sporting CP.

Depois da malfadada aventura mexicana, o médio que tem dupla nacionalidade, português e canadiano, regressou a Portugal para defender as cores do Paços de Ferreira, onde foi essencial para a equipa assegurar a manutenção. Eustáquio assentou que nem uma luva ao meio-campo pacense, onde se assumiu como a figura do meio-campo, por onde passava todo o jogo dos castores, e a quem competia gerir e temporizar o futebol. Com uma precisão de passe a régua e esquadro, quer seja a curta ou longa distância, sempre de cabeça levantada e com uma criatividade que pressagia voos muito mais altos, o médio dos castores voltou a pegar na batuta para fazer uma orquestra funcionar. Tem vindo a aperfeiçoar a leitura de jogo, a transição defensiva e a cimentar o seu lugar no futebol português. Espero poder vê-lo a voltar a brilhar, durante esta temporada. Só tenho pena que já não possa jogar por Portugal…

 

Inês Figueiredo Mendanha

Redação Bola na Rede · ver artigos