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E se na Primeira Liga não atuassem os melhores marcadores?

Redação BnR · 4 min

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Os homens-golo podem, muitas vezes, ser a diferença entre uma boa e uma má época, sobretudo nas equipas que lutam pelos primeiros lugares. Obrigados a vencer quase todos os jogos, os candidatos ao título dependem, em diversas ocasiões, dos seus goleadores para desfazer igualdades que custam pontos.

Assim, depois de discutir a democracia do golo, o Bola na Rede foi à procura de saber qual é o peso que cada goleador máximo tem nos resultados da sua equipa.

Para isso, foram subtraídos, a todos os jogos realizados até à data, os golos apontados pelos melhores marcadores das 18 equipas da Primeira Liga, e reconstituída uma classificação virtual que permite perceber o quão dependentes as equipas são dos seus goleadores.

Fonte: Bola na Rede

Ao olhar para a nova tabela, dois nomes se destacam, de imediato, ainda que por razões distintas: Sporting e Vitória de Setúbal.

Os leões, com Bas Dost como o homem-alvo do seu jogo, mostram, com a sua posição nesta tabela, a peça fulcral que é o holandês. O segundo melhor marcador do campeonato já fez balançar as redes por 23 vezes esta temporada, e a contabilização dos seus golos acrescenta ao conjunto de Jorge Jesus 14 pontos, um recorde neste capítulo.

Já o conjunto sadino, por outro lado, beneficiaria, e de que maneira, da subtração da contribuição dos goleadores. Sem os golos de João Amaral mas, sobretudo, sem sofrer tanto por parte dos matadores adversários, a formação de José Couceiro conseguiria uma subida de nove lugares na tabela, estando inclusive na luta pela europa.

Claro que, a justificar estes dados, surge a elevada quantidade de golos sofridos pelos sadinos, fixada nos 49 e apenas suplantada pelo Estoril. Por outro lado, a relativa baixa contribuição de João Amaral para um melhor marcador (apenas oito golos), assim como os bons registos de Edinho e de Gonçalo Paciência, ajudam a explicar esta subida da formação de Setúbal.

Mas, além do conjunto sadino, também o Desportivo das Aves e o Belenenses conseguem arrecadar uma quantidade de pontos assinalável nesta classificação paralela. As duas formações têm, para o efeito, uma justificação ainda mais clara: os respetivos melhores marcadores, Paulo Machado e Maurides, contam apenas com quatro golos cada, não tendo um peso tão assinalável na finalização das suas equipas.

Assim, com 28 golos marcados, a formação da Vila das Aves “perde” apenas 14% dos seus golos, compensados pela melhoria significativa do seu registo defensivo, tal como no conjunto de Belém, onde os quatro tentos apontados por Maurides também não são significativos.

Já do outro lado da equação, FC Porto e Benfica (juntamente com o já mencionado Sporting) mostram que, pelo elevado volume ofensivo e necessidade de fazer golos, são os grandes que mais sofrem com a ausência dos goleadores.

Os encarnados, sem Jonas, perdem 31 golos, muito perto de metade do registo atual do conjunto orientado por Rui Vitória. Em termos práticos, a ausência do brasileiro, conjugada com a ausência dos restantes goleadores do campeonato, custa sete pontos às àguias e um consequente distanciamento do primeiro lugar.

Jonas é o melhor marcador do campeonato com 31 golos
Fonte: SL Benfica

Já os dragões, sem o contributo do surpreendente Marega, registam uma pontuação inferior à real em seis pontos, sendo que a diferença é provavelmente atenuada pela ausência do maliano nos últimos jogos. No início da época, poucos esperariam que Marega fosse tão determinante, mas a verdade é que, sem o avançado, os portistas poderiam estar apenas cinco pontos à frente do Sporting de Braga.

Importa falar agora do SC Braga: a rotatividade defendida por Abel faz com que os muitos(!) golos que a equipa minhota já marcou esta temporada estejam bem distribuidos pela equipa, pelo que a perda do seu melhor marcador (Ricardo Horta) não significaria uma grande perda pontual quando comparada com os companheiros do topo da tabelo. Sobem para terceiro lugar nesta situação hipotética e ficam a apenas 5 pontos do primeiro lugar a 7 jornadas do fim.

No fundo da tabela, fica evidente a dependência de Tozé em Moreira de Cónegos. Apesar dos poucos golos, o médio tem sido decisivo quando os marca e tem valido pontos ao Moreirense FC, principalmente em jogos recentes. Sem Tozé, os Cónegos caem para último e ficam a 5 pontos da linha de água.

Tozé tem estado em destaque pelo Moreirense FC
Fonte: Moreirense FC

Nas restantes equipas a diferença é residual ou mesmo nula (como nos casos do CD Chaves e GD Estoril Praia). Nota para a quebra de 5 lugares do Vitória SC comparativamente à realidade, apesar de ter perdido apenas dois pontos. A realidade é que, tanto nesta situação como na vida real, as equipas do meio da tabela estão todas muito próximas pelo que não é de estranhar a queda de tantas posições.

De realçar ainda que Feirense, Portimonense e Tondela estariam mais descansados na tabela classificativa, não por perderem os seus melhores marcadores. mas sim porque têm sido muito castigados pelos melhores marcadores das equipas contrárias.

Artigo de opinião de Pedro Paupério e Luís Miguel Rocha

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