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O nosso país é uma referência mundial no que a treinadores diz respeito. Nesta década tem havido uma nova fornada de treinadores talentosos, sendo que alguns deles já estão a dar cartas no estrangeiro. No entanto, existe um que teve um começo muito promissor e que actualmente atravessa um ciclo negativo e apresenta um futebol que é uma miragem daquele que outrora mostrou. Falo do actual treinador do CF Belenenses, Domingos Paciência. O treinador que iniciou a sua carreira diretamente na Primeira Liga em 2006/2007 mostrou um bom trabalho ao serviço da Académica e ao serviço do SC Braga, foi vice-campeão nacional e chegou à final da Liga Europa. Curiosamente, nos melhores momentos da sua carreira enquanto treinador, ele tinha como adjunto o treinador-sensação deste início de campeonato: Miguel Cardoso.

Fonte: CF “Os Belenenses”
Eu não acredito em coincidências e o que é facto é que considero Miguel Cardoso um dos “visionários”, mas já lá vamos. Com isto, refiro-me a Domingos Paciência como a um treinador que se está a deixar ultrapassar. Outro exemplo disso mesmo é o de Manuel Machado.
Sem falar das desculpas orçamentais e dos factores motivacionais que estas trazem, o técnico vimaranense sempre foi um treinador pragmático que sempre gostou de fazer barulho. No entanto, conseguiu com isso realizar alguns bons trabalhos em Portugal, conseguindo algumas qualificações para as competições europeias ao serviço do Vitória de Guimarães e do Nacional da Madeira.
A questão aqui é que, tal como referi no início, o futebol é cada vez mais moderno e levado ao pormenor e, com isso, o futebol do autocarro e do chuveirinho está a perder cada vez mais espaço para um futebol mais positivo e com identidade.
E é neste futebol positivo que eu identifico os treinadores “visionários”. Quando eu me refiro a visionários refiro-me aos treinadores que espelham a evolução e a modernização do futebol e que estabelecem uma identidade e um modelo de jogo a partir daí. Neste perfil encaixo treinadores como Miguel Cardoso e Luís Castro, treinadores que confrontam o “mito” dos orçamentos, treinadores que procuram que as suas equipas joguem sempre um futebol positivo e apoiado, que procuram assumir o jogo, independentemente do adversário.
Miguel Cardoso teve um arranque de campeonato sensacional no emblema vila-condense, vencendo as três primeiras jornadas e conseguindo anular a equipa do Benfica na quarta. A época 2016/2017 ditou o regresso de Luís Castro à Primeira Liga, onde se destacou por mostrar um futebol de grande personalidade ao serviço do Rio Ave FC. Apesar de este tardar em assentar as suas ideias no GD Chaves continua a ser dos treinadores em quem tenho mais expectativas.
Outro treinador que a meu ver encaixa neste perfil é Nuno Manta Santos. O treinador do CD Feirense foi na minha opinião o treinador-revelação da época passada. Primeiro, por ter sido a sua estreia como treinador principal de uma equipa sénior; segundo, pelo facto de a equipa fogaceira ter dado um grande salto qualitativo em relação aos tempos de José Mota (outro executante da táctica do autocarro).
Há um treinador que incluo parcialmente neste grupo: Daniel Ramos. O técnico do CS Marítimo possui uma mentalidade mais conservadora em relação aos demais, com um estilo de jogo assente na consistência defensiva e nas transições rápidas, para além de apostar fortemente nos lances de bola parada. Mesmo assim, é um treinador que se mantém sempre fiel à sua identidade e, com isso, conseguiu apurar-se para as competições europeias no seu ano de estreia na Primeira Liga.

Fonte: GD Estoril-Praia
No entanto, como aqui referi no início, uma virtude que um treinador deve ter é a capacidade de se adaptar e ajustar às mudanças que o futebol exige. E também acho que há um treinador no nosso campeonato que se tem sabido adaptar no seu clube e que tem evoluído com isso. Falo de Pedro Emanuel, que ao serviço do GD Estoril-Praia tem sabido tirar proveito da matéria-prima que tem ao seu dispor, mostrando um futebol personalizado, muito diferente do apresentado nos tempos da Académica e do Arouca.
Cada treinador tem a sua mentalidade, as suas ideias e o seu modelo de jogo, e isso ninguém pode discutir. No entanto, eu defendo que o futebol implica riscos e, como tal, acho que mesmo em jogos contra equipas teoricamente mais fortes se deve por em prática uma ideia de jogo mais positiva, encarando o adversário olhos nos olhos.
Foto de Capa: CD Feirense








