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Troca de treinadores que alimenta a “silly season” da Primeira Liga

Carlos Ribeiro · 4 min

Carlos Carvalhal já tem novo clube Everton
Foto: SC Braga

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Chegámos àquela altura do ano. Exatamente, a altura em que o Cavani vem para o SL Benfica, o Hulk regressa ao FC Porto… Uma altura em que se verbalizam sonhos pouco possíveis (espero que se tornem realidade, seria bom para o futebol português), e que faz correr muita tinta em toda a imprensa desportiva. No entanto, esta “silly season” 2020/21 tem outro aliciante – para além dos jogadores – que está a valorizar o treinador português e a mexer com as emoções dos adeptos: os treinadores.

Penso que não há dúvidas quando dizemos que os técnicos portugueses são muito cotados lá fora e esta época, na minha opinião, muitos treinadores saltaram para as montras do futebol nacional e internacional. Ora despontaram agora e começaram a ganhar visibilidade, ora (re)confirmaram toda a qualidade que já se lhes reconhecia.

Para além do regresso de Jorge Jesus ao SL Benfica, que já foi amplamente abordado em vários artigos aqui mesmo no Bola na Rede, há muitas outras mudanças a acontecer. São esses (os outros casos), que vou tentar abordar.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nomes confirmados:

  • SC Braga
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ruben Amorim parecia-me ser a aposta que mais agradava a Salvador, mas o “raide” do Sporting CP fez com que este perdesse a sua jóia da coroa. No entanto, como em muitas situações, tenho de elogiar a sua gestão. Soube reinventar-se até ao final desta temporada atípica – mesmo errando na escolha de Custódio –, conquistou o terceiro lugar à equipa que lhe “roubou” o treinador ideal e agora apresenta, nada mais, nada menos, que Carlos Carvalhal.

Depois uma excelente época num dos planteis mais apetecíveis deste campeonato, o do Rio Ave FC, sai – deixa um lugar vago – e vai para Braga, assumindo que é candidato ao título, embora sem o dizer. Plantel de grande qualidade à sua disposição, excelentes contratações… Águias e dragões que se cuidem, porque está aí o SC Braga.

  • Vitória SC

Época modesta e ligeiramente abaixo das suas possibilidades (pontualmente), mas caiu muitas vezes de pé, com excelentes exibições. Sou um fã de Ivo Vieira, mas ele acaba por sair, naquele que considero ser um erro da direção minhota a nível de treinadores.

Apesar disso, está a contratar muitíssimo bem e aposta num treinador jovem, um nome bem conhecido dos portugueses: Tiago Mendes, ex-jogador do SL Benfica e do Atlético de Madrid. O que vai resultar? É uma autêntica incógnita, mas se Tiago quer um projeto ambicioso para começar, esta oportunidade é fantástica.

  • CD Santa Clara

Depois de duas grandes épocas com classificações muito bem conseguidas, comandados por João Henriques, os açorianos fecharam um ciclo. Para esta nova fase chega Daniel Ramos, ex-Boavista (em 2019/20), clube que ajudou a manter na Primeira Liga Portuguesa.

Um regresso com uma “aura positiva”, que deixou durante a breve passagem que teve pelo CD Santa Clara há uns anos atrás, e que o catapultou para desafios de primeira divisão. Não é dos meus técnicos favoritos, mas creio que tem tudo para fazer uma época tranquila.

  • Boavista FC

Curiosamente, ao mesmo tempo que estava a escrever esta notícia, surgiu uma nova confirmação. Os boavisteiros anunciaram que Vasco Seabra é o seu novo treinador, ele que tem cultivado uma boa reputação em solo nacional pelo seu estilo de jogo acutilante. Parece-me uma excelente escolha, tendo um dos jovens treinadores o seu maior desafio pela frente: um dos históricos do futebol nacional.

As minhas escolhas (para os restantes sem treinador):

  • Rio Ave FC

Não pensava muito nisto, a minha escolha era Ivo Vieira, isto assumindo que não quer tirar o ano sabático. Insere-se na política desportiva dos vila-condenses, potencia jovens e tem opta por um estilo de jogo que quer dominar os adversários e fazer-lhes golos. Participava na Liga Europa já com a experiência obtida no ano anterior e ficava na Primeira Liga Portuguesa, onde ainda tem muitas cartas para dar como um dos grandes treinadores portugueses.

  • Gil Vicente FC

Não vai ser nada fácil e a manutenção vai ser uma intensa luta. Não é um clube com grandes recursos financeiros e apanhar uma equipa de onde deverão sair os melhores jogadores depois de um grande trabalho de Vítor Oliveira, vai ser um enorme desafio. Quem melhor do que Julio Velázquez para assumir o comando da equipa? No Vitória FC fez autênticas omeletes sem ovos, com uma instabilidade financeira muito maior. Em Barcelos teria, com toda a certeza, melhores condições para trabalhar.

  • CS Marítimo 

Na rota dos madeirenses, na minha opinião, enquadra-se João Henriques na possibilidade de treinadores. Continuava a sua aventura insular – muda só de ilha – e ingressaria num clube que apesar de ter vindo a perder qualidade nos plantéis, é visto como candidato a lugares europeus. Algo que, o próprio, numa recente entrevista, admitiu.

Quanto aos outros clubes, acredito que os seus treinadores permaneçam. Só via Pepa a sair do FC Paços de Ferreira se por acaso fosse para assumir um clube com ambição europeia.

Artigo revisto por Joana Mendes

 

 

Carlos Ribeiro

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