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FC Porto 2020/21: O possível 11 e composição do plantel

João Pedro Rocha · 7 min

FC Porto 2020/21: O possível 11 e composição do plantel
Foto: Diogo Cardoso/Bola na Rede

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Pois, é certo que este 4-3-3 ou 4-2-3-1 do FC Porto, como lhe queiram chamar, poderá causar controvérsia pelo facto de Sérgio Conceição dificilmente abdicar dos dois avançados na frente, no entanto, a colocação de apenas um é uma realidade totalmente aceitável por mais do que uma razão.

Primeiro, porque o FC Porto alinhou dessa forma nos quatro encontros finais da última temporada. Depois, pelo facto de Díaz, Otávio e Corona serem os desequilibradores da equipa e os principais responsáveis pela criação de jogadas para golo, ou seja, se os três estiverem em forma dificilmente sairão do onze. Juntamente a esse fator, adivinha-se o ano de explosão total de Luis Díaz, logo, poderá tornar-se um intocável no onze, contrariando a alternância ao longo da época, provocada por alguma inconsistência – o que não vai contra a época formidável realizada. Além dos pontos referidos anteriormente, a mais recente contratação do clube – Mehdi Taremi – pode ser beneficiado neste sistema e dar conta do recado “sozinho” na frente.

Por outro lado, Sérgio Conceição pode sempre variar e surpreender os adversários de um momento para o outro e a alteração para um sistema de 4-4-2 é perfeitamente natural, e com a chegada de mais um reforço para o ataque ou com a permanência de Marega esse cenário ganha ainda mais força. Essa tática pode também ser facilmente desdobrada com a presença de Otávio no onze, por ser um vagabundo sem posição definida e preencher tanto a linha como a zona central com rigor, privilegiando a subida do lateral desse lado ou as movimentações de um dos avançados para o corredor.

De qualquer das formas, o mais certo é Sérgio começar esta época como terminou a transata, e dar preferência ao sistema 4-2-3-1, que poderá ser facilmente alterado durante a partida, de acordo com as dinâmicas apresentadas pelos azuis e brancos. A dúvida recai ainda para o que resta do mercado, porque o clube tem ainda de vender e já assinaram quatro reforços (Carraça, Claúdio Ramos, Zaidu e Taremi), perspetivando-se a chegada de mais.

Vejamos então por posições, uma a uma, quais são as opções de Sérgio Conceição para 2020/2021 e os cenários mais possíveis a nível de entradas e saídas.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Guarda-Redes – O dono do lugar continuará a ser Marchesín, mesmo que a concorrência continue forte este ano, devido à contratação de Claúdio Ramos, um guardião muito experiente na Primeira Liga. Diogo Costa foi um substituto exímio na última temporada e existem dúvidas acerca da sua permanência, pois poderá seguir por empréstimo para juntar minutos e evoluir para ser o número um, talvez no próximo ano.

Defesa-direito – A escolha de Tomás Esteves foi por ser naturalmente o melhor das três opções, e por já ser o segundo ano incluído na equipa principal, isto se não se transferir até ao final do mercado. É óbvio que Manafá foi o jogador desta posição com mais minutos em 2019/2020 e esteve presente na dobradinha, contudo, a margem de progressão de Esteves é gigante. Encontra-se aqui um talento puro que seguramente dará muitas alegrias ao FC Porto. Para isso, é colocá-lo dentro de campo. A contratação de Carraça é uma incerteza, embora seja um jogador à imagem do treinador e do clube, pelo facto de nunca ter sido um fora de série enquanto representou o Boavista. No geral, é certinho e poderá ser útil por fazer mais do que uma posição. Saravia, João Pedro e Saidy Janko deverão passar por mais um empréstimo ou terminar a ligação com o clube.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Defesa-central – Para já, deverão seguir os quatro da última temporada. Diogo Leite não completou a transferência para o Valência e as últimas notícias dão conta de que poderá ficar no plantel. O experiente Pepe e o herói da taça Mbemba formarão a dupla titular para o início da temporada. Marcano está em processos de recuperação de uma rotura de ligamentos e é sempre uma incerteza se continuará com o alto rendimento. Caso exista alguma adversidade com o espanhol, ou uma saída do jovem Diogo Leite, estão ainda na calha Diogo Queirós, incorporado na equipa B, ou Yordan Osório, regressado de um empréstimo ao Zenit.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Defesa-esquerdo – A decisão que divide a nação portista. Alex Telles segue para a quinta época de dragão ao peito e o que fez pelo clube é inigualável nos últimos anos, no entanto, termina contrato no final da próxima temporada e muitos desejam a sua continuidade apenas em caso de renovação, pois correrá o risco de sair a custo zero, como sucedeu com Brahimi e Herrera. Uma eventual venda do brasileiro, deixaria espaço para o recém-reforço, Zaidu Sanusi, proveniente do Santa Clara, e uma das principais revelações da liga portuguesa no último defeso. Por ser o primeiro ano no clube, seria escasso contar apenas com o nigeriano para todas as competições, daí ser uma ótima alternativa a Alex Telles, que, em caso de permanência, continuará num lote restrito dos melhores jogadores deste campeonato. Em caso de renovação e venda na próxima época, seria a cereja no topo do bolo para a nação portista.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Médios defensivos/centros – Danilo, Loum, Uribe, Sérgio, Vitinha. A saída de Danilo é uma forte hipótese em cima da mesa, o que levaria Sérgio Oliveira e Uribe a coletarem grande parte dos minutos deste setor. Loum é uma alternativa sólida a Danilo, embora tenha mostrado pouco até à data. Afinal de contas, Sérgio Conceição garantiu após a sua contratação que o FC Porto teria um médio defensivo para anos. O jovem Vitor Ferreira é um produto bruto da casa e tem uma qualidade que não engana ninguém. Será interessante vê-lo ser opção mais vezes para ir evoluindo e poder, quem sabe, tomar conta do lugar. Qualidade não falta…

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Médios ofensivos/extremos – Em 4-3-3 poderá atuar mais um médio, sendo que Otávio é o dono do lugar e permite a utilização dos dois magos nas linhas. Numa formação 4-4-2, terá de haver uma rotação pensada, pois Corona é um dos intocáveis e Luis Díaz mostrou já na última época que será um caso sério, tal como Otávio que se revelou uma peça fundamental, daí o mais indicado é mesmo serem os três nomes referidos anteriormente a ocuparem as posições mais ofensivas do terreno, atrás do avançado. Existem ainda dois jovens que podem ocupar a posição – Romário Baró e Fábio Vieira – o primeiro encantou durante a primeira volta e fez exibições bem competentes.

O segundo é um autêntico craque e destacou-se na reta final do campeonato, com exibições de extrema maturidade para um rapaz da sua idade. É mesmo daqueles que não engana e só tem de levar mais minutos, pois o futuro do clube passará por ele e pelos outros desta geração. Outra opção para extremo é Nakajima, que custou 12,5 milhões de euros na última época e até ao momento não conseguiu fazer ver o porquê do dinheiro investido. Após desavenças com o clube e treinador, foi já reintegrado nos treinos e poderá ser mais uma peça útil. Também João Mário é outro jovem em iminência e demonstra potencial para fazer a diferença.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Avançados – A grande dúvida na planificação do plantel do FC Porto está neste setor. Praticamente todos os avançados já foram associados a uma eventual saída neste mercado e a continuidade de dois ou três poderá estar em risco. A contratação de Taremi veio aumentar a competência ofensiva e quando pegar de estaca dificilmente desocupará o lugar, por tudo aquilo que demonstrou recentemente. Com todo o respeito ao clube, mas era um jogador acima do nível do Rio Ave.

Conceição tem como hábito contar com várias opções ofensivas e se continuar a dar preferência a um sistema de dois avançados necessitará de pelo menos quatro elementos, numa fase em que a saída de alguns é bastante possível. Com a contratação do iraniano e uma hipotética venda de Moussa Marega, restam Tiquinho Soares, Zé Luis, Aboubakar e Fábio Silva. A saída do maliano daria total liberdade a outra contratação, visto que o seu valor está ainda valorizado e daria para uma possível chegada de Toni Martínez, do FC Famalicão, ou até, sonhando alto, para Alfred Morelos, do Rangers. Nesse caso, as saídas de Zé Luís, Aboubakar ou Tiquinho Soares (dois destes três) seriam o mais indicado. A permanência de Fábio Silva seria crucial, pela margem de progressão existente. Um jogador que tem praticamente uma média de um golo por jogo nos últimos anos da formação tem tudo para vingar brevemente.

Se Marega permanecer no clube mais um ano, dificilmente será retirado do onze por aquilo que oferece ao estilo de jogo praticado pelos dragões, logo, para a chegada de Toní Martínez seria necessária a venda de Zé Luís, Soares e Aboubakar, ou pelo menos dois deles, e as soluções para a frente de ataque ficariam muito completas do que em qualquer ano anterior orientado por Sérgio.

João Pedro Rocha

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