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O precónio do fim

Ricardo Anselmo · 3 min

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A procissão já não vai no adro. Encontra-se neste momento bastante adiantada e bem perto do seu final, restando saber se falamos de um final desejado ou, pelo contrário, necessário. Esta longa caminhada de quatro anos de sucesso tinha e tem como objetivo mínimo a consagração de mais um título, podendo dessa maneira igualar um feito ímpar de um clube português, a conquista do penta. Depois de sacado esse êxito, então sim, o estratagema poderia ou não ter continuidade. Seria, então, o fim da já anunciada procissão, recheada de anjos e personagens celestiais, subjugadas e subservientes ao poder instalado pelo homem forte de toda esta mentira: o senhor “primeiro ministro”, como agora (?) ousam chamar-lhe.

Esse seria, naturalmente, o final que todos desejariam, o término que poria o país num êxtase total. Afinal, este poder preocupa-se com a felicidade dos que o seguem e esta seria uma prenda bastante agradável. Contudo, e dada a analogia que tem sido feita nas últimas semanas, apetece-me dar aqui um toque religioso à coisa e transmitir a opinião de que considero ter sido dado o precónio (anúncio) final de uma procissão que deverá “morrer” na praia, se tivermos uma justiça disposta a não compactuar com este poder.

Fonte: Porto Canal
Fonte: Porto Canal

O caso dos emails, ainda que devidamente abafado e ignorado pela comunicação oficiosa do regime lisboeta, acaba por ser minimamente discutido e escrutinado um pouco por todo o lado. Felizmente, muitos já não comem gelados com a testa e, por isso, acabam por desconfiar da incoerência que acerca todos os encartilhados que, com maior ou menor frequência, se propõem a defender com unhas e dentes a posição dessa grande instituição.

Dez dias se passaram desde que Francisco J. Marques começou a destapar o véu e, desde então, nenhum dos visados conseguiu desmentir a existência de tais provas comprometedoras. Primeiro, numa tentativa desesperada de distanciar-se do comportamento do seu “não-colaborador” Pedro Guerra, o Benfica declara-se livre de culpas por se tratar de um simples adepto. Agora, esperamos a mesma linha de orientação e o precónio de que Luís Filipe Vieira e o seu assessor jurídico Paulo Gonçalves também nada têm a ver com o Benfica e que, como tal, nada se pode associar ao clube.

Finalmente, está marcada para hoje a transmissão da posição do Benfica em relação a este caso. Estranhe-se o tempo demorado para a delineação de uma nova estratégia ou, simplesmente, para desmentir categoricamente esta troca de correspondência eletrónica.

Ele é presidentes da liga que estão sempre do lado do presidente do Benfica; ele é observadores de árbitros que apenas querem ser “meninos queridos” para o mesmo presidente; ele é ex observadores que assumem o cumprimento de uma estratégia (delineada pelo primeiro ministro) de que “quem nos prejudicar sabe que é punido” e de que “o SLB hoje domina, os outros já não mandam nada”; ele é árbitros que, mesmo conseguindo a melhor classificação da época, descem de divisão porque, curiosamente, arbitraram as duas únicas derrotas do Benfica numa determinada época (“quem nos prejudicar sabe que é punido”) e que, sabendo quem domina, dirigem-se imediatamente ao Estádio da Luz para saber as razões, junto do “primeiro ministro”, dessa despromoção; ele é árbitros que, em dois anos, passam de meros apitadores de distritais sem o mínimo de capacidade para árbitros de primeira categoria e elevados a internacionais; ele é um conjunto interminável (terça feira há mais) de vergonhas e coisas inexplicáveis que – esperamos – tenham as devidas consequências.

A incoerência domina ainda na acusação estapafúrdia de que o FC Porto paga milhões a hackers informáticos para a obtenção destas provas irrefutáveis. Então os emails não são falsos? Então não é o FC Porto que está falido?
Cresce a desorientação para os lados da segunda circular e, nas tentativas desesperadas de desmentir o indesmentível, acabam por dar ainda mais força e veracidade à tese que os acusa. E se, como hoje se vem dizendo, quiserem a reabertura do processo ‘Apito Dourado’, pois que se investigue isso também e, de preferência, se tenha a preocupação de levar as buscas para além do distrito de Leiria, ou há algum tipo de receio?

Foto de Capa: Porto Canal

Ricardo Anselmo

Redação Bola na Rede · ver artigos