
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Agora que fecharam as cortinas da Primeira Liga Portuguesa é hora de olhar para trás e fazer uma retrospetiva daquela que foi uma época de consagração para o FC Porto. Embora a campanha dos dragões tenha sida uma verdadeira montanha russa emocional e exibicional, há que dar crédito a todos aqueles que contribuíram para o 29º título de campeão nacional do FC Porto.
Posto isto, um a um, o Bola na Rede analisou a prestação e o impacto de cada jogador do plantel sénior do FC Porto na mais recente conquista do clube da cidade Invicta. Ao todo, Sérgio Conceição utilizou 28 jogadores na principal prova de futebol em Portugal.

Agustín Marchesín – Chegou do México como substituto de Iker Casillas e de imediato agarrou a titularidade. No início da época surpreendeu com defesas muito vistosas e ganhou a confiança dos adeptos. Manteve o nível ao longo da época, tendo tido o único percalço na derrota do FC Porto frente ao FC Famalicão. Totalizou 31 jogos na liga, sendo que em 18 não sofreu qualquer golo, conseguindo uma média de 0.6 golos sofridos por partida.

Diogo Costa – Apenas três jogos na Primeira Liga, sendo que dois deles foram nas duas últimas jornadas, mas com bastante trabalho na baliza. O jovem guarda redes portista tem uma média de 2.7 defesas por jogo, apesar de grande parte delas terem acontecido no Estádio Municipal de Braga frente aos arsenalistas. Um talento que esteve durante esta temporada à procura de progredir.
🎙 Mbaye “Quero agradecer a todo o staff, estão a fazer um ótimo trabalho”#FCPorto #JN pic.twitter.com/XhwRCgqSv5
— FC Porto – Campeão Nacional 2019/20 🏆 (@FCPorto) March 30, 2020
Mouhamed Mbaye – O terceiro guarda-redes entrou em campo frente ao Moreirense FC para também poder fazer a festa e receber a medalha de campeão. Apesar de ter estado apenas 14 minutos em campo, certamente que contribuiu no balneário e Sérgio Conceição viu-o como merecedor da medalha.

Tomás Esteves – Estreou-se no campeonato no período pós-pandemia e esteve mesmo no onze inicial nos dois jogos que disputou. Frente ao CD Aves teve uma exibição mais acanhada, mas no dérbi portuense (Boavista FC) deu nas vistas na primeira parte, até ser substituído por estar visivelmente cansado. Precisa ainda de amadurecer, visto que nos dois jogos, por exemplo, perdeu oito vezes a posse de bola.

Diogo Leite – Muitos dos adeptos esperavam que esta pudesse ser a época de afirmação de Diogo Leite no FC Porto, mas ainda não foi desta. O jovem defesa central conseguiu somar nove jogos no campeonato, quatro deles como titular. Conseguiu maior destaque na reta final do campeonato, mostrando ser uma boa alternativa, mas evidenciando também alguns aspetos a melhorar, como a marcação.

Alex Telles – Um dos grandes obreiros do título foi Alex Telles. Apesar de nesta época não poder ser considerado o rei das assistências da Primeira Liga, o defesa esquerdo brasileiro marcou mais golos do que nunca. Inclusive, deu os três pontos ao FC Porto num jogo no Estádio do Dragão contra o Portimonense SC com um dos melhores golos do campeonato. Conseguiu uma média de tentativa de finalização de 1.0 por jogo, um excelente número para um lateral esquerdo.

Chancel Mbemba – Uma surpresa muito agradável. Mbemba parecia contar cada vez menos para o FC Porto, até que, com as lesões de Pepe e Marcano no decorrer da temporada, o congolês foi ganhando o seu espaço e agarrou um lugar no onze. Muito deste título se deve a Mbemba, que através dos seus cortes e interceções cirúrgicas, conseguiu afastar o perigo da baliza dos dragões.

Pepe – Deu uma chapada de luva branca naqueles que diziam que já estava velho e acabado. O defesa central internacional por Portugal é a prova viva de que o futebol não se desaprende e mostrou ser uma mais valia no FC Porto. Termina a época com uma média de 2.4 cortes por jogo e 4.3 disputas de bola vencidas. Pepe mostrou que ainda “está aí para as curvas” e para os títulos.

Iván Marcano – Uma pena que a lesão grave tenha impedido Marcano de atingir uma das melhores temporadas da sua carreira. Ainda assim, o número cinco portista fez tantos golos como o número da sua camisola, exibindo a sua veia goleadora. Nos duelos aéreos foi imponente (3.1 por jogo), candidatando-se assim à vaga de “Senhor dos Céus” de Portugal. Uma peça fulcral neste campeonato e que, esperamos nós, voltará brevemente.

Wilson Manafá – Não teve medo de se assumir no lado direito da defesa quando Corona necessitou de passar para terrenos ofensivos. Mesmo não sendo consensual, arrecadou uma série de boas exibições, mas ainda não convenceu que é merecedor de ser proprietário do lado direito da defesa portista. No golo que marcou aquando do embate com o CD Santa Clara mostrou do que pode ser capaz.

Romário Baró – Um arranque fulminante de temporada que apenas foi travado pelas lesões consecutivas que Romário sofrera. O camisola oito tem futebol nos pés e todos viram isso, mas isso não chegou para uma época de estreia de sonho. Em nove jogos, não marcou qualquer golo, embora tivesse conseguido uma assistência.

Matheus Uribe – Queria fazer esquecer Herrera, mas acabou por deixar saudades dele. Uribe, em grande parte dos jogos, exibiu-se com muito pouco sal e acabou por dar uma oportunidade a Sérgio Oliveira para crescer. Apesar de não ter sido titular absoluto, completou 26 jogos nos quais resultaram em um golo e uma assistência.

Otávio – Otávio é também um dos principais responsáveis pelo 29º título de campeão nacional do FC Porto. As suas movimentações no lado direito do ataque e meio campo portista foram essenciais, tendo até arrancado um elogio de Sérgio Conceição de como é um sábio leitor de jogo. Em 31 partidas, marcou dois golos e assistiu nove. Mas nem só de ataque se faz Otávio, pois o brasileiro possui uma média de 7.3 duelos no chão ganhos e 8.1 de disputas de bolas vencidas.
🔵⚪ #SabiasQue o golo do Fábio Vieira foi o 100.º da época? 💪#FCPorto #FCPBEL pic.twitter.com/RMZFqHjgJf
— FC Porto – Campeão Nacional 2019/20 🏆 (@FCPorto) July 6, 2020
Fábio Vieira – Um reforço do período posterior ao Covid-19. Em oito partidas, foi titular duas vezes e esteve envolvido em três golos do FC Porto (dois golos do próprio e uma assistência). Um miúdo que mostra ter muito mais para dar e que possivelmente estará de pedra e cal no plantel da próxima época.

Bruno Costa – Esteve presente apenas em dois jogos da Primeira Liga ao serviço do FC Porto, tendo completado em cada um deles os noventa minutos. Aquando da derrota com o Gil Vicente FC, na primeira jornada, demonstrou não estar preparado para assumir um lugar na equipa. Em janeiro, foi vendido em definitivo para o Portimonense SC.

Mamadou Loum – Pouco jogou neste campeonato, mas deu ainda para fazer um golo no desafio que colocou frente a frente FC Porto e FC Paços de Ferreira. Demonstrou que o jogo aéreo é uma das suas melhores qualidades, mas ainda não teve oportunidades suficientes para revelar todo o seu talento.

Danilo Pereira – Nesta temporada assistimos a um Danilo muito diferente daquilo que estávamos habituados. Parecia um jogador mais desligado do jogo e com menos impacto na equipa. Ainda assim foi essencial ao assegurar o título, pois marcou na vitória dos dragões em Tondela e no jogo do tudo ou nada frente ao Sporting CP.

Sérgio Oliveira – Cresceu muito durante estes 11 meses. Exibiu-se a um nível elevado na maioria dos jogos em que participou, deixando tudo em campo e até a marcar (três golos) e a assistir (quatro assistências). Apesar de não ser titular indiscutível, comprovou que pode muito bem fazer parte deste plantel.

Vítor Ferreira – Vitinha atingiu o seu auge nos primeiros dois meses de 2020, mas a pandemia veio cortar os sonhos ao miúdo. Cada vez mais ia conseguindo impor-se na equipa e até chegou a entrar no Clássico que opôs FC Porto e SL Benfica. Um jogador com potencial para dar e vender.

Luis Díaz – A Luis Díaz só faltou uma coisa – a consistência exibicional. O colombiano foi capaz de fazer coisas muito boas neste campeonato, mas de um jogo para outro desaparecia completamente. Seis golos e duas assistências em 29 jogos na época de estreia na Europa não é um mau indicador, mas a adaptação do extremo ainda não está totalmente consumada.

Shoya Nakajima – Quando se fala em Nakajima, nesta altura, não se sabe muito bem o que dizer. É reconhecível o talento que este jogador tem e muitas das vezes pouco aproveitado por Sérgio Conceição, mas este processo disciplinar veio atirá-lo para canto. Uma temporada muito aquém das expetativas e daquilo que Nakajima é capaz.

Jesús Corona – Sem dúvida foi o atleta da época. Quando foi necessário fez de lateral direito e mesmo que nunca tenha jogado nessa posição foi exímio. Quando estava no ataque, era de deitar as mãos à cabeça com as maldades que fazia. Corona ficou a uma partida de ser totalista e atingiu a marca dos quatro golos e onze assistências. Teve um registo impressionante e digno de campeão.

Tiquinho Soares – Foi uma das maiores desilusões desta época. Esperava-se e pedia-se mais de Soares e os números refletem isso – somou dez grandes chances perdidas ao longo da prova. Termina o ano desportivo com dez golos e uma assistência em 30 jogos, um número baixo para um avançado do FC Porto.
João Mário, 20.º 🎊🎁🎉
Deixa a tua mensagem de parabéns!
Happy birthday!
iFeliz cumpleaños!#FCPorto #FCPortoB pic.twitter.com/kjJIjHSS2a— FC Porto – Campeão Nacional 2019/20 🏆 (@FCPorto) January 3, 2020
João Mário – Mais um jovem da formação lançado por Sérgio Conceição, mas com menos oportunidades, também por ter uma chegada mais tardia à equipa principal. Entrou bem no jogo contra o Sporting CP no Estádio do Dragão, mas precisa de mais minutos para se mostrar.

Vincent Aboubakar – Mesmo tendo passado de “estrela em ascensão” a suplente não utilizado, Aboubakar foi um grande profissional, pois não só nunca gerou qualquer polémica exterior ao balneário, mas também comemorava golos como se fosse ele que tivesse marcado. Merecia mais do que apenas cinco jogos.

Moussa Marega – Sabemos que Marega é capaz do melhor e também, por vezes, do pior, mas este ano brilhou mais nas capas dos jornais generalistas pelas polémicas do que propriamente em campo. Não é que tenha sido uma má época (11 golos e cinco assistências em 29 jogos), mas quase foi ultrapassado por Alex Telles na lista dos melhores marcadores do plantel. Ainda assim, merece indubitavelmente os louros, pois esteve em grande em alguns momentos.

Zé Luís – Pelos primeiros jogos merecia o prémio de contratação da época, pelos restantes levaria o de flop. Zé Luís ficou a um golo de igualar o número de milhões que custou (marcou sete, custou oito milhõs de euros), tornando-se agora numa contratação falhada. Contudo, o golo no Estádio da Luz e o hat-trick no embate com o Vitória FC não devem ser esquecidos.

Fábio Silva – Não se pode dizer que se esperava muito de Fábio Silva, pois tem apenas 18 anos e é a sua primeira época como sénior numa equipa como o FC Porto. Contudo, nesta reta final do campeonato, o nível Fábio Silva deve ter caído a pique na visão de Sérgio Conceição, pois raramente foi aposta. Bateu o recorde de jogador mais novo de sempre do FC Porto a marcar um golo na Primeira Liga e, caso não saia, é certo que não vai ficar por aqui.
Artigo revisto por Joana Mendes














