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Rolando: quem te viu, quem te vê e quem não te quer ver mais

Redação BnR · 4 min

Rolando: quem te viu, quem te vê e quem não te quer ver mais

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Num período de “seca futebolística”, que contrasta com as deambulantes e intermitentes chuvas que se fazem sentir (pelo menos aqui pelos Algarves), aproveito uma tarde cinzenta e com ameaças de pingas, desde este 11º andar, para falar de um jogador que vive um clima identicamente cinzento e igualmente com ameaças de não voltar a jogar, depois de se ver no cimo de um arranha-céus que culminou com a conquista da Liga Europa, na época de 2010/2011 – falo, claro está, de Rolando.

Chegado pela mão de Jesualdo Ferreira ao plantel azul e branco, no verão de 2008, cedo se percebeu que o então jovem central português com descendência cabo-verdiana vinha para se impor. E fê-lo. Com naturalidade ganhou o seu espaço e afirmou-se no centro da defesa portista, formando uma temível dupla com Bruno Alves. Durante as temporadas seguintes, foram vários os centrais que Rolando “sentou” no banco: Maicon, Nuno André Coelho, Abdoulaye, Stepanov, Sereno, André Pinto e Tiago Ferreira. Pelo caminho saiu Bruno Alves mas Rolando manteve-se no onze, quer com Maicon, quer com Otamendi. Entretanto, assumiu um dos lugares na hierarquia de capitania dos dragões e tudo indicava uma nova época ao lado do argentino Otamendi. Mas assim não foi… Pela mão de Vitor Pereira, Rolando viu-se ultrapassado por Maicon, pelo recém-chegado Mangala e, imagine-se, por centrais que tinham vivido na sombra do mesmo: Sereno e Abdoulaye!

Nunca foi uma história bem explicada, pois, como em todas as boas histórias, existem sempre duas versões, que, por norma, se contradizem… O Futebol Clube do Porto emprestou-o ao Napoles e ao Inter, e nos nerazzurri o internacional português até conseguiu encontrar o seu espaço, num esquema de três centrais. Tudo apontava para que fosse exercida opção de compra por parte dos italianos, mas os mesmos não o fizeram, devolvendo o jogador “à base”. Certo é que, dias depois, chegou aos cofres do Dragão uma proposta por parte de quem o tinha “dispensado” do empréstimo, tendo sido dado como resposta um “não”. Foi uma “birra” da SAD azul-e-branca? Alguns dizem que sim, outros afirmam que tal se deveu às declarações de Rolando, ainda enquanto jogador dos milaneses, quando afirmou que no Futebol Clube do Porto existiam salários em atraso (coisa que, diga-se de passagem, provou-se ser falsa). Lá voltamos à tal boa história: terá mesmo Rolando dito tal coisa? Terá sido uma jogada do empresário para desviar o jogador do Dragão para o Sporting – confirmou-se mais tarde o interesse no jogador, aquando da troca de Izmailov, quando os leões pretendiam Kadu, Miguel Lopes e o próprio Rolando, apenas garantindo Miguel Lopes e o guarda-redes Ventura – com rescisão por justa causa?

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Depois de uma época no Inter de Milão, Rolando está novamente longe dos relvados
Fonte: flickr.com 

Certo é que o “caso Rolando” é aquele que mais vai assombrando as hostes azuis e brancas, que pagam um salário que se adivinha nada baixo a um jogador que se vai “arrastando” a treinar com a equipa B, onde nem convocado é. Vamos, então, ao escárnio daquilo que foi o título deste texto, por pontos:

Quem te viu: viram os adeptos azuis e brancos, com orgulho e distinção, os largos anos que passaste de dragão ao peito, com exibições sempre discretas mas de uma eficácia tremenda. Esse Rolando merece um obrigado de toda a comunidade portista, pois quem dá tudo, a mais não é obrigado.

Quem te vê: pelos vistos, Inter de Milão continua a ser o maior seguidor do defesa-central que ainda pertence aos quadros do Porto, esperando-se (finalmente!) uma abordagem na reabertura do mercado que satisfaça ambas as partes: o Inter bem precisa de um central e o FC Porto bem precisa de se desfazer deste “peso orçamental”. Da Premier League também chegam ecos de interessados, mas nunca passaram disso mesmo – ecos. Também o Sporting por certo estará de olho em Rolando: não só por ser sempre um jogador apetecível, mas principalmente porque indo para Alvalade, seria de longe o central com mais qualidade daquele plantel. Esta última opção parece-me muito diminuta, dado o infantil e sucessivo comportamento do líder dos leões, que mais parece um gatinho a quem tiraram a tigela de leite e que aproveita para miar a tudo e todos, sem aleijar nada nem ninguém;

Quem não te quer ver mais: pois bem, termino com um ponto delicado mas… verdadeiro. Os adeptos que se levantaram no primeiro destes três pontos são os mesmos que estão desejosos de o ver partir. Não pelo que foi (isso ninguém lhe tira!), mas pelo que representa nos quadros azuis-e-brancos: um peso salarial a suportar, sem qualquer tipo de vantagem desportiva num futuro a curto/médio prazo.

Dado tudo isto, despeço-me com o desejo de que tudo se resolva já em Janeiro, para bem das três partes: FC Porto, Rolando e clube comprador.

Foto de capa: flickr.com

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