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Sem cerimónias, Conceição mexeu ao intervalo, e mexeu bem

Alexandre Matos · 4 min

Sérgio Conceição FC Porto
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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O FC Porto alcançou contra o Boavista FC a sua vitória mais compreensiva dos últimos tempos. Numa altura crucial do campeonato, e com o principal rival a passar por muitas dificuldades dentro e fora dos relvados, era importante que os Dragões mostrassem a sua força. E foi exatamente isso que fizeram, ainda que só na segunda parte.

A primeira parte não destoou nada do que tem sido o jogo dos portistas desde o regresso. Um futebol algo previsível, criando, ainda assim, algumas oportunidades, mas falhando bastante na finalização. Conceição até tinha apostado num onze bastante ofensivo, com Otávio no duplo pivot com Sérgio Oliveira. Mas as coisas não estavam, de facto, a correr muito bem. Luís Diaz na esquerda fez mais um jogo fraco, como têm sido os seus últimos, e Otávio estava demasiado longe da zona de decisão. Tomás Esteves até estava a fazer um jogo muito seguro, e com alguns toques de classe (como aquele calcanhar para Marega), mas as suas características não são de um jogador que oferece grande velocidade e profundidade à equipa. Este excele quando tem um extremo aberto na ala à sua frente e tem espaço para fazer combinações por dentro, como vimos tantas vezes o ano passado na Youth League, com Angel Torres a jogar a extremo direito.

Sérgio Conceição decidiu não fazer grandes cerimónias e realizou logo duas mudanças ao intervalo. Substituiu Esteves por Manafá, garantindo assim a tal profundidade e velocidade, já que o extremo a jogar a direita estava sempre a jogar muito por dentro (quer Corona na primeira parte, como Otávio na segunda), e trocou Luís Diaz pelo compatriota Uribe. Esta segunda alteração, supostamente algo defensiva, permitiu avançar Otávio para a zona onde este tem mais influência: o half-space na direita entre defesa-central e lateral. Corona passou para a esquerda, mas sempre com total liberdade para pisar outras zonas do terreno.

Conceição teve muito mérito nestas mexidas, e a equipa mostrou melhorias imediatas. O treinador disse na conferência de imprensa pós-jogo que um dos objetivos das mudanças era também avançar Marega no terreno, juntando-o mais a Tiquinho Soares no meio. A mim parece-me indiscutível que o maliano tem muito mais impacto quando joga no centro. Os seus grandes fortes são a movimentação nas costas dos defesas e velocidade, e, ainda que consiga aproveitar estas características a jogar na direita, acaba muitas vezes por depois falhar na definição do último passe, não tendo ângulo para a finalização. Com um jogador como Marega, o melhor é não inventar e não tentar que este faça coisas em que não excele. A jogar a partir do meio, teve influência nos quatro golos.

Logo aos 52’ vimos um bocado de tudo de novo que Conceição quis trazer ao jogo. Otávio mais na direita a fazer uma boa ligação para o meio, Uribe a fazer o passe entrelinhas para Corona que tinha fletido para o centro do terreno, e este, que joga muito melhor em combinações nessa posição que Diaz, rodou bem e fez o passe a rasgar para Marega, que, naquele espaço como ponta-de-lança da direita tão característico dele, rematou cruzado para o fundo da baliza.

 Marega continuou a fazer estragos naqueles rasgos entre central e lateral da esquerda boavisteira (sua direita) e ganhou dois penáltis a partir desses lances. Mesmo não definindo bem, algo bastante comum, como já mencionei, protegeu bem a bola no primeiro, e teve a felicidade de acertar no braço do adversário no segundo com o seu cruzamento que ia com demasiada velocidade. Alex Telles e Sérgio Oliveira foram respetivamente chamados a cobrar e não desperdiçaram as oportunidades.

Já com uma vantagem de três golos e a jogar a casa, Conceição teve a oportunidade de dar alguns minutos a certos jogadores que estavam a precisar, e conseguiu meter dois dos “miúdos” mais promissores. O ritmo de jogo acalmou, como seria de esperar, mas houve ainda tempo e energia para um último golo. Uma boa recuperação de Uribe deixou a bola nos pés de Fábio Vieira, que, com uma qualidade a que já nos habituou nas camadas jovens e na equipa B, muito rapidamente viu a desmarcação de Marega e meteu-lhe a bola direitinha no espaço para o maliano atacar. Com a confiança que este já tinha proveniente do bom jogo que estava a fazer, não havia maneira de falhar no um para um com o guarda-redes. Estava feito o 4-0 e estabelecido o resultado final no dérbi da Invicta em noite de São João.

O FC Porto tem agora três pontos de avanço sobre o SL Benfica e, com uns últimos seis jogos teoricamente mais fáceis que os rivais, os comandados de Sérgio Conceição têm tudo para ganhar confiança e partir para o título de campeões nacionais.

Artigo revisto 

Alexandre Matos

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