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Académico de Viseu FC 0-2 UD Vilafranquense SAD: Ganha quem menos erra

Alexandre Candeias · 5 min

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Foi numa tarde de muito frio que o UD Vilafranquense SAD se deslocou a Viseu para defrontar o Académico local, derrotando-os por duas bolas a zero.

Ambas as equipas entraram com a intenção de comandar o jogo, tendo os primeiros minutos sido marcados por vários duelos a meio-campo. Quando o jogo começou a “assentar”, foram os viseenses quem assumiu a iniciativa e, consequentemente, o controlo da posse de bola, mas a primeira oportunidade de perigo surgiu para o lado dos vilafranquenses, e estes não a desperdiçaram. Após a cobrança de um livre lateral, o avançado João Vieira tocou de cabeça para a pequena área, onde Ulisses apareceu isolado e só teve de encostar. A equipa ribatejana abria o ativo e colocava-se em boa posição para ir em busca da primeira vitória fora de casa na presente edição da LigaPro.

Apesar da maior posse de bola para o lado do Académico de Viseu FC, esta revelava-se estéril e quem ia causando maior inquietude aos defesas adversários era o Vilafranquense, através das suas saídas rápidas para o ataque. A falta de ideias ofensivas por parte da equipa de Viseu deixava os seus adeptos bastante descontentes e estes não se continham no momento de protestar.

O jogo foi-se tornando cada vez mais físico e as “faltas” habituais das competições portuguesas iam-se sucedendo, de parte a parte. As constantes quebras no ritmo de jogo impediram a construção de jogadas com “cabeça, tronco e membros”, sendo este um dos fatores contributivos para a não alteração do marcador até ao intervalo. A vantagem do Vilafranquense ia-se justificando pelo facto de ter sido a única equipa a criar oportunidades de golo durante o primeiro tempo.

Os (poucos) adeptos presentes no Fontelo iam-se mostrando descontentes com a exibição dos academistas
Fonte: Bola na Rede

O recomeçar do jogo trouxe duas mexidas no Académico, dadas as entradas de Bruninho e João Mário. Foi da cabeça deste último que, logo aos 47 minutos, surgiu a primeira ameaça dos comandados de Rui Borges no encontro, no seguimento de um livre cobrado por Luisinho.

Quando os viseenses estavam a conseguir criar jogadas de perigo em quantidade, eis que surge o lance mais caricato de toda a jornada: Steven Pereira, numa tentativa de atrasar a bola até Ricardo Janota, acabou por colocar força a mais na bola, bem como a direção errada, e marcou um autogolo quase do meio-campo! Se o ambiente no estádio já estava de “cortar à faca”, pior ficou após este lance.

As desatenções e perdas de bola não forçadas do lado dos “academistas” constituíam um cenário repetitivo, oferecendo oportunidades aos vilafranquenses e não sendo capazes de incomodar Maringá. Por seu lado, os ribatejanos iam mantendo um bloco baixo e aproveitavam as falhas na defesa adversária para sair rápido em contra-ataque.

Até final, o jogo mais pareceu uma partida de ténis, disputada no meio do terreno: bola de um lado, depois do outro, e assim sucessivamente. O Vilafranquense conquistou a primeira vitória fora de portas na liga, ao passo que o Académico de Viseu somou a terceira derrota consecutiva.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Académico de Viseu FC – Ricardo Janota; Yang; Steven Pereira (Facundo, 67’); Mathaus; Lucas; Zimbabwe; Fernando Ferreira; Latyr Fall (Bruninho, 46’); Luisinho; Jean Patric; Anthony Carter (João Mário, 46’).

UD Vilafranquense SAD – Maringá; Tarcísio (Brigues, 75’); Denis Martins; Kassio; Marco Grilo; Diogo Izata; Ulisses; Pepo (Bidi, 89’); Filipe Oliveira; Nikita; João Vieira (Wilson, 79’).

FIGURA

Fonte: UD Vilafranquense SAD

Ulisses – Num jogo com tão pouco para contar, tornou-se difícil escolher alguém que se tenha sobressaído do resto. Assim sendo, o destaque tem que ir, inevitavelmente, para o marcador do golo do Vilafranquense (o primeiro, visto que o segundo foi “oferta”). Para além do tento, o médio brasileiro mostrou-se seguro e foi peça importante na pressão exercida sobre a zona média dos viseenses.

FORA DE JOGO

Fonte: Académico de Viseu FC

Steven Pereira – Tanto ele como Lucas, lateral esquerdo dos “academistas”, estiveram bastante erráticos nos passes e nos momentos defensivos. O “tira-teimas” acabou por ser o autogolo marcado pelo jogador que proveio do Santa Clara. Ainda assim, podia ter sido um dos golos do ano… tivesse sido na baliza certa.

CONFERÊNCIA BnR

Académico de Viseu FC

BnR: Considera que a dificuldade na ligação de jogo, entre defesa e ataque, foi fruto de uma pressão e impedimento por parte dos homens do Vilafranquense ou, por outro lado, se considera que foi mais demérito dos seus atletas?

Rui Borges: Nunca tiro o mérito ao adversário, mas podíamos ser melhores e tínhamos obrigações de o ser. O Vilafranquense só teve um remate e, tirando três ou quatro saídas rápidas, não nos conseguiu criar grande perigo. Na primeira parte fomos lentos, tinha dito que a bola devia andar rápido e com poucos toques, mas não o conseguimos fazer.

Outras declarações:

“Nem sei bem explicar o que se passou. Sofremos golo num lance de bola parada, onde costumamos ser forte.”

“Vimos de uma fase negativa e, a juntar a isso, a equipa acusou o golo. Ficámos lentos a pensar e a jogar, por isso andámos um pouco perdidos na primeira parte.”

“Na segunda parte entrámos bem, pressionantes, mas o segundo golo aconteceu quando estávamos a reagir e abanou-nos por completo. A partir daí, foi mais com o coração do que com a cabeça.”

“Vem aí uma semana sem jogos, o que pode ser importante para darmos a volta a esta fase menos boa.”

“Não estamos tão consistentes em termos defensivos, e isso tem que mudar.”

“A fase não é boa e os adeptos têm razões para estar descontentes, mas assim como não sou o melhor quando ganhamos, também não sou o pior agora.”

“Vamos analisar o que fizemos no jogo de hoje, é hábito com todos os encontros, e vamos depois ver o que podemos fazer para voltarmos a ser mais coesos, como é nossa imagem.”

 

UD Vilafranquense SAD

BnR: O Vilafranquense conseguiu aqui a primeira vitória fora de portas, na atual edição da LigaPro. Acredita que pode ser o momento de viragem para a sua equipa, que tem passado por dificuldades?

Filipe Moreira: Esta vitória já podia ter surgido noutro momento. Se analisarmos os golos que temos marcado, somos uma equipa que sente conforto a jogar no momento ofensivo. Após a derrota por 3-2 com o Casa Pia, depois de termos estado a vencer por 0-2, queríamos reagir em campo e assim temos feito.

Outras declarações:

“Tenho um sentimento de gratidão pela minha vivência nesta fantástica cidade, tenho no meu coração o Académico de Viseu.”

“Todo o grupo de trabalho está de parabéns, é uma vitória justíssima.”

“Ganhar é sempre muito importante, mas respeitar a outra equipa é ainda mais importante, por isso não falo sobre o que pode estar a correr melhor ou pior no Académico.”

“O plantel quer dedicar a vitória aos membros que recentemente passaram por dificuldades familiares, nomeadamente dois dos meus adjuntos e o Brigues, nosso lateral direito.”

 

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Alexandre Candeias

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