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Três centrais: uma alternativa?

Diogo Janeiro Oliveira · 5 min

Foto: Sporting CP

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O futebol pode ter diversos sistemas táticos e várias dinâmicas dentro dos mesmos. No Sporting, Jorge Jesus tem optado sempre pela mesmo sistema, mas com algumas nuances táticas, em virtude dos jogadores que estão disponíveis. Porém, de uma coisa Jesus raramente tem abdicado: a linha de quatro no setor defensivo.

Uma das raras vezes em que Jesus alterou essa regra foi no dia dois de novembro, na deslocação a Dortmund para a Liga dos Campeões. Os leões perderam por 1-0, devido a um golo apontado por Adrián Ramos, avançado colombiano que, entretanto, já deixou o clube alemão. Nesse encontro, Jesus surpreendeu, colocando um trio composto por Paulo Oliveira, Sebastián Coates e Ruben Semedo à frente de Rui Patrício. Os laterais Schelotto e Zeegelaar ocuparam as alas direita e esquerda, respetivamente. Sem Adrien Silva, que estava a recuperar de lesão e apenas entrou na segunda parte, foram William Carvalho e Bruno César a ocupar o meio campo, com Gelson Martins e Bryan Ruiz a serem “falsos extremos”, no apoio ao ponta de lança, que foi Castaignos.

Com esta disposição em campo, a equipa leonina surpreendeu, dando uma boa resposta num dos campos mais difíceis da Europa, em Dortmund. Melhor na segunda parte, depois da entrada de Bas Dost para o lugar do seu compatriota Castaignos, os leões tiveram oportunidades para marcar mais do que um golo na Alemanha e perderam o jogo por manifesta ineficácia. O que eu pretendo tirar desse jogo é o bom desempenho dos jogadores, alinhando num sistema totalmente diferente do que é normalmente apresentado em competição. Assim sendo, a minha questão é: será que este desenho tático não poderia ser mais vezes utilizado, tanto como alternativa durante as partidas ou logo a partir do início dos encontros?

O Sporting tem três ótimos centrais no seu plantel, os três que foram titulares na Alemanha, e o maior problema da equipa tem sido a terrível falta de produtividade dos seus laterais, especialmente no momento defensivo do jogo. Assim sendo, este esquema tático, também utilizado, por exemplo, pelo Chelsea, líder incontestado da atual edição da Premier League, seria uma boa escolha do técnico, desde que seja devidamente praticado em ambiente de treino. Dentro do naipe de laterais que temos neste plantel, penso que Schelotto e Jefferson seriam os laterais preferenciais para ocupar as alas. O ítalo-argentino, que tem como um dos pontos fortes a sua enorme disponibilidade física e treme um pouco no momento defensivo, teria mais proteção, com Paulo Oliveira atrás de si. Poderia estar mais disponível para as combinações com Gelson Martins no seu flanco, causando mais dissabores aos adversários. Na esquerda estaria Jefferson, que também é bem melhor no plano ofensivo, onde os cruzamentos são o seu ponto mais forte. O brasileiro tem apresentado um rendimento fraco sob o consulado de Jorge Jesus, mas penso que o jogador ainda é recuperável e a inclusão como titular neste esquema tático seria muito benéfica para si e para… Bas Dost. O holandês, que é letal na finalização, beneficiaria bastante com os cruzamentos de Jefferson no flanco esquerdo. Todos nos lembramos dos vários golos que o saudoso Slimani marcou, após assistências do camisola 4.

No centro da defesa, Paulo Oliveira atuaria descaído para a direita, Ruben Semedo mais para a esquerda e Coates no meio, desempenhando a sua função de patrão do setor. O uruguaio, implacável no desarme e no jogo aéreo, é o elemento ideal para comandar este desenho tático. Espero bem que as negociações para a sua permanência no clube cheguem a bom porto. Ruben Semedo, com a sua velocidade e boa capacidade técnica, também estaria como peixe na água no desempenho das suas funções. O elemento mais “duvidoso” nesta equação seria Paulo Oliveira. Contudo, tenho uma enorme confiança neste jogador. Nunca vira a cara à luta e, apesar de não ser especialmente rápido ou bom com a bola nos pés, é um jogador certinho, que não arrisca e garante segurança e esforço na sua posição. Além disso, o facto de se apresentar neste momento da mesma maneira com que se apresentava quando era titular na época passada, demonstra o enorme profissionalismo que o marca. É um daqueles jogadores leais que estão sempre disponíveis para “dar o peito às balas” em função dos seus colegas e do seu treinador.

A juntar a Coates e Semedo, P.Oliveira forma um núcleo de três centrais de enorme qualidade Fonte: Sporting CP
Paulo Oliveira, Coates e Ruben Semedo formam um núcleo de três centrais de enorme qualidade
Fonte: Sporting CP

No meio campo, este sistema até seria benéfico, na minha opinião, para João Palhinha. O jovem que regressou agora do Belenenses vai ser o sucessor de William na posição, apesar de ter características bastante diferentes do campeão europeu. Parece-me que William não estará muito mais tempo no clube. Se William ficar, será fantástico. Contudo, penso que temos o futuro assegurado com Palhinha. Com este sistema, o jogador que ocupar a posição mais recuada do meio campo terá de estar atento para apoiar os três centrais, devido à esperada propensão ofensiva dos laterais. O parceiro do meio campo deverá ser, na maioria das vezes, o capitão Adrien Silva. O estilo de jogo deveria ser mais ou menos o mesmo que pratica atualmente, com muita entrega e disponibilidade para a luta e pressão sobre o portador da bola, mas eu acho que estaria mais protegido com este sistema alternativo, pela maior proximidade de colegas de equipa perto do espaço que ocupa. Isto porque os dois interiores ou falsos extremos, como queiram chamar, estariam mais presentes no momento de pressionar o adversário. Apesar de ter características diferentes de Adrien, penso que o regressado Francisco Geraldes também teria boas hipóteses de brilhar ao entrar na equipa.

Mais para a frente, obviamente que o ponta de lança teria de ser o holandês Bas Dost, o jogador com melhor rendimento nesta fraca temporada do leão. Com as incursões dos laterais e as diagonais exteriores de Gelson Martins e Bruno César, os “interiores” que eu utilizaria neste esquema tático, penso que o holandês seria melhor servido, tanto em qualidade como em quantidade. E servir Bas Dost com qualidade é meio caminho andado para chegar às vitórias, pois o antigo jogador do Wolfsburgo é garantia de muitos golos por época.

Bas Dost não precisa de muitas oportunidades para conseguir marcar golos Fonte: Sporting CP
Bas Dost não precisa de muitas oportunidades para conseguir marcar golos
Fonte: Sporting CP

 

Voltando um bocadinho atrás, e para terminar, o porquê de utilizar Gelson Martins e Bruno César no apoio ao ponta de lança. O jovem português é inquestionável, devido à criatividade, fantasia e capacidade de último passe que tem apresentado nesta época. Tem tido alguns altos e baixos nestes últimos jogos, mas penso que é mais por contágio dos seus colegas do que propriamente por culpa do atleta. Já o “Chuta Chuta”, seria o meu jogador preferido para atuar sobre a esquerda, pela estabilidade e apoio que pode dar a Adrien e Jefferson, e pela sua capacidade de passe e remate, com a qual poderia contribuir para vários golos ao longo das partidas. No fundo, penso que esta alternativa resultaria em melhor produtividade defensiva, e ajudaria a estabilizar a equipa num momento que a confiança não abunda em Alvalade.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Diogo Janeiro Oliveira

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