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A dualidade de critérios no que respeita ao Sporting CP

Pedro Miguel Martins · 4 min

Sporting CP
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Contra todos os prognósticos dos “suprassumos” do futebol português, os Leões continuam em primeiro lugar do campeonato em pleno mês de Janeiro. Se um Sporting CP líder chateia; um Sporting CP líder, unido e a praticar bom futebol torna-se preocupante.

As vozes “papagueantes” ao serviço dos clubes rivais não tardaram em tentar difundir a ideia de que o Sporting CP tem sido beneficiado “como sempre”, como se o clube leonino tivesse sido muitas vezes campeão nas últimas décadas. Não fomos por culpa própria, todavia, a História é pródiga em relembrar-nos que o Sporting CP foi prejudicado nos momentos decisivos de cada campeonato em que foi principal candidato ao título.

Nós, Sportinguistas, estamos bem cientes que há um interesse em destruir ou pelo menos retirar o estatuto de “Grande” ao Sporting CP no sentido de uma bipolarização do futebol português com o FC Porto a norte e SL Benfica no sul. Afinal, é mais vantajoso dividir entre dois clubes as receitas provenientes dos direitos televisivos, das presenças na Liga dos Campeões.

Não é por acaso que, sobretudo após o célebre ataque de Alcochete, se tem tentado incutir no seio dos sócios e adeptos a ideia de que o Sporting CP é uma casa a arder, que não tem espírito vencedor, a sua formação não presta, etc. Felizmente, e para mal de muitos, o Sporting CP foi e é um clube grande com milhares de adeptos espalhados por Portugal e pelo Mundo.

Sporting CP
Os leões têm estado imparáveis na Primeira Liga com a liderança isolada que há muito não se via
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Muito concretamente no que diz respeito à presente época, parece óbvio que o “sistema”, já sem qualquer descaramento, tem feito de tudo para condicionar os leões de Rúben Amorim.

Após a recepção ao FC Porto em Alvalade, o técnico dos Leões afirmou de modo peremptório: “O que me revoltou foi a dualidade de critérios, mas estamos sempre a aprender”.

Ao fim de tantos anos ao serviço de SL Benfica durante os quais nunca viu um cartão vermelho, Rúben Amorim, agora treinador do Sporting CP, está a aprender, como disse, as diferenças de tratamento que os profissionais (desde jogadores a dirigentes desportivos) do Sporting CP sofrem na pele.

Vamos a números que é para não sermos acusados de facciosismo:

Em 13 jogos da liga disputados, o Sporting CP é a terceira equipa com mais cartões amarelos – 37 no total, atrás do Santa Clara FC (38) e Famalicão FC (45), todavia, é a décima equipa com mais faltas cometidas registando 205.

Por seu turno, nas 13 jornadas da liga, o SL Benfica viu 25 cartões amarelos enquanto FC Porto viu apenas 20. Todavia, até ao momento, o SL Benfica cometeu 181 e o FC Porto 204 (menos uma que o Sporting CP).

Esta dualidade de critérios combinada com algumas nomeações de árbitros pelo Conselho de Arbitragem tem condicionado e muito o desempenho do Sporting CP na competição. É bem visível a “caça” montada a jogadores nucleares como Palhinha e Porro cuja suspensão por acumulação de amarelos poderá vir a ser decisiva em jogos importantes. Repete-se o estratagema gizado em épocas anteriores, como sucedeu com Marcos Acuña: incutiu-se a ideia que era um jogador indisciplinado e agressivo facilitando a amostragem dos cartões amarelos.

Vemos por exemplo Pepe, que não era poupado pela disciplina mesmo estando num clube colossal como Real Madrid, aqui no “burgo” faz literalmente o que lhe apetece. Em pleno contraste, Bruno Fernandes que enquanto jogou e capitaneou o Sporting CP era sucessivamente admoestado e perseguido pelas arbitragens, é, agora, visto como um role model pela Premier League. O próprio Jorge Jesus é agora um homem muito mais sereno e calmo no banco do SL Benfica do que outrora foi o Jorge Jesus treinador do Sporting CP.

É este o “sistema” que perdura há décadas em Portugal. O Sporting CP continua a ser gravemente prejudicado dentro das quatro linhas, enquanto os seus adversários directos vão beneficiando de “subjectividades” na avaliação dos seus lances polémicos. Há dois dias, no jogo a contar para a Taça de Portugal entre Moreirense FC e CD Santa Clara, vimos ser validado o golo que selou a vitória açoriana, um golo quase idêntico ao que Coates viu ser anulado frente ao Famalicão FC e que daria os três pontos ao Sporting. Os “especialistas” que disseram que em Famalicão é claro o contacto de Coates com o guarda-redes, em Moreira de Cónegos esse contacto já não existe.

Os “intelectuais” do futebol que todos os dias invadem as nossas televisões estão hoje formatados para “falar de futebol” e assim vão dizendo umas lérias para entreter o público; gente que vê pombas brancas onde só há abutres. Mas quando se trata de expor a corrupção, as injustiças e todo o entulho que conspurca o futebol do nosso país, esses intelectuais mudam de registo passando a apelar a uma pseudo-pacificação contra a “toxicidade” do futebol português e tratando o Sporting CP como se fosse o enfant térrible que está sempre “do contra”.

O que eu sei é que este grupo de trabalho liderado por Rúben Amorim não se renderá, mesmo sofrendo na pele as injustiças que deflagram o futebol português. Mas também todos sabemos que o “sistema” tarda mas não falha.

Pedro Miguel Martins

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