Adán, a muralha leonina

Diz-se que uma grande equipa começa com um grande guarda-redes e tal premissa aplica-se na perfeição ao Sporting CP. Contratado no ano passado, o veterano Antonio Adán, de 34 anos, tem sido uma autêntica muralha na baliza leonina, assumindo-se como um jogador crucial para a equipa de Rúben Amorim – foi um dos principais obreiros do histórico título nacional em 2020/21, ajudando a tornar os leões na defesa menos batida do campeonato dessa época.

Recuando na máquina do tempo, a lista dos principais guardiões na história do clube conta com algumas lendas, como Azevedo, Carvalho, Vítor Damas ou, mais recentemente, Peter Schmeichel, jogadores que foram preponderantes na conquista de pelo menos um título nacional ao serviço do Sporting CP e que, para além do rendimento desportivo que apresentaram, na vertente institucional e financeira certamente ajudaram o clube a crescer.

Adán chega a Alvalade no verão de 2020, a meio de um ano de pandemia, com o clube a viver um momento delicado na sua história. A tolerância da massa associativa para com a direção era zero, pelo que os reforços teriam que mostrar serviço. Para além disso, desde há algum tempo que não existia um guarda-redes de confiança no plantel, dado que Salin, Renan Ribeiro e Luís Maximiano sempre se mostraram manifestamente curtos para assumir a titularidade.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O espanhol chegou, viu e venceu. Notou-se algum nervosismo ao início, até por ter chegado com pouco tempo de jogo, mas cedo se percebeu que estaria ali alguém em quem os sportinguistas poderiam confiar em qualquer jogo, nomeadamente os mais decisivos da temporada. Não se trata de um encontro muito recordado pelos adeptos, mas Adán não sofreu qualquer golo na vitória leonina (0-2) nos Barreiros, em fevereiro. E sabemos o quão difícil é para um guarda-redes do Sporting CP manter a baliza inviolável naquele estádio. Ou, pelo menos, chegou a ser…

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A sua exibição mais flagrante será sempre na deslocação a Faro, jogo no qual o Sporting CP sofreu bastante e teve de ser Adán a salvar a equipa leonina, com um punhado de boas defesas. Voltando às exibições menos lembradas, em Vila do Conde, poucos dias antes do título, estava outro objetivo em jogo: a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. O espanhol, ciente do que a qualificação para tal competição representaria no futuro do clube, voltou a mostrar-se seguro, defendendo os (poucos) remates que o Rio Ave efetuou – incluindo os defensáveis.

Com uma mentalidade vencedora e nada conformista, muito por ter jogado em clubes habituados a vencer como CF Real Madrid ou Club Atlético de Madrid, parece ter apreço pelo Sporting CP – e isto, no futebol moderno, tem muito que se lhe diga –, o que é fundamental para a harmonia da equipa, principalmente se repararmos que, obviamente, não foi formado em Alcochete e não cresceu a gostar de um clube pelo qual se estreou já na reta final da carreira.

Realizou uma grande temporada e, naturalmente, terá recebido propostas vindas do seu país natal, mas recusou-as, apesar de serem seguramente mais vantajosas. Vale ainda ressaltar que não usou essas propostas (se é que chegaram a existir) para obter uma renovação de contrato, algo que até poderia fazer sentido na visão do jogador, por ter já 34 anos.

Por tudo isto e por tudo o que ainda não vivenciámos, mas saberemos que será incrível, resta-nos agradecer a Adán e esperar que continue a defender as redes verde e brancas durante os próximos anos, sempre com seriedade, honra e compromisso. Enquanto se sentir útil, será sempre fantástico vê-lo na baliza, mais não seja porque nos sentiremos seguríssimos.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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