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Análise à temporada do Sporting CP

Simão Mata · 4 min

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sporting cp cabeçalho 1A época futebolística 2016-2017 terminou. O Sporting voltou a registar mais uma época desastrosa e aquém daquilo que eram (e são) os objetivos do clube de Alvalade. Mas os adeptos e sócios nunca desistiram e a Onda Verde cresceu em todas as jornadas e em todos os estádios por esse Portugal fora, ou não fossem os sportinguistas “da raça que nunca se vergará”.

Com mais uma época perdida resta-nos uma reflexão sobre o que aconteceu para projetarmos um futuro mais sólido e próspero para o futebol leonino. Não descurando que possam ser possíveis (e necessárias até) reflexões acerca da estrutura do clube ou até mesmo as reflexões que trabalhem o “fora das quatro linhas”, vou focar-me neste texto apenas no desempenho desportivo do plantel da equipa principal.

A época do Sporting foi feita de vários altos e baixos Fonte: Sporting CP
A época do Sporting foi feita de vários altos e baixos
Fonte: Sporting CP

Comecemos pelo setor mais defensivo de qualquer plantel, os guarda-redes. Estamos bem servidos neste setor. A incerteza parece ser sobre se Rui Patrício fica ou se ruma a outras paragens do futebol europeu. Penso que, se isso acontecer, Beto pode muito bem ser o guardião principal, mas isso implicará a contratação de alguém para segundo guarda-redes da equipa.

Segue-se a defesa. Este foi, a meu ver, o setor mais frágil da época e convém, por isso, que seja reforçado com alguma urgência. Desde logo os laterais (quer esquerdo quer direito) não garantiram o equilíbrio tático da equipa entre os momentos ofensivos e defensivos. Foi, muito provavelmente, a partir desta constatação que o Sporting contratou o italiano Cristiano Piccini, ex-lateral direito do Bétis de Sevilha. No eixo defensivo, Rúben Semedo esteve muito aquém do seu verdadeiro potencial. Revelou sempre muita insegurança em jogo, que era várias vezes “coberta” ou “escondida” pela supremacia e pela experiência do uruguaio Sebastián Coates. A contratação de mais um central torna-se, por isso, imperativa para a próxima época. É de lembrar ainda que Paulo Oliveira pode muito bem preencher o lote de defesas para o eixo defensivo, pois correspondeu muito bem sempre que foi para dentro das quatro linhas. Mas Coates e Oliveira, sozinhos, sem alternativas capazes e credíveis, não chegam para uma equipa que se quer sagrar campeã nacional.

O meio-campo foi um setor de grande importância neste Sporting 2016-2017. O verdadeiro “pulmão” da equipa em transições, quer ofensivas quer defensivas. William Carvalho como médio defensivo e mais recuado, descendo para a posição dos centrais sempre que o Sporting projetava os seus laterais no ataque, foi algo que marcou a fase inicial da manobra atacante da equipa de Jesus. Adrien, no miolo do terreno, correspondeu muito bem no seu papel de transportador e organizador de jogo da equipa, autêntico dínamo atacante, genuíno capitão. Bem nos recordamos da falta que fez à equipa após a sua lesão em fevereiro no jogo contra o Rio Ave e que terminou com a vitória da equipa de Alvalade. Com o mercado de transferências a movimentar-se para levar estas duas pérolas de Alvalade (alguma comunicação social tem falado do interesse do West Bromwich Albion nos dois atletas; o jornal Sapo Desporto noticiava também no seu site a 19/05/2017 o interesse do Manchester City por William), como poderá o Sporting colmatar este “buraco” no meio-campo? Talvez a contratação de Mattheus Oliveira ao Estoril Praia possa traduzir esta preocupação dos dirigentes leoninos sobre uma eventual (ou certa?) saída de Adrien, por exemplo.

Tendo ainda como referência o meio-campo, foco-me nas posições laterais/extremos deste setor. Neste capítulo, Gelson Martins destacou-se sobremaneira na ala direita deste Sporting. Não podemos nunca olvidar (termo bastante castelhano) a exibição brilhante, para espanhol e Mundo ver, que este miúdo fez em pleno Santiago Barnabéu para a Liga dos Campeões, deixando atónito e confuso o lateral esquerdo madrileno Marcelo. Do lado esquerdo, Joel Campbell, um dos reforços de Jesus para a época transata, acrescentou mais valia mas nunca se afirmou como um jogador com potencial de “jogador 90 minutos”. Foi muitas vezes Bruno César que preencheu aquele flanco esquerdo do meio-campo – um jogador mais maduro, experiente e com recorte técnico.

Bas Dost foi o jogador em destaque da época leonina Fonte: Sporting CP
Bas Dost foi o jogador em destaque da época leonina
Fonte: Sporting CP

Quando penso no ataque a primeira coisa que me vem à cabeça é Bas Dost. Que artilheiro, aquele jogador! Uma pérola que o Sporting descobriu na Bundesliga e que brilhou que se fartou nesta Primeira Liga Portuguesa, edição 2016-2017. Melhor marcador do campeonato português e “bota de prata” a nível europeu, só superado pelo astro argentino Lionel Messi. Mas nem tudo foram Rosas neste ataque, ou, melhor dito, nem tudo foram Dosts. O aparecimento tardio de um jogador que pudesse jogar nas costas do avançado holandês foi uma dor de cabeça permanente para Jorge Jesus. Quem acabou por se afirmar nessa posição foi o argentino Alan Ruiz, mas já numa altura avançada da temporada. E que bem que se afirmou! Temos de o segurar com unhas e dentes de Leão para a próxima época.

Em jeito de conclusão, é com uma nostalgia profunda e um lamento enorme que escrevo esta minha reflexão futebolística sobre o plantel do Sporting Clube de Portugal da época 2016-2017. Ficamos, mais uma vez, muito aquém daquilo que somos enquanto clube, um dos maiores da Europa. Mas os melhores adeptos do Mundo não desistiram. Que o prove a onda verde que cobriu os estádios sempre que o Sporting entrava em campo e que certamente continuará forte e aguerrida já na próxima temporada.

Foto de Capa: amorsporting.com

Simão Mata

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