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As 3 lições táticas que se retiram do passado Clássico

Tiago Silva · 3 min

Foto: Carlos Silva/ Bola na Rede

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O Clássico no Dragão era à partida um jogo de muita emoção e também de decisão – apesar de faltar muitos jogos. A equipa de Sérgio Conceição procurava encurtar distâncias para o líder Sporting CP, mas o jogo levou (quase) sempre uma toada de 0-0 e foi esse o resultado que acabou por se confirmar no final dos noventa minutos. Um jogo que antecipava emoção, mas que se fez sentir apenas o nervosismo dos protagonistas e também a pouca intensidade e qualidade.

A máxima que parece que veio para ficar é a de que as equipas procuram mais não perder do que propriamente tentar ganhar por muito que a conversa fora das quatro linhas seja outra. Um jogo novamente de duelos e de mútua anulação. Apesar das melhores oportunidades do jogo terem sido por parte de Taremi, o FC Porto arriscou pouco e teve pouco critério com bola e o Sporting CP foi cauteloso e foi jogando com o correr do relógio procurando erros adversários. Acaba por sorrir o Leão mantendo a sua distância de 10 pontos sabendo que não irá existir novo confronto direto entre os rivais.

Neste artigo pretendo enumerar os (poucos) destaques individuais da partida.

3.

Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

As dificuldades na primeira fase de construção – É conhecido do modelo de Rúben Amorim que dá muita construção aos três centrais na primeira fase. Isso não aconteceu neste jogo. Neste Clássico, o FC Porto conseguia condicionar quase sempre a primeira fase de construção leonina, mas a meu ver isto deveu-se também sobretudo ao nervosismo e à dificuldade de permanecer com bola e defender-se dessa forma.

Chamou-me sobretudo à atenção a quantidade de passes falhados por Feddal – em 46 passes acertou 31 com uma taxa de acerto de 67%, mas foi sobretudo na tentativa exagerada de constante jogo directo que esteve particularmente mal. Em 17 bolas longas que tentou apenas conseguiu acertar 6.

Numa fase em que o Sporting CP precisava de bola, acredito que a abordagem precipitada de Feddal retirou ainda mais o controlo da partida aos Leões e acabou por permitir ao FC Porto dar um maior forcing e colocar a equipa em sofrimento desnecessário.

2.

Fonte: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

João Mário, o oásis no deserto – Se falei anteriormente das dificuldades na primeira fase de construção leonina e especificamente de Feddal, a verdade é que não foi o único a estar mal.  Essa imagem e esse nervosismo acabou por se alastrar por toda a equipa. No final da primeira parte a equipa leonina tinha apenas 65% de eficácia de passe, muito longe dos valores habituais. Mas mesmo nos contextos mais difíceis a equipa leonina tem sido acautelada pela tão dita “estrelinha”. Essa “estrelinha” dá pelo nome de João Mário, que por vezes é criticado e que passa despercebida a extrema importância que tem no miolo leonino.

Em 52 passes conseguiu acertar 46 – 88% de passe certo(!) – uma diferença gritante para o resto da equipa. Teve ainda sucesso em três tentativas de drible e somou ainda importantes onze (!) recuperações de posse de bola. No Clássico, foi fundamental para o Sporting CP conseguir a curtos espaços agarrar o jogo, oferecer maior critério com bola, gerindo os ritmos de jogo e dando sobretudo serenidade à equipa.

3.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A evolução de Matheus Nunes – é um jogador que tem a hercúlea missão de competir por um lugar no meio-campo com João Palhinha e João Mário – provavelmente a melhor e mais completa dupla do meio-campo da Liga até ao momento. Deu um salto enorme na sua carreira e em uma época conseguiu passar do Ericeirense para a equipa sub-23 do Sporting CP. Se isso podia fazer o jovem de 22 anos acusar alguma pressão? Certamente que sim, talvez fosse o caminho mais natural. A verdade é que o médio tem vindo a demonstrar uma evolução tremenda e uma serenidade muito boa.

Quando é chamado à titularidade, cumpre a sua tarefa, mas demonstra também uma capacidade enorme de concentração e de estar ligado ao jogo mesmo de fora. Prova disso é o rendimento que teve em jogos distintos – diante o SL Benfica e agora no Clássico, diante o FC Porto. Seja 90 minutos ou sejam apenas 5 minutos, o jovem demonstra toda a sua capacidade de trabalho, de cooperação e entreajuda para com a sua equipa, sem nunca esquecer a grande capacidade física e de progressão que tem, deixando bem visível no lance disputado com Otávio.

Tiago Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos