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Quando surgiu a ideia de fazer um Top sobre personalidades do Sporting que me marcaram, surgiram de imediato vários nomes para muitos Tops, no entanto tive que criar alguns pressupostos para reduzir esta listagem.
Assim, e sendo eu um nado-criado na Beira Interior em tempos em que não havia a facilidade de deslocação que há hoje, nem mesmo a quantidade de informação (Sou do tempo em que os jornais eram semanais) que temos actualmente, fui conhecendo o universo Sporting pelas informações desportivas no final do telejornal, nos “Domingos Desportivos”, ou nas “Bolas Brancas”. Tempos em que se falava mais em futebol e quase nada de bastidores (apesar de sabermos, eu saber, agora que eles existiam).
Este Top basear-se-á não apenas numa modalidade, apesar de a maior parte estar ligada, directa ou indirectamente ao Futebol, mas nos vários quadrantes do Sporting como instituição, tais como atletas, funcionários ou dirigentes.
5.

Paulinho – Muitos dirão que haveria muitas personalidades bem mais importantes para falar, e até alguns “adversários” que possam dizer que é de clube pequeno ter como personalidade um Roupeiro. Pois eu diria o contrário. É de clube grande o que o Sporting fez pelo Paulinho e é de clube grande respeitar esta personalidade e conseguir passar aos jogadores o respeito que o mesmo lhes merece.
Quando eu era mais novo, e vendo algumas brincadeiras que os jogadores tinham com ele, sentia que o poderiam estar a desrespeitar, sendo apenas um motivo de “gozo”, no entanto fui percebendo que o limite entre respeito e desrespeito está na intenção de quem faz a acção e da forma como o “alvo” a encara. E nisso, o Paulinho é Grande. E os jogadores perceberam e percebem da importância dele no balneário. Só quem andou lá dentro (agora veio-me à cabeça o Damaiense, sei lá porquê!!) percebe a importância de um balneário unido, com boas relações entre atletas e staff. O Paulinho é uma dessas ligações de convergência dentro do balneário leonino.
4.

Irmãos Castro – O desporto português já foi bem mais do que apenas Futebol. E culpa disso era a aposta que o Sporting fazia em algumas modalidades, nomeadamente o Atletismo. Aposta que se foi perdendo ao longo dos anos, deixando que outros se tornassem protagonistas, ou pelo menos que conseguissem aproximar-se do nível do nosso Clube. Felizmente estamos a voltar a apostar nas modalidades.
Noutros tempos (que agora também parecem estar a voltar) eu passava manhãs de domingo a ver os atletas do Sporting a ganhar medalhas em barda nos certames de corta-mato, mas sempre com duas personalidades a destacarem-se de todos os outros. Os irmãos Castro (Domingos e Dionísio) dominavam as provas do principio ao fim, não dando quaisquer veleidades à concorrência. Não havia emoção? Talvez. Mas mostrava a força que o Sporting como clube desportivo tinha no nosso país e no mundo do Atletismo.
Tivemos muitos nomes relevantes no atletismo, que mereciam também ser destacados, mas quem sabe o sejam noutro TOP. Não quero, no entanto, deixar de referir aqui Moniz Pereira, uma vez que estamos a falar de Atletismo, porque merece todo o meu reconhecimento como Sportinguista e ex-praticante de algumas modalidades de Atletismo, e que pode servir de representação maior de todos os atletas do Atletismo do Sporting.
3.

Aurélio Pereira – Sempre foi reconhecido como o homem que descobriu, ou que viu valor em Cristiano Ronaldo, ajudando-o a dar os primeiros passos para se poder tornar o que é hoje. Só depois lhe dão o mérito de conseguir formar homens e jogadores de futebol como nenhum outro.
Também ele foi vítima do desnorte do nosso Clube nos anos negros de desinvestimento e desmembramento, tendo-lhe sido retirada a possibilidade de captação que permitiu ver muitos atletas que agora despontam nas camadas sub20 e sub21 sob a tutela de outros emblemas. No entanto, os tempos áureos, ou os tempos “aurélios” (como o do Europeu 2016) estão novamente a ser retomados, o que nos garante uma formação de qualidade, e valores seguros a despontar dentro de quatro ou cinco anos. Não quer dizer que não tenhamos qualidade agora, mas em muito menos quantidade, precisamente porque se desinvestiu na academia e se deixaram desviar valores para outras paragens.
Só espero que Aurélio Pereira consiga passar o seu “Know-How” para a estrutura do Sporting, para que o seu trabalho continue, seja eterno e inesgotável em Alcochete. E tal como Moniz Pereira no Atletismo, também Aurélio Pereira personifica e representa todos os ”craques” que saíram da nossa Academia.
2.

Balakov – Bem sei que temos muita qualidade nacional, e muitos jovens da academia que saíram das nossas escolinhas, mas este Búlgaro deixava-me boquiaberto com os seus “slaloms”.
Veio num momento em que o Sporting, na pessoa de Sousa Cintra (outra personagem castiça do nosso clube. Senão ouçam aqui. O que eu me ria com este homem. E criou grandes equipas) apostava também na escola da Bulgária, que naqueles tempos era fortíssima (basta pensar na selecção Búlgara daqueles tempos).
Era rápido, tecnicamente muito forte, e foi dos jogadores que mais prazer me deu ver jogar no meu clube. Merecia outro palmarés, que, por várias razões, não apenas desportivas, não lhe foi possível juntar ao seu grande talento. A ele e consequentemente ao Sporting.
Com ele chegou também Cherbakov, que podia ter sido tão bom, ou melhor que o seu compatriota, não fosse a infelicidade que lhe bateu à porta.
Por falar em Búlgaros de qualidade, deixo uma palavra a Iordanov, que, apesar da menor qualidade técnica, tinha uma raça e capacidade física que compensava tudo.
1.

Augusto Inácio – Foi o treinador do que parecia vir a ser o desenguiço. Não o foi, e saiu até de uma forma inglória do nosso clube (outro “Modus Operandi” que os nossos dirigentes nos iam começando a habituar). No entanto, ninguém lhe pode tirar o mérito de, depois de dezoito anos, ter feito explodir de alegria todo o universo Sportinguista.
Nunca mais me esquecerei de, nessa noite, ter que pegar no carro para ir para a cidade onde estava a estudar, e a cada vila ou aldeia que passava era brindado com acenos, apitos, cachecóis e bandeiras com as cores do Leão.
Foram poucos, é verdade, mas muito saborosos e inesquecíveis. E a Augusto Inácio ficarei eternamente agradecido. Não apenas a ele, mas a toda a equipa que com ele conseguiu o feito. Ele será também o rosto que reflecte o trabalho de muitos, no entanto, muitos outros treinadores, com equipas talvez melhores, não conseguiram dar-nos o título. Augusto Inácio conseguiu, e é por isso o meu destaque, que considero inteiramente merecido.
Espero agora que rapidamente surja outro “Inácio” para nos voltar a permitir festejar.
Foto de Capa: Instagram do Sporting Clube de Portugal
Artigo revisto por: Beatriz Silva









